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Quatro trabalhadores salvam 30 empregos da falida IPETEX

Quatro trabalhadores da falida IPETEX, em Vila Chã de Ourique, Cartaxo, compraram a carteira de clientes e as máquinas da empresa e salvaram os seus postos de trabalho e de mais 26 colegas.

in O Mirante, 27-03-2015

A fábrica de peças para interiores de automóveis fechou no final de Fevereiro mas a produção nunca parou.

Num dia os 30 trabalhadores estavam a garantir as encomendas de vários clientes em nome da IPETEX e no outro estavam ao trabalho na nova empresa, a TRIM NW, criada pelos quatro funcionários que querem manter o anonimato.

A nova empresa vai continuar a utilizar as instalações da IPETEX até Agosto, altura em que os edifícios vão ser vendidos pelos credores.

Os ex-trabalhadores e novos donos do negócio, já andam à procura de um novo espaço e garantem que a empresa não vai sair da região e que o objectivo é que fique na zona do Cartaxo ou concelhos vizinhos. Ao mesmo tempo estão à procura de financiamento para desenvolver o negócio.

Os quatro trabalhadores, das áreas da produção, vendas, desenvolvimento e qualidade, conseguiram manter todos os clientes que vinham da IPETEX, sendo que mais de 90 por cento são estrangeiros.

Em Portugal a empresa tem um grande cliente enquanto os restantes são empresas do sector automóvel de Espanha, França, Itália, Polónia, Inglaterra, Alemanha ou República Checa. Os funcionários e agora patrões conseguiram criar a nova empresa em duas semanas e tiveram sempre a preocupação de não deixarem parar a produção da IPETEX durante o processo de insolvência.

A IPETEX, com meio século de actividade, foi declarada insolvente no final de Dezembro do ano passado mas foi garantida a laboração até dia 28 de Fevereiro para se cumprirem os compromissos assumidos. O trabalho foi assegurado por 35 dos 64 trabalhadores que foram despedidos. Na assembleia de credores que se realizou a 12 de Fevereiro, na Secção de Comércio do Tribunal da Comarca de Santarém, foi decidido pela maioria proceder à liquidação da empresa. Segundo o administrador de insolvência da IPETEX, Ademar Rodrigues Leite, até então só tinham aparecido estrangeiros interessados em comprar apenas maquinaria ou patentes mas não o negócio.

A TRIM NW produz os mesmos componentes que eram feitos na IPETEX, como tapetes para automóveis, painéis de porta ou tabliês, mas pretende desenvolver outros produtos. A IPETEX tinha acumulado dívidas de 10 milhões de euros mas não devia um cêntimo ao Fisco e Segurança Social. A morte da empresa deveu-se a a quatro anos seguidos de queda no volume de vendas, entrando em falência técnica em 2014. Entre uma centena de credores o maior é o Novo Banco, que reclamou 6,5 milhões de euros.


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