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Suíços da Lantal investem no Vale do Ave

A Lantal Textiles quer transformar a Santo Tirso numa referência mundial dos têxteis para decoração de interiores de transportes terrestres. E pode continuar a reforçar em Portugal.

in Expresso, por Margarida Cardoso, 28-10-2019


Os suíços da Lantal Textiles definiram o futuro da empresa logo em 2016, quando chegaram a acordo com a holding da família Amorim para assumir o controlo da Gierlings Velpor, um dos maiores produtores europeus de veludo. “Queremos ser uma referência mundial nos têxteis para transportes terrestres”, diz ao Expresso Constantino Silva, diretor da empresa de Santo Tirso que inaugura, terça-feira, um investimento de €1,7 milhões, aprovado pelo Programa Norte 2020, com um incentivo de €700 mil do FEDER.

“O objetivo é diversificar o portfolio atual da empresa, nomeadamente no segmento de produtos para transporte público, de forma a alargar a carteira de clientes e as exportações”, refere o diretor que terá ao seu lado o presidente da Lantal Textiles SA, Urs Rickenbacher, e o ministro de Estado, da Economia e da Transição Digital, Pedro Siza Vieira, na inauguração do projeto.

Com este investimento, a Lantal quer expandir a sua capacidade produtiva em cerca de 90%, para os 800 mil metros, até 2021, apostando na aquisição de novos equipamentos e tecnologia de forma a aumentar a capacidade de resposta, a competitividade e a oferta de produtos inovadores.

Assim, a empresa de Santo Tirso passa a concentrar a base do negócio de transportes terrestres do grupo Suíço, especializado na decoração de interiores de transportes públicos para terra, água e ar, o que significa estofos, mas também carpetes, cortinas, forros de teto, entre outros produtos.

No caso de Santo Tirso, esta transformação significará duplicar as vendas da empresa, até aos 16 milhões de euros em 2021, e criar mais alguns postos de trabalho, além dos 135 atuais. “Inicialmente, o projeto previa a criação líquida de dois postos de trabalho, “mas serão mais”, garante Constantino Silva sem especificar um número.

NOS COMBOIOS SUÍÇOS E NA ÓPERA DE NOVA IORQUE

Certo é que a competitividade demonstrada por esta fábrica portuguesa abre as portas à possibilidade de novos investimentos do grupo suíço em Portugal. “Têm outras áreas de negócios e três unidades produtivas na Suíça, pelo que o sucesso em Portugal pode alargar a sua presença no país a outras áreas”, refere o diretor que para já, fica, em Santo Tirso, com as competências para todos os projetos do grupo no segmento de autocarros, comboios, metro e teleférico, além de manter a outra vertente de negócios já existente na antiga Gierlings Velpor.

É verdade que a empresa fez os tecidos de veludo usados nos comboios que circulam na Ponte 25 de Abril e na Suíça, no metro e nos comboios franceses, nos autocarros espanhóis. Mas Constantino Silva acredita que o fator distintivo da fabrica que lidera é a diversidade de segmentos onde atua e que contemplam, também, decoração, vestuário, produtos técnicos.

Fundada em 1808, a empresa já está habituada a exportar 90% da produção e começou por se dedicar aos tecidos ligeiros para vestuário. Reorganizou-se para trabalhar no segmento decorativo mais tarde, quando o mercado da moda se tornou “complexo e passou a ser controlado por grandes cadeias que definem os preços”. Foi assim que a Gierlings Velpor chegou à Ópera de Nova Iorque, a hotéis e teatros em diferentes geografias.

E acredita que os seus veludos são a solução ideal para um palco. Porquê? “ Por ser tridimensional, o veludo não permite que a luz passe para o exterior e tem propriedades acústicas. Até pode ser certificado com a garantia de que não há reflexo de som”, explica Constantino Silva,

Líderes nos tecidos para transportes, os suíços da Lantal começaram por ter um acordo comercial com a fábrica portuguesa para a produção de veludo destinado ao mercado ferroviário, elétricos e autocarros. Mas cinco anos depois garantiram o controlo da empresa, onde a família Amorim manteve uma participação na ordem dos 16% , mudaram a designação social da fábrica para Lantal Textiles SA e fixaram, aqui, a sua base para os transportes públicos terrestre.

 

 

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