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Primeiros carros “made in Estarreja” em abril de 2022

A fábrica da britânica Ineos deverá começar a ser construída já em abril e estar pronta em outubro. O projeto de produção do veículo todo-o-terreno representa um investimento de 251 milhões de euros e deverá criar 400 a 500 postos de trabalho.

in Negócios, por Pedro Curvelo, 21-01-2020


Numa altura em que a indústria automóvel portuguesa bate sucessivos recordes de produção e exportação, a britânica Ineos Automotive assina esta quarta-feira um protocolo com a Câmara Municipal de Estarreja para a instalação de um fábrica de veículos todo-o-terreno (4×4) no município.

O protocolo indica abril deste ano como data para o início da construção da fábrica. E o edifício base deverá estar concluído em outubro. No mês seguinte arrancará a instalação de equipamento na fábrica. Em outubro do próximo ano começará a fase de pré-teste operacional da fábrica e, finalmente, o arranque da produção está previsto para abril de 2022. A unidade deverá empregar 400 a 500 trabalhadores quando funcionar em pleno e deverá produzir cerca de 25 mil veículos por ano.

O projeto da Ineos Automotive, que representa, segundo o protocolo, “um investimento total na ordem de 251 milhões de euros”, foi um processo “relativamente rápido”, refere ao Negócios Diamantino Sabina, presidente da autarquia.

“A primeira abordagem ocorreu em março ou abril do ano passado, a Ineos mostrou grande interesse pela plataforma modal prevista para Estarreja e foi assim que começou o namoro”, diz. “Sabemos que não fomos a única localização em Portugal estudada pela empresa, embora em concreto apenas sei que Ovar foi uma hipótese”.

Agora, a assinatura do protocolo é um “passo muito importante” para o desenvolvimento do projeto, assinala o autarca, que considera o investimento da Ineos a “cereja no topo do bolo do desenvolvimento económico do município”.

“Mesmo antes da Ineos, o parque empresarial cresceu imenso. Há seis anos tinha 14 empresas e 400 a 500 empregos. Agora são 29 empresas e o número de trabalhadores mais do que triplicou”, sustenta. E este desenvolvimento tem atraído o interesse de investidores, nomeadamente no imobiliário, refere. “Estes novos empregos têm pressionado o mercado imobiliário, onde existe pouca oferta e a procura tem crescido exponencialmente”, reforça o autarca.

Ineos compra terrenos à Bondalti

Para a instalação da fábrica, a Ineos negociou a aquisição de várias parcelas de terreno no parque industrial com a Bondalti Chemical (ex-CUF), do grupo José de Mello.

Segundo o autarca de Estarreja, cerca de 85% dos terrenos necessários à fábrica da Ineos pertencem à Bondalti e “esse negócio está concluído ou em vias de ser formalizado”. O Negócios não conseguiu confirmar até ao fecho da edição junto da empresa química se a operação já foi finalizada.

Quanto às parcelas que não pertenciam à Bondalti nem à autarquia, Diamantino Sabina indica que “praticamente todas já foram adquiridas pelo município e sem expropriações, tudo por via negocial”. E o autarca diz que essas aquisições totalizaram “menos de um milhão de euros”.

AICEP fala em argumento para mais investimento

A Agência para o Investimento e Comércio Externo de Portugal (AICEP) indica ao Negócios que o projeto da Ineos “foi uma angariação da AICEP e tem vindo a ser acompanhado de perto, em todas as suas fases, pela agência”.

Este investimento, precisa fonte da AICEP, não foi contabilizado nos 1.172 milhões de euros de investimento contratualizado pela agência no ano passado e que constituem o valor mais elevado de sempre.

A AICEP aproveita para sublinhar “a importância deste projeto para reforçar a imagem de Portugal como país produtor automóvel” e constitui “mais um excelente argumento para a AICEP utilizar na captação de mais investimento”.

 

 

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