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Soluções i4.0 e de digitalização também estão ao alcance das PMEs portuguesas

«Indústria 4.0», «digitalização», e «internet das coisas» são palavras ubíquas hoje em dia, e por boa razão. São conceitos que englobam um largo espectro de tecnologias e aplicações, em constante desenvolvimento, e que se traduzem em inúmeras oportunidades para acrescentar valor a produtos e processos, desde a redução do time-to-market, customização em massa de produtos e à rápida escalabilidade de sistemas produtivos.

in INEGI, 28-09-2020

Artigo de Domingos Moreira, responsável pelo desenvolvimento de negócio da área de desenvolvimento de produto.


Estas novas tecnologias enfrentam, porém, ainda algumas dificuldades de aceitação. Por um lado, são perfeitamente valorizadas pelos especialistas e empresas/organizações qualificadas e com músculo para implementar soluções complexas, suportadas pelos vários domínios da ciência e da engenharia. Por outro lado, no entanto, ainda observamos uma grande reserva e hesitação por parte dos decisores nas empresas, nomeadamente quanto à capitalização e ao investimento inicial, que, para os casos mais complexos, tende ainda a ser avultado.

A tendência para avaliar tecnologias sob o ponto de vista do retorno direto a curto ou médio-prazo, tende a deitar por terra a vontade de implementar novas soluções desta índole. E para empresas com menor capacidade de investimento, o esforço inicial necessário invalida qualquer tentativa.

Estamos agora numa fase em que a tecnologia está a amadurecer rapidamente, tendo sido implementada em todos os setores avançados da indústria, como são a título de exemplo os casos da indústria automóvel e farmacêutica. No entanto, as soluções dos fornecedores com maior expressão no mercado são, na maioria dos casos, pouco adequadas à realidade do tecido industrial português, cuja transição para a realidade do 4.0 tem sido lenta. E até em grandes empresas é notório o desfasamento entre a necessidade que motiva uma consulta ao mercado, e o resultado obtido.

Uma realidade exigente impõe abordagens alterativas

O mercado está familiarizado com soluções standard, mas estudos comprovam1 que nem todos os projetos têm sucesso e que a identificação de casos de estudo e a integração de soluções, bem como a gestão de dados, são as maiores dificuldades. Os projetos de implementação de conceitos 4.0 na indústria são de tal maneira complexos que a integração das diferentes soluções em harmonia é, frequentemente, o passo mais complicado.

Ademais, os requisitos, as necessidades e os indicadores de gestão das diferentes equipas são muitas vezes contraditórios, e a programação, sendo um processo de lógica, vive mal com este tipo de abordagem. Nesta medida, uma das maiores e mais complexas etapas do processo é o levantamento de necessidades e a sua transformação em requisitos e especificações, alinhadas com os diferentes níveis de atuação.

A associar a este ponto, a heterogeneidade dos sistemas obriga-os a um processo de integração, sendo que as linguagens de programação e os protocolos de comunicação são muitas vezes distintos e por vezes propriedade das marcas, criando restrições ao acesso de dados que têm que ser consideradas. Por vezes, obriga a recorrer à integração de elementos e sensores complementares, que operam em paralelo com o equipamento, contornando a falta de acesso a sistemas mais antigos ou fechados, garantindo-se o acesso à informação necessária.

A este desafio acresce a dificuldade relacionada com a gestão e qualidade de dados, sendo vastos os estudos que indicam fragilidades neste ponto, com necessidade de investimento em hardware especializado e sistemas de redundância que garantam a recolha e processamento de informação realmente útil. Isto porque os dados devem espelhar a realidade dos processos, e não deve ser dada margem na sua recolha para extrapolações que induzam os seus utilizadores em erro.

Quando estas implementações são feitas corretamente e de forma informada, porém, resultam em naturais ganhos de eficiência, qualidade nos produtos e melhor capacidade de gestão da produção.

A maior parte das PMEs procura implementar projetos i4.0 para melhorar a produtividade, a utilização dos dados relevantes do seu processo, e principalmente reduzir custos. Neste sentido, introduzir tecnologias em empresas menos «preparadas» envolve estruturar a implementação com foco neste tipo de resultados, mas também considerar as necessidades técnicas de implementação, que podem não ser óbvias.

Construir soluções à medida da realidade das PMEs

A realidade das PMEs portuguesas exige uma abordagem simplificada e personalizada no caminho rumo ao 4.0. Razão pela qual, reconhecendo esta necessidade, o INEGI tem apostado em levar a cabo projetos com as empresas numa lógica de parceria, com base na definição de etapas, com resultados a curto prazo, e com investimento reduzido.

Este compromisso faz-se com recurso a soluções simples, com tecnologias de instrumentação relativamente acessíveis, e plataformas informáticas open-source ou adaptadas à medida. Também o retrofitting, isto é, a adaptação ou digitalização de equipamentos antigos, tem grandes vantagens, seja em termos de custos de capital, e até do ponto de vista ambiental com a extensão do seu ciclo de vida.

Neste contexto, é também relevante ter em consideração a barreira cultural. Uma vez que implica mudanças no “chão-de-fábrica”, nos processos, e na forma como as equipas operam no terreno, sendo crucial, para projetos de sucesso, envolver as equipas no processo e dedicar tempo à formação.

Ao contrário do que muitos supõem, mais do que depender da capacidade para grandes investimentos, o êxito destes projetos depende da presença de equipas multidisciplinares experientes e de um planeamento tecnológico que envolva órgãos de gestão, perfeitamente alinhado com os objetivos da empresa. Isto, aliado à proximidade entre especialistas e utilizadores finais, constitui uma receita de sucesso para a implementação de projetos de transformação para a “Indústria 4.0” em PMEs.

 

1 Beechan Research INSIGHT Report: “Why loT projects fail: towards new business value”

 

https://www.inegi.pt/pt/noticias/solucoes-i4-0-e-de-digitalizacao-tambem-estao-ao-alcance-das-pmes-portuguesas/

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