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Presidente da AFIA em declarações à Revista Indústria sobre as prioridades para o Orçamento de Estado para 2021

José Couto

Presidente da Associação de Fabricantes para a Indústria Automóvel (AFIA)

in Revista Indústria, CIP, 3º trimestre de 2020


Os números apresentados, por várias instituições e personalidades, estão num intervalo curto de convicção, mais ou menos pessimista.

Assim, o próximo ano económico será difícil, na continuidade do segundo semestre do ano de 2020, dependendo de como for desembrulhado o processo de recuperação económica global e dependo do comportamento dos cidadãos, da forma como os países enfrentarem a crise sanitária, quer seja em forma de pandemia ou de réplicas.

No que respeita à atividade da Indústria Automóvel as projeções apontam para um ano 2021 abaixo do ano de 2019 e 20% acima do presente ano económico.

Aqui chegados, há que encarar o OE de 2021 com sensatez, com coragem e com a preocupação de não nos perdermos no labirinto das respostas de curto prazo. Estamos na dimensão da utilização de um recurso escasso, mas em situação de profunda crise económica e social.

Portanto, este OE terá de ser o instrumento capaz de introduzir uma terapêutica para ultrapassarmos o momento e no mesmo tempo estabelecer condições de recuperação e desenvolvimento.

O Cluster da Indústria Automóvel tem importância relevante para a economia nacional, pela sua capacidade exportadora, por criar empregos qualificados, por acrescentar valor e ter um efeito de arrasto e catalisador sobre vários setores, em especial como indutor sobre a capacitação competitiva do ecossistema cientifico. Porém, esta conjuntura teve e terá efeitos destrutivos sobre esta Indústria, devido às ondas de choque que chegaram dos clientes, que reagem a um quadro complexo de bloqueio do mercado e ao processo acelerado de incorporação dos desígnios do European Green Deal.

Neste contexto, o OE terá que suster a destruição de emprego, através da diminuição da atividade produtiva, por via da diminuição do consumo e das alterações impostas por novos conceitos de mobilidade, em especial no seio das cidades, que levará ao encerramento de unidades produtivas, não podendo deixar de ter preocupações ao nível do relançamento da atividade produtiva sem perder o sentido da manutenção da competitividade.

O que significa que terá que existir políticas de preservação do emprego, manutenção e recuperação dos programas de investimento e incrementar a resposta aos novos projetos dos OEM. Não podendo deixar de estar atento às práticas dos nossos concorrentes, países europeus, que apoiam a Indústria reforçando a resposta das empresas.

Apoio ao Investimento:

  • Lançamento de programas que permitam a participação da Indústria Automóvel Nacional em novos projetos, ligados a soluções tecnológicas compaginadas com os novos veículos automóveis. Reconversão das soluções energéticas e introdução de conceitos da i4.0. Financiamento através de subvenção; consolidação da autonomia financeira das empresas.

Medidas de apoio fiscal:

  • Estímulo ao investimento; à I&D; manutenção e capacitação do emprego; e política de reforço da internacionalização.

Reconversão do quadro RH das empresas:

  • Programas de reconversão com diminuição apoiada de horários de trabalho.

Qualificação das organizações:

  • Incremento dos processos de gestão; fomento da dimensão das empresas.

Investimento em infraestruturas:

  • Logística (rede ferroviária transeuropeia de mercadorias e rede de passageiros); início da construção da Rede de comunicação 5G.

 


 

extracto do artigo
Empresários e líderes associativos identificam prioridades para 2021
A Revista Indústria ouviu empresários e líderes associativos sobre as prioridades para o próximo Orçamento do Estado.
Incentivos fiscais, medidas de apoio às empresas e ao emprego, incentivos à inovação e à retoma do consumo, são algumas das medidas avançadas.


Pode efetuar o download da Revista Indústria, ficheiro pdf

 

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