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Portugueses concebem revestimentos de automóvel que se regeneram

Projeto nacional está integrado no desenvolvimento do microcarro urbano que envolveu mais de 20 entidades científicas e empresariais

in Dinheiro Vivo, por Teresa Costa, 18-02-2024


Investigadores e empresários portugueses uniram-se para conceber várias características inovadoras para automóveis, entre as quais, revestimentos funcionais com propriedades de regeneração.

Significa que possíveis danos, como riscos no tabliê, podem ser regenerados através da radiação ou calor, graças à integração no interior do veículo de estruturas com propriedades termocrómicas, explica o CeNTI- Centro de Nanotecnologia e Materiais Técnicos, Funcionais e Inteligentes, uma das entidades envolvidas no consórcio.

O estudo partiu do princípio de que “as estruturas têxteis têm a capacidade de mudar de cor em reação à temperatura” e assim foi possível chegar a um material que “tem a cor do substrato onde está aplicado e em contacto com o calor, a determinada temperatura, fica vermelho”, exemplifica o Centro.

Mudar o display só com gestos

Outra das inovações passou pelo recurso a uma consola central que inclui um display interativo para projeção de imagem e que é controlado através do toque e dos gestos.

“A estrutura do display é transparente e integra a componente de interação com o utilizador de uma forma seamless, através de eletrónica impressa”, detalha o CeNTI, para explicar que “esta característica permite ao utilizador ter um interior automóvel mais clean, sendo que só quando necessita de interagir com o carro é que precisa de ativar este sistema”.

Poupar na produção

Na mesma consola, foi concebido um botão interativo para permitir “aceder aos diferentes menus do carro, como regular o som e a temperatura, cujo desenvolvimento foi orientado para simplificar e otimizar o respetivo processo de produção em contexto real”.

Ou seja, os investigadores também tiveram a preocupação de “criar um produto com menos etapas de produção e que ocupe menos espaço no interior do veículo”.

Carros mais leves

Já a pensar na redução do peso do automóvel, outra das inovações passou pelo desenvolvimento de “estruturas baseadas em fibra para reforço de componentes termoplásticos, melhorando as propriedades mecânicas”.

O desenvolvimento das novas funcionalidades enquadra-se no projeto PAC-Portugal Autocluster for the Future, liderado pela empresa Simoldes, envolvendo nove entidades empresariais e 12 lidas à ciência e tecnologia, no sentido de se conceber um microcarro urbano, ”inteligente, autónomo, conectado, sustentável, elétrico e seguro”, como enquadram os investigadores do CeNTI.

O PAC visou, por um lado, “aumentar a durabilidade e qualidade dos materiais, promover a alta capacidade de customização e aperfeiçoar a interação do utilizador com a máquina”. Por outro, o projeto pretendeu “potenciar o nível de competitividade das entidades que operam o setor automóvel, em Portugal, e a sua posição num contexto mundial”.

Conceitos como a mobilidade em cidades inteligentes, a sustentabilidade, a economia circular e ecoeficiência foram conceitos tidos em conta na conceção do novo carro-modelo, tanto ao nível do design, das peças e do processo de construção.

É assim que surgem ligadas ao projeto valências diversas, para capacitar a indústria nacional em áreas, como “a conectividade e sensorização, produção flexível e digital de componentes, a automação, a redução do peso dos veículos, a promoção da segurança estrutural e em situações críticas e, ainda, a comunicação cooperativa entre agentes da estrada”.

O PAC, integrado no plano de ação do Mobinov-Cluster Automóvel de Portugal, representou um investimento na ordem dos oito milhões de euros, cofinanciado pelo Portugal 2020.

 

 

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