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Setor auto é motor da economia e emprega 51 mil pessoas

A Autoeuropa, maior fábrica do país, está hoje em greve. A nível nacional, o setor automóvel representa 11% das exportações

in Diário de Notícias, por Luís Reis Ribeiro e Diogo Ferreira Nunes, 30-08-2017

O setor automóvel português, que está ancorado em quatro grandes fábricas de montagem e centenas de pequenas e médias fábricas suas fornecedoras, é um dos mais dinâmicos e avançados da economia portuguesa: é responsável por 11% das exportações totais de mercadorias e empregará, segundo cálculos do DN/Dinheiro Vivo com recurso a dados das associações do setor, mais de 51 mil pessoas.

Segundo dados obtidos junto da AFIA – Associação de Fabricantes para a Indústria Automóvel, o número de postos de trabalho no subsetor do fabrico dos componentes automóveis representa a fatia de leão: empregava uma média de 46,5 mil pessoas em 2016, mais 3% face a 2015, o triplo da expansão do emprego nacional (dados do INE).

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Este subsetor composto hoje por 220 empresas (muitas metalomecânicas, por exemplo) e 240 fábricas fornece as quatro grandes fabricantes que atualmente operam em Portugal: Autoeuropa, PSA, Mitsubishi, Toyota Caetano.

Hoje, os trabalhadores da Autoeuropa, a maior fábrica nacional, cumprem um dia de greve, iniciativa que levou já o grupo alemão da Volkswagen a ameaçar com a deslocalização de parte da produção para a terra-mãe, a Alemanha. Chantagem ou verdadeira ameaça, o setor automóvel como um todo (as tais quatro linhas de montagem, a fileira dos componentes e outras tantas fábricas de moldes), tem sido um importante alicerce do emprego e da riqueza produzida no país e estavam, no final do primeiro semestre, a exportar mais 7,4% do que no mesmo período de 2016.

Ainda segundo o INE, o setor dos “veículos automóveis” é um importante motor de inovação e de valor na economia. Em 2016, exportou mais de 5,2 mil milhões de euros, 11% do total nacional. Neste ano irá pelo mesmo caminho, provavelmente até pode superar os seis mil milhões de euros exportados, pois neste ano a Autoeuropa está a produzir mais carros do que no ano passado, o que justifica também o recente aumento de contratação de trabalhadores. Em comparação, o setor do turismo, que tem sido o principal motor da economia, exportou 11,4 mil milhões de euros em 2016.

Às 23.30 de ontem, os trabalhadores da Autoeuropa convocaram uma greve inédita na história desta fábrica (fundada há 26 anos, em 1991). Estão contra o novo horário.

Para responder à procura pelo T-Roc, o novo utilitário desportivo (SUV) da VW, a empresa quer que a fábrica passe a funcionar em 18 turnos, seis dias por semana, a partir de fevereiro, e que os trabalhadores laborem entre segunda-feira e sábado, com folga fixa ao domingo e folga rotativa a meio da semana. Em troca, a administração elaborou um pré-acordo com a comissão de trabalhadores que previa um aumento mínimo do salário de 16%, um bónus de 175 euros, a redução do horário para 38,2 horas e a atribuição de mais um dia de férias. 74,8% recusaram a proposta no fim de julho. Os sindicatos defendem que o novo regime é prejudicial para a saúde. O SITE Sul – Sindicato dos Trabalhadores das Indústrias Transformadoras do Sul – viu a administração recusar uma proposta para criar um turno especial para sábados e domingos.

O grupo alemão e o governo esperam ainda que empresa e trabalhadores cheguem a um consenso. Em caso de forte adesão, poderá estar em causa a saída de 400 veículos das linhas de montagem e o impacto na produção pode chegar aos cinco milhões de euros.

 


 

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