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Requalificar não pode ser só “pessoas a debitarem matéria” na sala de aula

Os desafios (e oportunidades) da requalificação profissional no seio do ecossistema industrial assim como a capacidade de atração de recursos humanos estiveram em discussão na conferência “Requalificar para o Futuro “, organizada pela Associação dos Industriais Metalúrgicos, Metalomecânicos e Afins de Portugal com o apoio do Expresso

in Expresso, por Tiago Oliveira, 19-05-2021


A formação ao longo da vida assume cada vez mais importância num contexto de profundas transformações que a pandemia tratou de acelerar e, por isso, a requalificação profissional da força de trabalho deve ser encarada como um desígnio por todos os agentes económicos e políticos. “É preciso incentivar as pessoas e não olhar para o colaborador como uma entidade que chega ali só para produzir”, aponta Joaquin Almeida, administrador da Fundiven.

O administrador foi um dos convidados da conferência “Requalificar para o Futuro” – organizada pela Associação dos Industriais Metalúrgicos, Metalomecânicos e Afins de Portugal com o apoio do Expresso – e que teve transmissão em direto às 15h no Facebook do Expresso – e focou-se nos grandes desafios que a reorientação dos processos produtivos e de ensino para a aquisição de novas competências significa. Garantir que não só as novas entradas no sector industrial, mas também os trabalhadores (em todos os escalões) que já fazem parte do ecossistema, estão melhor preparados para as novas exigências da transformação digital é visto como essencial, assim como tentar que as mudanças resultem num país mais competitivo e numa sociedade mais justa.

Como explica o secretário de Estado Adjunto, do Trabalho e da Formação Profissional, Miguel Cabrita, “a formação não pode ser só na fase inicial da vida” mas também deve acontecer “ao longo da vida, incluindo para aqueles que são os mais qualificados”. De modo a que as decisões sejam mais adequadas e as novas competências vão de encontro a uma visão de longo prazo para a reorientação da economia.

Com apresentação da jornalista da SIC, Marta Atalaya, o evento contou, além de Joaquin Almeida e Miguel Cabrita, com a presença de Aníbal Campos, presidente da Direção da AIMMAP; João Correia Neves, secretário de Estado Adjunto e da Economia; Manuel Grilo, Diretor do CENFIM; José Carlos Caldeira, administrador do INESC-TEC; Patricia Villas-Boas, People & Communication Director no Schmidt Light Metal Group; Rafael Campos Pereira, vice Presidente Executivo da AIMMAP; e, Miguel Cabrita, secretário de Estado Adjunto, do Trabalho e da Formação Profissional.

Acompanhar evolução

  • “Portugal tem vindo a fazer um caminho interessante, com altos e baixos na vertente da formação profissional”, resume José Carlos Caldeira
  • A aposta na requalificação é obrigatória em todos os sectores e organismos e deve ter em conta as mudanças aceleradas pela pandemia, que trouxeram um nível de digitalização e trabalho remoto que era impensável há um ano
  • Só com um trabalho transversal é que será possível fazer com que o país não perca o comboio da evolução da economia mundial e seja capaz de estar em linha com os novos desafios

Capacidade de adaptação

  • Os trabalhadores, experientes e novos, têm que estar preparados para responder às novas exigências e estar dispostos a envolverem-se num processo de aprendizagem constante em que a sua vontade também é essencial
  • Temos que ter em conta que “temos um papel essencial na nossa própria evolução”, lembra Patricia Villas-Boas. Com uma certeza: “O emprego para a vida terminou. Vamos todos ter que fazer esta adaptação”
  • É importante não só os trabalhadores procurarem adaptar-se ao que o trabalho pede em termos de novas competências mas também que as pessoas com responsabilidades administrativas saibam estimular esse comportamento e o recompensem com responsabilidades acrescidas

Mudar aprendizagem

  • Na opinião de Manuel Grilo, “não podemos ter as salas de aula como temos há 20, 30 anos, só com pessoas a debitar matéria”, acredita Manuel Grilo
  • A mudança de currículo e de métodos de ensino é vista como essencial para que a requalificação seja acompanhada de uma aposta na aquisição de novas competências que signifique uma mudança substancial a médio e longo prazo
  • “A tecnologia muda todos os dias e temos que saber preparar as pessoas”, reforça Manuel Grilo

Atrair os mais novos

  • Os responsáveis pelo sector industrial defendem que a requalificação e a reorientação são fulcrais para atrair recursos humanos mais qualificados e mais novos
  • Pedem-se mais ações de ensino vocacionada para as novas possibilidades digitais e que coloquem as gerações mais jovens em contacto com o trabalho que está a ser desenvolvido
  • “Queremos que o sector seja mais atrativo e competitivo. Queremos os melhores”, atira Rafael Campos Pereira

Crescimento inclusivo

  • A nível europeu, a preocupação passa em garantir que a transição digital e a requalificação não tenham impacto negativo no equilíbrio social
  • A “dinâmica de equilíbrio é absolutamente crucial”, explica João Neves. “Se assim não for vamos sentir insatisfação”
  • Ainda assim a imagem que fica é a de um sentimento de confiança e de expectativa relativamente às perspetivas económicas e ao trabalho que está a ser desenvolvido no campo das competências

 

Marta Atalaya (à esquerda) guiou uma conversa que contou com a presença de Manuel Grilo, Patricia Villas-Boas, Joaquin Almeida e José Carlos Caldeira, após as palavras de boas-vindas de Aníbal Campos (à direita)
Fernando Veludo

 

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