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Sector automóvel está a contratar e quer mais engenheiros

Pedro Mira Martins, Manager da Michael Page Engineering & Property, indica as tendências para o sector

in Dinheiro Vivo, por Ana Margarida Pinheiro, 23-02-2015

O sector automóvel está a crescer. Em 2014, a venda de veículos aumentou 36% em relação a 2013 e, segundo a última análise da ACAP, espera-se um crescimento de 11% para este ano. O Observador Cetelem mostra que Portugal é o mercado com maior crescimento no mercado de veículos particulares novos (VPN), e antecipa a comercialização de 150 mil unidades. “Este crescimento no nível de vendas está também já a refletir-se a nível de contratação”, diz Pedro Mira Martins, especialista da Michael Page. Em entrevista ao Dinheiro Vivo, o responsável responde às questões práticas que atormentam os trabalhadores. Saiba como se preparar para trabalhar neste sector.

Que posições / formações / perfis estão a ser mais procuradas pelo sector automóvel?

As empresas a atuarem no mercado nacional procuram cada vez mais funções com forte know-how técnico, preferindo colaboradores qualificados – nomeadamente em áreas como a Engenharia Mecânica ou a Electrotécnica.

Esta é a grande tendência. Os perfis mais procurados em 2014 foram Diretor Técnico, Gestor Pós-Venda, Gestor de Negócios, Vendedores, Técnicos Comerciais de Frotas e Responsável de Peças.

Os patamares salariais mantêm-se distantes dos oferecidos antes da crise?

Os valores estão ainda longe dos do passado, uma vez que com a crise existiram várias reestruturações e descidas salariais. Mas existiu uma ligeira melhoria, relativamente ao pacote salarial oferecido em 2011 e 2012. A adoção de uma componente salarial variável, quer monetária ou através de benefícios, tem sido uma das formas mais comuns de tornar o pacote salarial mais atrativo não só no sector automóvel mas um pouco por todo o mercado. Contudo, não existe propriamente uma média salarial seguida pelo sector, verificando-se grande variação na compensação salarial de organização para organização.

Qual a proporção de ofertas empresariais que vos chegam para Portugal e para a UE? A Alemanha mantém-se o grande contratador do sector?

O mercado nacional é o nosso grande foco na Michael Page. A necessidade de crescimento da competitividade por parte das empresas nacionais e de adaptação a novas necessidades e exigências de mercado, numa conjuntura pós-crise, tem vindo a gerar maior mobilidade profissional de uma forma geral. Também por parte dos profissionais nacionais, a necessidade de diferenciação que permita alcançar melhores oportunidade de emprego no mercado nacional tem conduzido à procura de experiências no exterior. O sector automóvel não é excepção. Seja através de viagens, intercâmbios ou expatriação, a mobilidade é cada vez mais encarada como uma plataforma de progressão na carreira pelos profissionais nacionais.

E em relação aos candidatos, continua a haver uma aposta na saída do país? Qual a média salarial oferecida fora do país?

Sim, existem profissionais que optam por uma carreira profissional internacional, uma vez que os valores oferecidos pelo exterior são superiores. Os nossos profissionais beneficiam de um elevado nível de formação, facilitado pela existência de faculdades de referência, além da natural facilidade de adaptação a idiomas e culturas diferentes. Assim, são um recurso atraente e procurado a nível internacional. Os valores salariais variam consideravelmente de mercado para mercado sendo difícil extrair uma média.

A PSA e a Autoeuropa mantêm-se as maiores empregadoras portuguesas, neste momento?

São grandes entidades empregadoras sem dúvida, que tentam ganhar novos projectos e manter os níveis do sector, criando oportunidades nesta área. Portugal é uma referência na produção de componentes para a indústria automóvel e o facto de sermos considerados um “low cost country”, faz com que consigamos ganhar projectos a outros países.

Qual é o peso do sector automóvel no número de ofertas e colocações que chegam à Michael Page?

O sector automóvel é uma área que faz parte da história da Michael Page em Portugal, representando 17% na divisão de engenharia.

Qual o tipo de contratação que está a dominar o mercado neste momento? A termo certo ou incerto?

A aposta no talento e a importância da sua retenção para o crescimento e competitividade das empresas tendo conduzido, não só à preferência por perfis qualificados mas também, na sua contratação a termo certo. No entanto, é ainda comum a possibilidade de incorporação na organização ser a termo incerto.

Qual a tendência que se pode adivinhar para o resto do ano neste sector?

As perspectivas são animadoras e é expectável que o mercado mantenha uma tendência de melhoria, mesmo podendo não ser comparativamente tão acentuada como foi em 2013. Além das dinâmicas económicas próprias do sector e do rescaldo da crise, as políticas e compromissos ambientais também influenciam cada vez mais tendências no sector em termos de produtos e soluções mas também de recrutamento. A aposta em Investigação & Desenvolvimento do veículo eléctrico e rede de carregamento, por exemplo, continuará a estimular o fomento de novas competências no sector.

Outra questão interessante, e que indo avante poderá traduzir-se num desafio para produtores automóvel com menor flexibilidade e capacidade de adaptação, passa pelo posicionamento negativo da União Europeia em relação ao diesel. O mercado global é maioritariamente predominado pela gasolina e, apesar de o diesel ser predominante no mercado europeu, países como França, Bélgica e Holanda estão a reduzir drasticamente a sua introdução. Uma mudança deste calibre cria incerteza e um risco para as vendas de carros novos e usados a diesel e, consequentemente, mutações na empregabilidade do sector.

E em outros sectores relacionados com a engenharia e o trabalho técnico, quais são as competências que estão a interessar ao mercado?

Cada vez mais profissionais com know -how nas áreas técnicas, dinâmicos e com vontade de atingir e optimizar objectivos e metas. Os clientes procuram cada vez mais profissionais com formação ao nível técnico e em Engenharias especializada, como Industrial, Mecânica, Electrotécnica e Automóvel.

 


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