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Simoldes: “Não vai haver lítio nem cobalto para todo o mercado”

Segurança, sustentabilidade e economia são as três vantagens que as células de ião de sódio para baterias apresentam comparativamente com as de lítio, assegura ao Negócios o diretor de inovação da Simoldes Plásticos, Júlio Grilo.

in Negócios, por Maria João Babo, 16-08-2022


Que vantagens têm as células de ião de sódio para baterias comparativamente com a tecnologia atual de ião de lítio?

Têm três vantagens que hoje conseguimos identificar e que internacionalmente e cientificamente estão comprovadas. Uma diz respeito à segurança, pelo facto de não arderem e não serem explosivas como são as baterias de iões de lítio. Por outro lado, utilizamos materiais mais sustentáveis e mais abundantes do que o lítio e o cobalto, que são os dois materiais críticos utilizados na tecnologia de iões de lítio. E há ainda a parte económica.

Como chegaram a esta tecnologia de iões de sódio (um dos elementos que compõe o sal)?

A tecnologia já esteve em investigação há cerca de 50 ou 60 anos, quando se desenvolveu a do lítio mas foi abandonada. Foi agora retomada, em 2010 a 2012, quando se começou a perceber que o lítio tem um grande problema, que é o problema da escassez, sendo um material crítico no futuro. Por causa disso, começou-se a procurar alternativas à tecnologia atual do lítio e voltou-se a pegar na investigação que tinha sido feita há 50 ou 60 anos do sódio.

Em que fase está o seu desenvolvimento?

Está ainda com um nível tecnológico muito baixo. Mas desde 2010-2012 que universidades do centro da Europa, dos EUA e China começaram a desenvolver a tecnologia de ião de sódio para ser alternativa ou complementar à do lítio. Com a transição energética não vai haver lítio nem cobalto para todo mercado. É preciso encontrar soluções alternativas. E em Portugal a Simoldes teve uma iniciativa inovadora de começar a explorar a solução do sódio.

Se nesta fase a aplicação desta solução será nos mercados da mobilidade e dos edifícios, a tecnologia pode vir a ser utilizada em outro tipo de armazenamento de energia, designadamente de maior dimensão?

Pensamos que sim. Esta solução do ião de sódio pode ser uma alternativa muito válida para soluções de grande armazenamento de energia, onde não há problemas de volume, de peso ou de espaço, como há por exemplo no automóvel, em que o peso da bateria tem uma influência muito grande. Nessas aplicações – barragens ou parques solares – o problema do volume e do peso não se coloca. Vemos uma potencialidade, eu diria se calhar a curto prazo, maior do que o automóvel.

Em Portugal, a Simoldes é a única empresa a desenvolver essa tecnologia?

Em Portugal, que saibamos, fomos pioneiros na linha da investigação do sódio e somos os primeiros a desenvolver a “coin cell” de ião de sódio. Nos países mais desenvolvidos, as soluções de armazenamento de energia estão a ter linhas de investigação e a ter muito financiamento e muito investimento.

Para a Simoldes, este é todo um novo mundo?

É. É uma ambição da administração da Simoldes desenvolver novas unidades de negócio que respondam aos desafios que existem ao nível da transição energética, muito alinhados com as necessidades dos nossos clientes mas que também promovam a descarbonização e soluções para a sustentabilidade.

 

É uma ambição da administração da Simoldes desenvolver novas unidades de negócio que respondam aos desafios da transição energética.

 

https://www.simoldes.com/

 

foto_Manuel Fernando Araújo/Lusa

 

 

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