Skip to main content

Simoldes investe 23 milhões para criar alternativa ao lítio

O grupo de Oliveira de Azeméis vai construir uma nova fábrica para produzir células de iões de sódio para baterias, destinadas aos setores da mobilidade e residencial, a partir de 2025. O projeto, aprovado no âmbito do PRR, prevê um investimento total de mais de 27 milhões.

in Negócios, por Maria João Babo, 16-08-2022


A Simoldes vai investir 23 milhões de euros numa nova área de negócio, um projeto que envolve a construção de uma fábrica – assim como de um centro de desenvolvimento tecnológico – para produzir células de iões à base de sódio para baterias. Uma tecnologia que começa a ser encarada como uma alternativa ao lítio.

No total, o projeto que foi agora aprovado no âmbito das agendas mobilizadoras do Plano de Recuperação e Resiliência (PRR) vai exigir um investimento em torno dos 27 a 28 milhões de euros, envolvendo, além da Simoldes, a Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto e o Vasco da Gama CoLab.

Ao Negócios, Júlio Grilo, diretor de inovação da Simoldes Plásticos, adiantou que está já definido que a nova fábrica e o centro tecnológico vão ser construídos em Oliveira de Azeméis. A obra pode até já começar no próximo ano, de forma que as células de iões de sódio estejam em produção em 2025 e em comercialização no ano seguinte, através da futura Simoldes Energy, uma empresa que o grupo está agora a constituir.

Na nova fábrica serão produzidas as células de iões de sódio, cabendo depois aos integradores finais fazer a montagem das baterias. A sua aplicação está prevista nesta fase para os mercados da mobilidade e dos edifícios (chamado setor estacionário), admitindo o responsável que aqui se possam incluir os construtores automóveis, para os quais o grupo já fornece componentes, “dependo da performance da bateria final”.

É que, explica, “hoje ainda é muito cedo para perceber a performance desta célula de ião de sódio comparativamente com a tecnologia atual de ião de lítio”, mas “a nossa expectativa é conseguir atingir uma performance semelhante com um nível de competitividade económica e de sustentabilidade de materiais superior ao do lítio”. De acordo com dados da empresa, as “coin cells” de ião de sódio serão 20% mais baratas quando comparadas com usadas nas baterias de lítio.

O diretor de inovação da Simoldes não assume esta tecnologia como uma alternativa à do lítio. “Preferimos dizer que seremos complementares à do lítio, que é uma tecnologia que é hoje extremamente madura e até diria que é a única no mercado”, afirma Júlio Grilo, sublinhando, no entanto, que “o lítio não pode ser a única solução”, já que “tem um grande problema, que é a escassez”.

Mercado nacional com potencial nas bicicletas

O plano da multinacional é que nos próximos dois anos e meio a solução esteja tecnologicamente desenvolvida e comprovada em ambiente industrial para depois ser comercializada a partir de 2026.

Júlio Grilo admite que o destino destas células de iões de sódio possa envolver a exportação, mas assegura que “há muito espaço para o mercado nacional”, quer para o setor estacionário quer para o da mobilidade, “em especial para as bicicletas”, já que, frisa, “Portugal tem muitas fábricas de bicicletas que estão a fazer a transição para as elétricas”.

No caso dos edifícios, o responsável da Simoldes explica que as baterias vão poder armazenar a energia produzida pelos painéis fotovoltaicos. “Hoje a solução quase única que existe é a de baterias de lítio e toda a gente se queixa, quando instala painéis solares fotovoltaicos, que as soluções de armazenamento de energia são extremamente caras e não instalam”, sublinha, acrescentando que “o nosso objetivo é ter uma solução mais competitiva a nível económico para o setor estacionário”.

Nova área terá 50 trabalhadores em 2031

Para a nova fábrica e o centro de desenvolvimento tecnológico – que tem o objetivo de melhorar o que vai ser produzido até 2025 e continuar a estudar outras soluções de armazenamento de energia – , o grupo vai agora contratar oito pessoas, a que se somam outras cinco que já estão nos quadros da Simoldes. Em 2031, revela Júlio Grilo, “contamos ter cerca de 50 pessoas, das quais 50% altamente qualificadas, com nível de doutoramento”.

 


Grupo emprega 6.500 pessoas

Fundada em 1959, por António da Silva Rodrigues, a Simoldes é hoje uma multinacional, composta por mais de 30 empresas, com atividades em áreas como a injeção de peças em plástico e fabricação de moldes para a indústria automóvel. A faturação do grupo ronda os 900 milhões de euros, dos quais cerca de 11% dos moldes. No total, conta com 11 fábricas e emprega 6.500 trabalhadores.

O grupo de Oliveira de Azeméis tem uma presença em 12 países, e a sua Simoldes Plásticos, que tem em construção uma uma terceira fábrica em Espanha, está agora, segundo noticiou o jornal online Eco em junho, perto de acrescentar a Tesla à lista de clientes, que, entre outros, incluem o grupo VW e a Stellantis. De acordo com a publicação, a Simoldes está numa “short list” para fornecer painéis de portas e peças para a mala dos carros à fábrica que a Tesla está a construir na Alemanha, a Gigafactory Berlin, que estará pronta nos próximos 12 meses.

 

https://www.simoldes.com/

 


 

António da Silva Rodrigues é o fundador e o líder do grupo Simoldes.
foto: Paulo Duarte

 

 

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Fica a saber como são processados os dados dos comentários.