AFIA | 10.º Encontro da Indústria Automóvel | Museu da Vista Alegre, Ílhavo | 17.Nov.2021 | INSCRIÇÕES ABERTAS

 

A AFIA – Associação de Fabricantes para a Indústria Automóvel, no âmbito da comemoração dos seus 55 anos, vai realizar, no Museu da Vista Alegre, em Ílhavo, no dia 17 de Novembro de 2021, o 10.º Encontro da Indústria Automóvel, subordinado ao tema “Como Construir a Indústria do Amanhã | Automóvel – um Produto em Transformação”.

Ao organizar o Encontro da Indústria Automóvel, a AFIA promove uma oportunidade para que todas as entidades relacionadas com o sector automóvel troquem experiências e reflitam sobre temas que o caracterizam, numa perspetiva nacional e internacional.

Estamos convictos de que estes tópicos irão, certamente, promover a discussão dos desafios que a este dinâmico sector se colocam.

Para mais informações ver:

Nesse sentido, gostaríamos de contar com a Vossa presença, enviando o Formulário de Inscrição devidamente preenchido para eventos@afia.pt até ao dia 11 de Novembro.

Esperando que este evento responda às expetativas de V. Exas, apresentamos os nossos melhores cumprimentos,

José Couto
Presidente do Conselho Diretor

 

 

A AFIA dá as boas-vindas ao novo Associado: EQUILÍBRIO – Produtos Industriais, Lda.

A Equilíbrio-Produtos Industriais, Lda. é uma empresa dedicada e vocacionada para a apresentação de soluções técnicas de nível elevado no âmbito da transformação e comercialização de fitas adesivas técnicas, espumas e isolamento acústico.

in AFIA, 27-10-2021


Os seus produtos são aplicados em diversas indústrias, tais como, automóvel, ferroviária, aeronáutica, elétrica e eletrónica.

A Equilíbrio-Produtos Industriais é uma empresa certificada segundo a norma ISO 9001 e encontra-se em processo de certificação pela norma IATF 16949 (Indústria Automóvel).

O seu desempenho económico-financeiro foi distinguido com o Estatuto PME Excelência 2020, atribuído pelo IAPMEI.

Fundada em 1990 tem a sua sede em São Félix da Marinha, Vila Nova de Gaia.

Para mais informações visite a página da Equilíbrio-Produtos Industriais, Lda. em:

 

https://www.equilibrio-lda.com/

 

 

Setor dos componentes para automóveis pode perder quatro mil empregos em 2021

O presidente da Associação de Fornecedores da Indústria Automóvel alertou que o setor dos componentes automóveis em Portugal pode perder cerca de quatro mil postos de trabalho este ano.

in Eco / Lusa, 25-10-2021


O setor dos componentes automóveis em Portugal pode perder cerca de quatro mil postos de trabalho este ano, quatro vezes a perda de emprego verificada em 2020, avisa o presidente da Associação de Fornecedores da Indústria Automóvel (AFIA).

Em declarações à agência Lusa, José Couto garante, no entanto, que as 358 empresas do setor, que empregam diretamente 61 mil pessoas, não pretendem que haja despedimentos, dada a especialização e qualificação dos seus trabalhadores.

“Podemos ter uma queda de quatro mil trabalhadores. Acreditamos que as empresas vão fazer um esforço para não despedir, mas no estudo que fizemos, numa primeira análise, esse foi o numero que nos indicaram”, afirmou o dirigente associativo.

Estes dados, revelou José Couto, são do conhecimento do Governo, a quem a AFIA pede medidas para contrariar o possível aumento do desemprego, nomeadamente a reativação do lay-off simplificado.

“Em 2019, tínhamos 62 mil trabalhadores, baixamos 2% em 2020, passamos para 61 mil. E, neste momento, a nossa expectativa é que diminua o número de população empregada. De 2019 para 2020, o país teve instrumentos para conter o desemprego e o lay-off simplificado foi uma medida que se revelou eficaz. O que sugerimos ao Governo é reativar este instrumento, porque, se nada for feito, os nossos associados dizem-nos que o desemprego vai aumentar”, enfatizou.

Em causa, no setor dos componentes para automóveis, está a diminuição das encomendas dos clientes, nomeadamente dos construtores europeus, com efeitos na diminuição da produção, a que se somam os custos de logística com a “demora” das matérias-primas “em chegar da Ásia à Europa”.

Ao nível das matérias-primas soma-se ainda a escassez de semicondutores no mercado, “um problema complicadíssimo e a expectativa é que não tenha resolução nos próximos anos” e o próprio aumento do preço “nalguns casos de 180%”, explica José Couto.

Depois, há ainda os custos da energia “que cresceram significativamente”: “Não é só o preço dos combustíveis, o preço do gás também está altíssimo e o preço da eletricidade é incomportável. As empresas sofrem muito, é quase uma tempestade perfeita”, ilustrou.

No estudo que a AFIA elaborou sobre a realidade da área dos componentes para automóveis e de acordo com José Couto – que preside à associação criada em 1966 em representação da Microplásticos – “a maior parte das empresas dizem que vão acabar [2021] com menos trabalhadores, o que significa uma diminuição da capacidade de produção pela diminuição dos custos fixos ligados ao emprego”.

“Temos, neste momento, um conjunto de informação que diz que podemos perder bastantes trabalhadores, porque as empresas necessitam de diminuir os seus custos”, reafirmou, notando que, “embora possam ter de libertar um conjunto de trabalhadores”, as unidades industriais não o querem fazer, já que “são trabalhadores altamente especializados e significam um custo enorme para as empresas no processo de formação e qualificação”.

“A indústria automóvel tem necessidade de manter níveis de produtividade altíssimos e as empresas procuram manter esses trabalhadores nos quadros e não desfazer-se desse ativo muito importante”, afiança.

Segundo José Couto, em 2020, a venda de automóveis novos na Europa caiu 23,6% (menos 4,4 milhões de veículos) e em 2021, até agosto, já se comercializaram menos 24,4%. “Isto tem um efeito enorme sobre a produção de veículos automóveis, e o expectável é que em 2021 se vão produzir menos cinco milhões de automóveis. E em 2022 e 2023 não é expectável que se possa recuperar aquilo que foi a produção de 2019”, sublinha o presidente da AFIA.

“Neste momento, a queda da produção automóvel determina uma queda das componentes e a indústria portuguesa não é mais do que as outras, temos aqui uma diminuição de atividade significativa. Em agosto andava à volta dos 12,5%, mas nós temos já indicações que, até ao final do ano, este número irá aumentar para cima de 20%”, frisou José Couto.

Metalúrgica e eletrónica em maioria nos componentes automóveis

As áreas metalúrgica/metalomecânica e elétrica/eletrónica representam 63% dos componentes para automóveis produzidos em Portugal, em 385 fábricas pertencentes a 358 empresas, maioritariamente localizadas (85%) nas regiões Norte e Centro, revelam dados de uma associação do setor.

De acordo com informação disponibilizada à agência Lusa pela Associação de Fornecedores da Indústria Automóvel (AFIA), a metalurgia e metalomecânica têm um peso de quase um terço (32%) dos componentes fabricados no nosso país, logo seguidas das industrias elétrica e eletrónica (31%), dos plásticos, borrachas e outros materiais compósitos (18%), têxteis e revestimentos (11%) e montagem de sistemas (5%).

Segundo os mesmos dados, as 358 empresas existentes em Portugal – 63% de capital maioritariamente português e 37% de capital maioritariamente estrangeiro – estão situadas na Região Norte (55%), seguida da Região Centro, com cerca de 30%. A região de Lisboa e Vale do Tejo congrega cerca de 8% das indústrias do setor e o Alentejo 6%.

Por distritos, as 385 fábricas localizam-se, predominantemente, no litoral Norte e Centro: Aveiro conta com 83 unidades industriais, o Porto com 82, Braga tem 48 e Viana do Castelo 31, representando estes quatro territórios 63% do total de unidades industriais. O distrito de Lisboa possui 26 fábricas, Santarém e Leiria 22, Setúbal 20 e Coimbra 11.

Há ainda fábricas de componentes para automóveis em Viseu (14), Évora (10), Bragança (5), Guarda (4) e Vila Real (3), enquanto Portalegre e Castelo Branco possuem duas unidades industriais cada, sendo Beja e Faro os únicos distritos onde estas indústrias não existem, de acordo com a AFIA.

Entre 2015 e 2019, a taxa de crescimento média anual do volume de negócios situou-se nos 8,8%, atingindo 11,9 mil milhões de faturação em 2019, antes da pandemia de covid-19. Em 2020, o volume de negócios foi de 10,4 mil milhões de euros (cerca de 5,6% do Produto Interno Bruto nacional), menos 12,6% do que no ano anterior.

Segundo José Couto, presidente da AFIA, 85% das empresas diminuíram o volume de negócios em 2020 face a 2019, “e 73% diz que, em 2021, terá um volume abaixo de 2019”.

“A diminuição é menor do que aquela que aconteceu em 2020, mas mesmo assim é relevante. E, dessas empresas, 43% têm quedas registadas e expectáveis superiores a 20%, o que é uma queda muito importante”, notou.

Em termos relativos, por regiões, o Norte representou 54% do volume de negócios e 57% dos 61 mil postos de trabalho do setor em 2020, enquanto o Centro congregou 24% da faturação e 27% dos postos de trabalho. Em sentido contrário, em Lisboa e Vale do Tejo o volume de negócios (18%) foi superior ao emprego gerado (10% do total) pelos fornecedores de componentes automóveis.

As 358 empresas são 0,9% do total da indústria transformadora, na qual representam 8,8% dos postos de trabalho. Entre 2015 e 2019, foram criados mais de 14 mil postos de trabalho no setor dos componentes para automóveis, uma tendência sempre crescente, que contribuiu para uma taxa de crescimento média anual de emprego de 6,6%, nesse período.

De 2019 para 2020, em plena pandemia de Covid-19, o emprego caiu 2% (cerca de mil postos de trabalho), situando-se, atualmente, nas 61 mil pessoas (58% homens e 42% mulheres, proporção que, segundo a AFIA, tem sido constante).

 

Setor dos componentes para automóveis pode perder quatro mil empregos em 2021

AFIA pede medidas ao Governo para contrariar o possível aumento do desemprego, nomeadamente a reativação do ‘lay-off’ simplificado.

in Negócios / Lusa, 25-10-2021


O setor dos componentes automóveis em Portugal pode perder cerca de quatro mil postos de trabalho este ano, quatro vezes a perda de emprego verificada em 2020, avisa o presidente da Associação de Fornecedores da Indústria Automóvel (AFIA).

Em declarações à agência Lusa, José Couto garante, no entanto, que as 358 empresas do setor, que empregam diretamente 61 mil pessoas, não pretendem que haja despedimentos, dada a especialização e qualificação dos seus trabalhadores.

“Podemos ter uma queda de quatro mil trabalhadores. Acreditamos que as empresas vão fazer um esforço para não despedir, mas no estudo que fizemos, numa primeira análise, esse foi o numero que nos indicaram”, afirmou o dirigente associativo.

Estes dados, revelou José Couto, são do conhecimento do Governo, a quem a AFIA pede medidas para contrariar o possível aumento do desemprego, nomeadamente a reativação do ‘lay-off’ simplificado.

“Em 2019, tínhamos 62 mil trabalhadores, baixamos 2% em 2020, passamos para 61 mil. E, neste momento, a nossa expectativa é que diminua o número de população empregada. De 2019 para 2020, o país teve instrumentos para conter o desemprego e o ‘lay-off’ simplificado foi uma medida que se revelou eficaz. O que sugerimos ao Governo é reativar este instrumento, porque, se nada for feito, os nossos associados dizem-nos que o desemprego vai aumentar”, enfatizou.

Em causa, no setor dos componentes para automóveis, está a diminuição das encomendas dos clientes, nomeadamente dos construtores europeus, com efeitos na diminuição da produção, a que se somam os custos de logística com a “demora” das matérias-primas “em chegar da Ásia à Europa”.

Ao nível das matérias-primas soma-se ainda a escassez de semicondutores no mercado, “um problema complicadíssimo e a expectativa é que não tenha resolução nos próximos anos” e o próprio aumento do preço “nalguns casos de 180%”, explica José Couto.

Depois, há ainda os custos da energia “que cresceram significativamente”: “Não é só o preço dos combustíveis, o preço do gás também está altíssimo e o preço da eletricidade é incomportável. As empresas sofrem muito, é quase uma tempestade perfeita”, ilustrou.

No estudo que a AFIA elaborou sobre a realidade da área dos componentes para automóveis e de acordo com José Couto — que preside à associação criada em 1966 em representação da Microplásticos — “a maior parte das empresas dizem que vão acabar [2021] com menos trabalhadores, o que significa uma diminuição da capacidade de produção pela diminuição dos custos fixos ligados ao emprego”.

“Temos, neste momento, um conjunto de informação que diz que podemos perder bastantes trabalhadores, porque as empresas necessitam de diminuir os seus custos”, reafirmou, notando que, “embora possam ter de libertar um conjunto de trabalhadores”, as unidades industriais não o querem fazer, já que “são trabalhadores altamente especializados e significam um custo enorme para as empresas no processo de formação e qualificação”.

“A indústria automóvel tem necessidade de manter níveis de produtividade altíssimos e as empresas procuram manter esses trabalhadores nos quadros e não desfazer-se desse ativo muito importante”, afiança.

Segundo José Couto, em 2020, a venda de automóveis novos na Europa caiu 23,6% (menos 4,4 milhões de veículos) e em 2021, até agosto, já se comercializaram menos 24,4%.

“Isto tem um efeito enorme sobre a produção de veículos automóveis, e o expectável é que em 2021 se vão produzir menos cinco milhões de automóveis. E em 2022 e 2023 não é expectável que se possa recuperar aquilo que foi a produção de 2019”, sublinha o presidente da AFIA.

“Neste momento, a queda da produção automóvel determina uma queda das componentes e a indústria portuguesa não é mais do que as outras, temos aqui uma diminuição de atividade significativa. Em agosto andava à volta dos 12,5%, mas nós temos já indicações que, até ao final do ano, este número irá aumentar para cima de 20%”, frisou José Couto.

 

Presidente da AFIA no seminário “Mobilidade elétrica: uma perspetiva global” (c/ vídeo)

Integrado no Salão do Automóvel Híbrido e Elétrico – Salão da Mobilidade Sustentável, decorreu no dia 22 de Outubro, Porto, um seminário com o tema “Mobilidade Elétrica: Uma Visão Global”, com a participação de José Couto (Presidente da AFIA); Manuel Reis (Conselho Diretivo da UVE); Maria Helena Braga (Professora Investigadora na FEUP); Rui Vieira (Responsável da área de Mobilidade Elétrica da Galp) e moderação de Pedro Prata (Editor da Green Future Automagazine).

in AFIA, 25-10-2021


Assista aqui ao vídeo:

 

“Alerta vermelho” na indústria de componentes automóveis: há empresas a parar e 4 mil postos de trabalho em risco

Sabia que 98% dos modelos automóveis produzidos na Europa tem componentes made in Portugal? É isto que pode mudar. As perspetivas de retoma da fileira já apontam apenas para 2023 e a deslocalização de investimentos é uma preocupação

in Expresso, por Margarida Cardoso, 22-10-2021


Na indústria automóvel europeia, todos os planos de produção estão a ser postos em causa. Faltam chips e componentes eletrónicos, faltam matérias-primas como metais ou plásticos e já faltam, no final do ciclo, automóveis para venda. O cenário é de “alerta vermelho” entre os produtores de componentes portugueses, sublinha ao Expresso José Couto, presidente da associação sectorial AFIA.

José Couto contabiliza “uma dúzia de grandes produtores parados, o que significa suspensão de encomendas, acumulação de stocks em fábrica, problemas de sobreprodução e liquidez, a que se vem juntar o acréscimo relativo aos custos de energia e logística e um aumento brutal das necessidades de fundo de maneio, diz ao Expresso.

As expetativas de retoma efetiva na fileira automóvel, neste momento, apontam apenas para 2023, adianta.

“E não é por falta de clientes finais, porque as pessoas querem comprar carros que não há no mercado. É mais por esta travessia do deserto feita de problemas que acabam por vir forçar as empresas de componentes portuguesas a reprogramar e reduzir a sua atividade, a considerar a redução de postos de trabalho”, comenta.

Neste momento, assume, já há empresas a limitar a atividade a 3 ou 4 dias por semana e um estudo feito pela AFIA indica a possibilidade de virem a ter de ser dispensados 4 mil dos 61 mil trabalhadores do sector, o que é visto como “uma perda incalculável em termos de competências”.

A contaminação da cadeia de produção pelo “efeito perverso da paragem das grandes construtoras e da disrupção dos circuitos logísticos” significa, na prática, que a produção das fábricas lusas do sector está abaixo da capacidade, o que tem também impacto ao nível dos custos e da sobrevivência das empresas.

“O ambiente é o de uma tempestade perfeita que conjuga subida de custos de produção e custos fixos com perda de encomendas e acaba por ser agravada pelo disparar dos preços da energia, dependente dos contratos das empresas com os fornecedores, mas que podem atingir percentagens na ordem dos 40%. Assim, temos cada vez mais empresas a assumir que têm de diminuir capacidade de produção e de despedir até porque tudo indica que a retoma efetiva vai demorar”, diz.

“Temos relatos de empresas que dizem ter camiões carregados para enviar para os clientes que de repente ficam parados e têm de ser descarregados porque chega um telefonema a cancelar a encomenda”, acrescenta.

O PERIGO DE PERDER TRABALHADORES

Para o sector, perder trabalhadores experientes é, no entanto, um problema, considerando que a mão de obra qualificada e formada “é valiosa e fará falta no momento da retoma”.

Mas ainda é possível evitar este quadro? “O mais eficaz para conter os despedimentos seria o lay-off simplificado”, responde o empresário e dirigente associativo, convicto de que o quadro atual “é bem mais complexo do que no pico da pandemia e enfrentamos reduções de encomendas na ordem dos 25% a 30% de forma transversal a toda a cadeia e aos diferentes mercados e marcas automóveis”.

“E há mais paragens anunciadas nos grandes produtores, o que certamente agravará o quadro geral”, acrescenta.

Sobre o agravamento dos custos, das matérias-primas à energia, garante que “a maior parte das empresas não está a conseguir passar esse aumento para os clientes, o que significa que as margens estão a ficar absolutamente esmagadas”.

INVESTIMENTOS COMPROMETIDOS

Os investimentos contratualizados para otimizar processos e preparar o sector para os desafios das novas motorizações e redução da pegada de carbono do automóvel podem, também, estar comprometidos, admite.

Tudo isto acontece num sector que vivia com taxas de crescimento anuais de 7% ao ano, a ganhar quota de mercado face aos concorrentes europeus “e precisa de continuar a investir para se manter numa posição sólida e competitiva face à concorrência, pronto para os desafios do futuro”.

Se 98% dos modelos produzidos na Europa têm pelo menos um componente fabricado em Portugal, em todo o espectro da oferta, sensores incluídos, “este quadro pode, agora, alterar-se de forma negativa”, admite.

Na verdade, do lado de empresas portuguesas há já investimentos que estão a ser canalizados para outros países, à semelhança do que está a acontecer com empresas de capital estrangeiro. E a escolha alternativa é quase sempre, o leste europeu, adianta.

“O processo de captar novos investimentos está ferido por um conjunto de circunstâncias, perda de competitividade incluída”, sustenta.

A IMPORTÂNCIA DA FERROVIA

E para perceber o impacto real de tudo isto no futuro, José Couto comenta: “Para conseguirmos atrair investidores e encomendas no futuro, precisamos de um período de incubação de 2 a 3 anos que estamos a perder e pode deixar-nos fora de jogo nas novas formas de motorização”, alerta.

Outra preocupação antiga do sector é, curiosamente, o investimento do país na ferrovia. Quando o transporte rodoviário enfrenta o aumento dos custos de combustíveis e barreiras impostas nos países europeus em nome da redução da pegada de carbono, “Portugal começa a ter cada vez mais dificuldades em chegar aos clientes no centro da Europa”, avisa.

Isto num sector que paga já “20% acima do salário mínimo” e considera que a legislação laboral precisa de ganhar flexibilidade para “Portugal ser competitivo face à concorrência”.

E, em jeito de conclusão, fica ainda uma crítica ao programa Retomar, criado para apoiar os sectores mais afetados pela pandemia. Porquê? “Abrange apenas 6 dos 60 CAE (classificação de atividade económica) da fileira”, responde.

 

José Couto, presidente da AFIA

Rui Duarte Silva

 

 

Declarações do Presidente da AFIA ao jornal de Negócios sobre o Orçamento de Estado

Extrato do artigo com as Declarações de José Couto, Presidente da AFIA, ao jornal de Negócios sobe o Orçamento de Estado para 2022

in Negócios, por Pedro Curvelo, 21-10-2021


1. Como qualifica este Orçamento do Estado?

José Couto | Não vislumbramos neste OE a ambição de incrementarmos a competitividade da economia nacional, o que pressupõe a introdução de alterações substanciais, na forma de dinamizar e apoiar o investimento privado e orientar o investimento público para uma dimensão de incremento dos fatores diferenciadores que permitam que as empresas nacionais e internacionais invistam com sucesso no território nacional. Os diagnósticos são muitos e têm um conjunto de conclusões comuns, que vão desde as questões da carga fiscal, às infraestruturas de apoio à atividade produtiva, com especial relevância o que se refere ao transporte de mercadorias, ao peso da administração pública e da ineficaz e ineficiente prestação de serviços à atividade produtiva, bem como à manutenção de um conjunto de práticas, princípios ideológicos e excessos de tributação, que não permitem acabar com custos de contexto. Não é um OE que ponha em relevância o papel das empresas para o relançamento da t economia.

2. De que forma é que vai impactar a atividade das empresas e/ou setores?

José Couto | A indústria automóvel vive um momento de grande instabilidade com os problemas. de abastecimento de matérias-primas e encarecimento do seu custo e mudança de paradigma na mobilidade. As projeções apontam na Europa para 16 milhões de veículos automóveis ligeiros produzidos neste ano de 2021, menos 600 mil •veículos face ao ano passado (-3,4%). Refira-se que em,2020 a produção caiu 21,7% face a 2019. As estimativas para 2022 assinalam um crescimento para 18,6 milhões, mas 24,4% abaixo ao verificado no período pré-pandemia. Em 2019 foram produzidos na Europa 21,2 milhões de veículos automóveis ligeiros.

O cluster da indústria automóvel tem importância relevante para a economia nacional, pela sua capacidade exportadora, por criar empregos qualificados, por acrescentai’ valor e ter um efeito de arrasto e catalisador sobre vários setores, em especial como indutor sobre a capacitação competitiva do ecossistema científico. Porém, esta conjuntura teve e terá efeitos destrutivos sobre esta indústria, devido às ondas de choque que chegaram dos clientes, que reagem a um quadro complexo de bloqueio do mercado e ao processo acelerado de incorporação dos desígnios do “European Green Deal”. Portanto, este OE deveria englobar instrumentos capazes de introduzir fórmulas para ultrapassarmos o momento e no mesmo tempo estabelecer condições de recuperação e desenvolvimento. Na verdade, consideramos que o orçamento não é estimulante para a atividade empresarial, para d investimento, para o apoio às empresas que, para além de terem que lutar pela sobrevivência, perderão capacidade competitiva e, por isso, correm o risco de não entrarem em novos projetos de construção de novos produtos de veículos automóveis.

3. Que medidas deveriam se introduzidas para o melhorar?

José Couto | O OE deverá manter instrumentos que sustenham a destruição de emprego, que resulte da diminuição da atividade produtiva, por via das alterações dos mercados de matérias primas causadas pela pandemia, como é o caso dos chips e das alterações impostas por novos conceitos de mobilidade, em especial no seio das cidades… O que levará ao encerramento de unidades produtivas, não podendo deixar de ter preocupações ao nível do relançamento da atividade produtiva sem perder o sentido da manutenção da competitividade. O que significa que terão que existir políticas de preservação do emprego, manutenção e recuperação dos programas de investimento e incrementar a resposta aos novos projetos dós construtores automóveis. Não podendo deixar de estar atento às práticas dos nossos concorrentes, países europeus, que apoiam a indústria reforçando a resposta das empresas.

O que sugerimos é um forte apoio ao investimento:

  • Lançamento de programas que permitam a participação da indústria automóvel nacional em novos projetos, ligados a soluções tecnológicas compaginadas com os novos veículos automóveis.
  • Reconversão das soluções energéticas e introdução de conceitos da i4.0.
  • Financiamento através de subvenção; consolidação da autonomia financeira das empresas.
  • Incentivos à capitalização das empresas.
  • Medidas de apoio fiscal; estímulo ao investimento; à I&-D; manutenção e capacitação do emprego; e política de reforço da internacionalização.
  • Reconversão do quadro RH das empresas.
  • Programas de reconversão com diminuição apoio da de horários de trabalho.
  • Qualificação das organizações – incremento dos processos de gestão; fomento da dimensão das empresas.
  • Investimento em infraestruturas – logística (rede , ferroviária transeuropeia de mercadorias e rede de passageiros); início da construção da rede de comunicação 5G.

4. Considera que existe o risco do OE ser chumbado?

José Couto | Sim, considero que isso é possível, porque os partidos que têm sido parceiros pedem coisas que limitam o futuro do país e que nos atiram, no curto prazo, para a cauda da UE.

 

AFIA | Exportações de componentes automóveis ainda em queda

Quando comparadas com o mesmo período de 2019, as exportações de componentes automóveis registaram uma diminuição de 7,9% no mês de agosto

in AFIA, 11-10-2021


De acordo com a AFIA – Associação de Fabricantes para a Indústria Automóvel – as exportações de componentes automóveis fixaram-se nos 518 milhões de euros, o que representa uma descida de 7,9% durante o mês de agosto e quando comparada com o mesmo período de 2019.

Ao analisar as vendas ao exterior, relativamente aos primeiros oito meses deste ano, verifica-se que as exportações apenas estiveram acima do nível verificado em 2019, durante os meses de fevereiro e março.

Assim, e quando se refere ao acumulado até ao último mês de agosto, as exportações de componentes automóveis refletem um decréscimo de 4,9%, em relação ao mesmo período de 2019, atingindo nesta altura os 6.056 milhões de euros.

Em termos de países destino das exportações de janeiro a agosto de 2021, e face ao mesmo período de 2019, Espanha mantém-se no topo com vendas de 1.727milhões de euros (+3,2%), seguida da Alemanha com 1.235 milhões de euros (-8,4%), em terceiro lugar surge a França com um registo de 727 milhões de euros (-20,7%) e, por último, o Reino Unido que totaliza 293 milhões de euros (-46,7%). No total, estes 4 países concentram 66% das exportações portuguesas de componentes automóveis.

Um pouco por todo o mundo, a falta de chips e componentes eletrónicos continuam a ser apontados como uma das principais causas de problemas nas cadeias de abastecimento, pois têm levado a que as construtoras automóveis interrompam temporariamente a sua laboração. Outras situações como a pandemia de Covid-19, que continua com níveis muito elevados em alguns países, e o Brexit (as exportações para o Reino Unido caíram 46,7%) são outras das causas apontadas para estes comportamentos menos favoráveis.

No entanto, e é importante voltar a assinalar, o comportamento das exportações para Espanha (principal cliente dos componentes automóveis fabricados em Portugal, com uma quota de 28,5%), que estão acima do nível pré-pandemia, uma vez que as exportações para este país aumentaram 3,2% quando comparadas com o período de janeiro a agosto de 2019.

Face as estas situações e à manifesta instabilidade que a indústria automóvel vive neste momento com os problemas de abastecimento de matérias-primas e mudança de paradigma na mobilidade, a AFIA vem reforçar o pedido e o alerta «que sejam criadas soluções flexíveis para as empresas de componentes automóveis, para que estas se possam adaptar aos ciclos de produção e assim responderem de uma forma mais eficaz e eficiente às flutuações das encomendas, nomeadamente a reativação do layoff simplificado».

Os cálculos da AFIA têm como base as Estatísticas do Comércio Internacional de Bens divulgadas a 11 de outubro pelo INE – Instituto Nacional de Estatística.

 

Para mais informações consultar o ficheiro pdf neste link.

 

 

Falta de chips já custou quase 20% da produção nacional de carros

A retoma económica pode só chegar a alguns, mas a crise quando chega toca a todos. É mais ou menos esta realidade do sector exportador nacional: a retoma chega em ritmos diferentes, mas não há quem não se queixe de falta de matéria-prima e dos custos crescentes dos factores de produção. E, como alerta o Banco de Portugal, esta realidade pode atravessar-se no caminho da recuperação económica pós-pandemia.

in Público, por Victor Ferreira, 10-10-2021


O caso do maior exportador nacional, que vale 1,4% do PIB e 4,7% das vendas ao exterior, é o exemplo mais notório. Desde o início do ano, a Autoeuropa viu-se obrigada a suspender por quatro vezes a laboração por falta de semicondutores (também conhecidos como “chips”). Parou em Março, em Junho, em Setembro e em Outubro, paragens que se traduzem num importante desvio na produção.

Até Junho, segundo a empresa, estas interrupções (incluindo outra paragem mais curta devido ao fecho das escolas no início da terceira vaga da pandemia em Janeiro) tinham levado a uma quebra de produção de 17.340 viaturas.
Após a primeira paragem de Setembro, a fábrica acumulava uma quebra de quase 29 mil veículos, segundo um comunicado da altura. A isto há que ainda acrescentar as perdas da quarta paragem forçada, entre 27 de Setembro e 4 de Outubro. A fábrica de Palmela, quando na sua máxima força, monta cerca de 900 carros por dia de semana e 620 a cada sábado e a cada domingo. Por isso, a última paragem poderá ter “custado” mais cerca de 6500 viaturas.

Como a produção da Auteuropa se destina praticamente toda à exportação, cada “golpe” nesta unidade representa um passo atrás nas vendas ao exterior. Se se ficar por 35 mil veículos (o PÚBLICO pediu os números à fábrica, mas não obteve resposta), isso traduzirá uma quebra de cerca de 18% face à produção de 2020, que já tinha sido 25% abaixo da produção de 2019, que fora o seu melhor ano de sempre, com quase 257 mil carros montados.

Todo o sector automóvel, e não apenas os fabricantes de carros, tem sofrido as consequências da escassez de semicondutores. Na fileira dos componentes de automóveis, as vendas ao exterior acumuladas de Janeiro até Julho estavam ainda abaixo dos valores de 2019 e até de 2018. Apresentavam um recuo de cerca de 270 milhões de euros face a 2019, apesar de o resultado ser já superior ao de 2020 em quase 900 milhões.

A explicação para esta quebra, segundo a Associação de Fabricantes para a Indústria Automóvel, é também a falta de semicondutores. Devido ao efeito em cascata causado pela falta de chips para as linhas, se estas não funcionam também não são necessários outros componentes usados na montagem de carros.

Globalmente, a produção nacional de carros estava a cair 20% no fim de Setembro (face ao mesmo período de nove meses de 2020), arrastada pelo maior peso da Autoeuropa na produção nacional. Depois da crise pandémica, a indústria viu-se a braços com uma crise de matérias-primas. Foram produzidos quase 180 mil veículos, dos quais 97,5% se destinam à exportação. Se a falta de chips continuar, como antevêem diferentes autoridades, mesmo para lá de 2021, funcionará como um travão no crescimento das exportações e, por conseguinte, da retoma económica nacional.

O problema dos semicondutores dificilmente se resolve no curto prazo. A oferta é muito inelástica, o que significa que dificilmente reage a aumentos de procura como aqueles que se registaram quando o mundo se confinou em 2020 e 2021 e começou a comprar material electrónico em catadupa.

A produção de chips é dominada pela Ásia, com o líder de mercado em Taiwan e Coreia do Sul, Japão e China a ocuparem os lugares seguintes. É um mercado limitado devido ao enorme custo de cada fábrica. Europeus e norte-americanos prometeram ou anunciaram novas unidades, mas estas demoram no mínimo dois ou três anos a construir, em investimentos avultadíssimos, pelo que nenhum dos recentes anúncios virá salvar qualquer indústria que sofra com este problema. Em Agosto, na Alemanha, a produção industrial caiu 4% em vez dos 0,4% estimados pelos analistas. A culpa é da falta de “chips” nas fábricas de carros da Alemanha.

Perturbações em vários sectores

A tecnologia não é o único bem escasso que pode vir a obrigar a mudar as contas de 2022 de Portugal. Neste momento, o sector agro-alimentar também tem razões de queixa em relação a algumas matérias-primas, como cereais, assim como o sector têxtil e vestuário, cujas exportações até ficaram 0,2% acima das de 2019 para o período de Janeiro a Julho, mas que viu os preços do algodão praticamente duplicar, devido à escassez, e os da soda cáustica, usada em acabamentos, por exemplo, subir 75%.

Ainda que não haja, até ao momento, paragens forçadas como acontece na indústria automóvel, tanto Jorge Henriques, presidente da Federação das Indústrias Portuguesas Agro-alimentares (FIPA), como Mário Jorge Machado, presidente da Associação Têxtil de Portugal (ATP), dão conta de enormes dificuldades na obtenção de matéria-prima, o que tem conduzido a custos crescentes que depois impactam a margem, ou seja, os lucros. A solução tem sido tentar comprar com maior antecedência, mas até isso tem sido uma tarefa dificultada.
“Crescimento brutal”

Para Aníbal Campos, CEO da Silampos, já se tornou um quebra-cabeças conseguir comprar alumínio e aço inoxidável para as conhecidas panelas desta marca portuguesa que exporta 60% da sua produção anual. A procura está em alta, diz Aníbal Campos, mas os preços considerados “normais”, há um ou dois anos, dispararam. “Antes da pandemia, já se notava uma procura crescente pelo made in Europa e pelo made in Portugal na nossa indústria. Depois da pandemia, há um crescimento brutal”, garante, ao PÚBLICO.

O problema é que os custos estão a aumentar de tal ordem que o negócio não reflecte um crescimento da mesma dimensão. “O aumento de produção pode compensar alguma quebra na margem por causa do aumento dos custos. Com a carteira que tinha [a Silampos] ganhava mais dinheiro do que ganha agora”, anota.

O aço comprado pela Silampos, maioritariamente na Alemanha, Finlândia, Espanha e França, aumentou 60% no último ano. E o alumínio, vindo da Turquia, Índia do Leste da Europa, subiu 37% – embora haja alumínio de diferentes espessuras, que chegam a apresentar preços que quase duplicaram nos últimos 12 meses.

A isto soma-se o “brutal aumento” do transporte de mercadorias, assim como a energia cada vez mais cara. “Um contentor que nos custava à volta de 2000 euros agora pode custar-nos entre 8000 e 14 mil”, exclama o CEO da empresa que emprega cerca de 290 pessoas e tem a sua fábrica em Oliveira de Azeméis.

“Estamos a reforçar stocks, não esperamos que haja paragens. Costumávamos comprar com um semestre de antecedência, mas, agora, por cautela, estamos a tentar comprar com ainda maior antecedência. Por vezes não é possível, porque se pedimos agora uma cotação de preço dizem-nos que só a podem dar daqui a um mês ou dois, porque ainda não sabem a que preço vão vender no próximo trimestre.”

A derrapagem dos prazos de entrega torna-se quase inevitável neste cenário de preços instáveis. O indicador que avalia os prazos de entrega tem caído todos os meses desde Agosto de 2020 e apresentou, em Agosto de 2021, o valor mais baixo da última década, pelo menos, mesmo abaixo do de Abril de 2020, mês de restrições máximas devido ao confinamento mundial da primeira vaga da pandemia.

Do grão à embalagem

No agro-alimentar, por seu lado, o preço do milho tinha subido 20% em 2020 e voltou a subir 20% no primeiro semestre deste ano, adianta o presidente da FIPA. Também os trigos têm aumentos entre 40% e 50% este ano e na soja, “determinante para a produção de rações para animais”, após uma subida de quase 49% no ano passado, voltou a subir 6,7% desde o início de 2021.

A isto acrescem subidas em alguns produtos intermédios, como os concentrados ou as embalagens, acrescenta. “Temos aumentos exponenciais nestes factores e, nalguns casos, dificuldade mesmo na obtenção de matérias-primas para embalagens”, alerta Jorge Henriques.

“São efeitos da pandemia, da desarticulação das produções e questões geopolíticas, os efeitos dos mercados asiáticos, sobretudo na China. A greve prolongada dos trabalhadores da soja na Argentina é outro dos factores, por exemplo”, que ajudam a explicar a instabilidade de preços. Em consequência, as empresas tiveram de mudar os prazos de encomenda: em vez de as colocar num prazo de oito semanas, fazem agora a 16 semanas, tendo que lidar com custos de transporte (contentores) que chegaram a multiplicar-se por seis, garante.

Como é que tudo isto pode influenciar a retoma? As empresas portuguesas são tomadoras de preço e não conseguem repercutir os aumentos nas matérias-primas quando vendem aos clientes, sublinha o presidente da ATP. “Grande parte das empresas nacionais lida com clientes que são gigantes. É o David contra o Golias, e nós não temos capacidade de fazer subir os preços”, defende.

Mário Jorge Machado explica a complexidade da situação actual para os produtores: “A indústria está prensada entre quem fornece e quem é cliente e isso pode ter impactos porque, para não ficarem paradas, as empresas vão perder margem. O custo de estar parado seria muito superior. Somos obrigados a aceitar preços, com reduções de margem ou até prejuízos, porque o custo de paragem seria superior”. “Exemplificando”, conclui, “uma Autoeuropa pagaria mais pelos microprocessadores para evitar a paragem. O problema é que não os há”.

 

 

Até seis mil empregos ameaçados. Setor automóvel pede regresso do lay-off simplificado (com ÁUDIO)

A falta de “chips” está a afetar, em particular, a indústria de componentes automóveis. A instabilidade no setor tem mesmo obrigado a paragens sucessivas na produção.

in Rádio Renascença, por Henrique Cunha, 01-10-2021


 

 

Podem estar em causa entre cinco e seis mil postos de trabalho no setor automóvel em Portugal com a crise dos semicondutores, diz à Renascença o presidente da Associação de Fabricantes para a Indústria Automóvel (AFIA).
A falta de “chips” está a afetar, em particular, a indústria de componentes automóveis. A instabilidade no setor tem mesmo obrigado a paragens sucessivas na produção.

É neste contexto que José Couto, presidente da (AFIA) pede ao Governo o regresso do lay-off simplificado “para se evitar ter necessidade de despedir”.

Nos cálculos da AFIA e das suas associadas, podem estar em causa entre cinco a seis mil postos de trabalho.

José Couto revela que nas conversas mantidas com os agentes do setor “aquilo que nos dizem é que pode andar à volta de seis mil” e as empresas “querem reagir de forma a não perderem os trabalhadores”.

Para além da falta de semicondutores, o setor queixa-se também do preço das matérias que escasseiam na Europa a que se junta a falta de contentores para transporte e o preço da eletricidade.

José Couto afirma que esse conjunto de fatores “empurra a indústria dos componentes automóveis para uma situação muito critica do ponto de vista de manutenção da atividade”.

Em Portugal existem, atualmente, cerca de 350 empresas no setor das componentes da indústria automóvel e a AFIA representa cerca de metade.

 

Foto: Maxim Shemetov/Reuters