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Valença ganha vários investimentos espanhóis

Presidente da Câmara prevê criação de 300 postos de trabalho, número que pode ainda subir até aos 500 com outros projectos em curso.

in Público / Lusa, 24-03-2015

A maioria das oito novas empresas que estão a instalar-se na zona industrial de Valença, dos sectores automóvel e da metalomecânica, são provenientes de Espanha, sobretudo da Galiza, disse esta terça-feira à Lusa o presidente da câmara. O social-democrata Jorge Mendes adiantou que se trata de deslocalizações negociadas no último ano “face à grande preocupação do tecido empresarial com a instabilidade política que se vive em Espanha”.

O autarca da segunda cidade do Alto Minho adiantou “já ter avisado o Governo” português para essa realidade, e garantiu que a zona de fronteira está “num momento muito importante para agarrar investimento”, oriundo de Espanha.

“Neste momento o sector empresarial espanhol está muito preocupado com a possibilidade de Espanha virar um pouco à esquerda, porque a força dos sindicatos e a crispação das relações laborais ainda é muito grande. Se em tempos de crise isso não foi resolvido não será após as eleições marcadas para o final do ano. Se Espanha virar à esquerda, a instabilidade laboral será maior e para quem investe isso não é boa notícia”, sustentou.

Explicou que, sobretudo, os sectores metalomecânico e automóvel espanhol “têm actualmente como enfoque, para a localização de novos investimentos, os concelhos vizinhos” do Norte de Portugal. “O sector automóvel está eufórico na região”, adiantou, afirmando que a procura não se faz sentir apenas em Valença, como também nos concelhos de Vila Nova de Cerveira, Caminha, Paredes de Coura, entre outros.

Segundo Jorge Mendes cinco dos oito novos investimentos previstos para o concelho “já estão no terreno”, a “iniciar obras ou já com as naves industriais muito avançadas”. Além dos sectores automóvel e metalomecânico, as empresas em fase de instalação são da área da transformação de peixe congelado, de corte de chapa para navios, uma central de betão e alcatrão e uma fábrica de motores para climatizadores.

São investimentos da ordem dos “vários milhões de euros” que deverão criar cerca de 300 postos de trabalho.

As restantes três empresas, entre elas uma superfície comercial e uma outra do sector imobiliário, estão ainda em fase de negociação das condições para a instalação na zona industrial do concelho, “praticamente esgotada”. A concretizarem-se estes projectos, o número de novos postos de trabalho poderá atingir o meio milhar.

Jorge Mendes admitiu que a deslocalização destas empresas teve repercussões do lado espanhol, apesar “de todo o cuidado com que foram tratados os processos” no sentido de não fragilizar o relacionamento entre as regiões transfronteiriças. “À medida que se tomou conhecimento que essas empresas estavam a vir para este lado – no último mês foi notório – começou-se a dizer que as empresas estavam a fugir e que a Junta da Galiza não fazia nada. Houve logo o movimento inverso. A Junta da Galiza pôs logo terrenos à venda com 30% de desconto”, disse.


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