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“Temos de dividir fundos europeus de acordo com uma estratégia, não de acordo com ciclos eleitorais”, diz CEO da TMG Automotive

Isabel Furtado, CEO da TMG Automotive, defende que devem ser identificados os setores fundamentais para a economia nacional e apostar neles na divisão dos fundos comunitários.

in ECO, por Mariana Espírito Santo, 08-02-2024


Isabel Furtado, CEO da TMG Automotive, defende que deve existir uma melhor divisão dos fundos europeus, tendo em conta uma estratégia e não consoante os ciclos eleitorais, numa intervenção durante a 6.ª edição da Fábrica 2030, uma conferência organizada pelo ECO na Super Bock Arena – Pavilhão Rosa Mota, no Porto.

A empresária reitera que “o grande problema dos fundos é a má utilização”, o que se deve “muitas vezes a uma falta de estratégia em como devem ser utilizados, de falta de accountability, de decisão e de coragem governamental para dizer onde devem ser aplicados”. “Temos de dividir os fundos de acordo com uma estratégia, não de acordo com ciclos eleitorais”, remata.

“Não há uma estratégia a longo prazo que se diga que se deve aplicar os fundos em X setores”, nota Isabel Furtado, porque o que acontece é que se “divide sempre por várias pessoas para ninguém contestar”.

Para identificar os setores fundamentais “não é preciso olhar muito longe, basta ver o que precisamos: temos de aproveitar o mar, o setor metalomecânico com alta tecnologia e conhecimento, o setor têxtil, da mobilidade e do espaço”. “Com dez agendas mobilizadoras se calhar conseguíamos definir o que em Portugal é estratégico”, atira, apontando que Espanha tem um número mais reduzido de agendas.

Rafael Campos Pereira, vice-presidente da Confederação Empresarial de Portugal (CIP), também presente neste painel, concorda com a avaliação apontando que, em Portugal, existe a “tendência de distribuir pelas aldeias”. “Não nos conseguimos focar naquilo que são projetos prioritários e podem ter algum efeito de arrastamento”, lamenta.

Ambos os responsáveis assumem também não acreditar que o Plano de Recuperação e Resiliência (PRR) seja totalmente executado até ao fim do prazo. “Começou tudo muito tarde, fomos lentos e tende sempre a derrapar“, nota Isabel Furtado. Já Rafael Campos Pereira aponta que pode não ser possível “por causa da forma como foi concebido e desenhado o programa”.

Os representantes das empresas salientam ainda a dificuldade em tomar decisões em Portugal. “Há uma judicialização da decisão, não são só política”, diz o vice-presidente da CIP, que “vai sair cara”.

 

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