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AFIA | COMUNICADO DE IMPRENSA | Veículos elétricos e impactos na indústria portuguesa de componentes

Nove em cada dez carros vendidos na União Europeia ainda são equipados com motores de combustão interna, gasolina ou diesel, sendo que a curto prazo estes veículos manter-se-ão dominantes.

in AFIA, 21-05-2019


Segundo os dados da ACEA -Associação dos Construtores Europeus de Automóveis, venderam-se em 2018 na União Europeia 15 milhões de carros ligeiros de passageiros. Diferenciando segundo o tipo de combustível/energia, os carros a gasolina representaram 57% das vendas, os diesel 36%, os veículos híbridos 4%, os veículos elétricos 2% e os veículos movidos a combustíveis alternativos (GPL/NGV/E85) 1%. Ou seja, 9 em 10 carros vendidos na União Europeia em 2018 foram equipados com motores de combustão interna, gasolina ou diesel.

Independentemente dos incentivos dos diferentes governos europeus à aquisição dos veículos elétricos, no curto prazo os veículos com motores de combustão interna (tradicionais ou híbridos) manter-se-ão dominantes.

A evolução do mercado dos veículos elétricos dependerá significativamente de vários factores: o preço do petróleo, o custo da eletricidade, o preço das viaturas elétricas, a sua autonomia, a disponibilidade de meios (públicos e privados) para carregamento das baterias, a velocidade de carregamento, a aceitação pública deste tipo de mobilidade, a tipologia de veículos a serem colocados no mercado e as normas europeias sobre emissões de CO2 .

A União Europeia, recentemente, aprovou novas normas que limitam as emissões de CO2 para os novos veículos de passageiros. Redução de 15% de emissões de CO2 até 2025 e 37,5% em 2030, por comparação com os limites de emissões permitidas em 2021. Igualmente se impõe que a partir de 2025, 15% dos novos ligeiros de passageiros tenham emissões baixas ou nulas, pretendendo-se que após 2030 aquela quota suba para 35%.

A resposta aos desafios que esta nova regulamentação traz, terá que ser dada pelos construtores de automóveis e respectiva cadeia de fornecedores, que terão que efetuar um considerável esforço de investimento em novas tecnologias para tornar a mobilidade mais limpa. A indústria automóvel europeia investe anualmente mais de 50 mil milhões de euros em inovação, o que a torna o principal investidor em Investigação e Desenvolvimento da União Europeia, com um peso relativo de 27% do total do investimento.

A indústria automóvel: construtores e fornecedores, incluindo a cadeia de fornecedores portugueses, está comprometida com as metas de Paris para mitigar os efeitos das alterações climáticas, pretendendo cumpri-las fazendo uso de todo o seu conhecimento e inovação.

Será no entanto um equívoco assumir que o aquecimento global seja causado, principalmente, pelos veículos automóveis, já que globalmente o transporte rodoviário é apenas responsável por cerca de 16% das emissões de CO2 feitas pelo homem. Existem outros importantes contribuintes: fornecimento de energia (44%), indústria e construção (18%), utilização de combustível para outros fins (18%), transporte não rodoviário (4%).

Todas as fontes de emissões de CO2, e não apenas os automóveis, deverão ser optimizadas para se conseguir reduzir o problema.

Assumindo um cenário hipotético e pouco verosímil, conforme acima explicado, que todos os novos veículos passavam de imediato a utilizar exclusivamente motorização eléctrica, qual o impacto dessa mudança? A indústria portuguesa de componentes assegura emprego directo a mais de 55.000 pessoas. Segundo estimativa da AFIA, este cenário radical de 100% de veículos elétricos (não híbridos) levaria ao encerramento de empresas ou à diminuição de volume de produção que resultariam na eliminação de cerca de 4.400 postos de trabalho.

Este cenário é radical, com baixa probabilidade de concretização no curto e médio prazo, o que não quer dizer que deva haver abrandamento dos agentes económicos e políticos, com acrescida responsabilidade do Governo da República, no seguimento da evolução do mercado automóvel, procurando-se vias para transformar a descarbonização dos transportes terrestre numa oportunidade para a nossa indústria e para a sociedade em geral.

 

Versão pdf do comunicado de imprensa

 

 

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