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Portugal lidera digitalização na Mehler

Com uma nova imagem corporativa, a Mehler tem vindo a apostar fortemente em Portugal. Na unidade produtiva de Vila Nova de Famalicão, onde trabalham cerca de 300 pessoas, a empresa investiu 5 milhões de euros nos últimos três anos para a trazer para a indústria 4.0, num modelo que irá replicar nas restantes fábricas.

in Jornal Têxtil, 24-07-2019


O foco do investimento esteve na indústria 4.0 e na digitalização e permitiu simplificar o layout interno da unidade produtiva portuguesa, uma das nove fábricas da Mehler, que constitui a unidade de negócio Engineered Products do Grupo KAP. «Do ponto de vista da digitalização, a que está mais avançada é a empresa portuguesa», afirma Alberto Tavares, CEO da Mehler. «Neste momento já reunimos em todas as máquinas – temos cerca de 100 teares em Portugal – informação de velocidade, de produção, paragens, causas de paragens… Essa informação é extraída automaticamente da máquina e vai para o nosso sistema de gestão. Ou seja, não há ninguém a introduzir dados nem ordens de produção. Já é tudo automatizado», explica ao Portugal Têxtil, acrescentando que «agora vamos replicar às outras unidades industriais do grupo».

Outra área que faz parte das valências da Mehler em território luso é a investigação e desenvolvimento de novos produtos, com o departamento responsável dividido entre Portugal e Alemanha. «Na Alemanha temos uma grande proximidade à indústria química, que é um dos grandes impulsionadores de muitas mudanças. Novos materiais, novas fibras, novas estruturas. E em Portugal também temos uma equipa forte, que está muito ligada ao CeNTI, ao CEiiA, ao Citeve e à Universidade do Minho também, com quem fazemos grandes desenvolvimentos», enumera Alberto Tavares.

Inovação em foco

Entre as áreas em destaque, o CEO da Mehler refere, entre outras, a mobilidade, que, de resto, «é o que tem maior peso no nosso volume de negócios», que em 2018 rondou os 170 milhões de euros. «Estamos a trabalhar em novos projetos para a mobilidade elétrica mas ainda não são produtos no mercado, são projetos de desenvolvimento», sublinha. Em parceria com o CEiiA e a Universidade do Minho, a Mehler está a trabalhar «em produtos para baixar o peso da bateria dos automóveis. Ainda não são produtos finais, são produtos que estão em estudo e desenvolvimento. Mas, claramente, a redução do peso dos carros elétricos é uma área em que estamos focados neste momento», clarifica.

Uma outra área que esteve em destaque na última edição da Techtextilfoi a indústria farmacêutica, onde a Mehler mostrou um produto usado no processo de produção das borrachas de silicone dos frascos de insulina. «As borrachas de silicone têm de ter uma característica: quando se tira a seringa, tem que voltar a fechar, para o líquido não evaporar nem sair. O nosso tecido serve para dar uma determinada característica ao silicone, que depois faz com que ele feche quando tira a seringa. Portanto, não está incorporado o tecido no silicone mas é autorizado no processo de fabrico do silicone», esclarece o CEO.

A oferta da empresa em Frankfurt incluiu ainda os tecidos para corrimões de escadas rolantes, para o sector mineiro, para sistemas de filtragem e mangueiras e correias de distribuição para o motor de automóveis, mas tem vindo a alargar-se. «Outro sector onde temos feito uma aposta é o da defesa/aeroespacial, muito focado nos EUA, onde temos tecidos para sistemas de vigilância aérea, aquilo que se chamam os zeppelins. Também fazemos tecidos para os coletes à prova de bala», destaca.

Exportação a 100%

Em Portugal, contudo, são os produtos para a indústria mineira que têm mais peso, juntamente com os artigos para as correias de distribuição dos motores, o que faz com que a exportação seja total. «Não vendemos nem um euro em Portugal, porque os nossos produtos são para aplicações para as quais não existem processos industriais em Portugal», revela Alberto Tavares.

Apesar do abrandamento sentido na Europa, que levou a uma estabilização dos negócios da Mehler, a unidade lusa continuou a crescer em 2018, atingindo um volume de negócios de 41 milhões de euros. «Em Portugal crescemos as vendas em 12%», indica Alberto Tavares, adiantando que o aumento esteve relacionado com «uma recuperação do sector mineiro».

Quanto às perspetivas da Mehler para 2019, a instabilidade deverá fazer-se sentir. «O mercado, em termos de números, está similar ao ano passado, neste momento. Tem havido uma quebra de vendas relacionadas com o sector automóvel, mas o comportamento é diferente de região para região. Os EUA continuam a crescer, mas temos tido quebras de venda na Europa e na China», desvenda o CEO da Mehler, que aponta uma «redução do crescimento da economia chinesa, com uma redução do consumo de automóveis» como um dos fatores.

Como tal, «2019 vai ser um ano com alguma incerteza e ainda com alguma instabilidade», acredita. «Temos medidas mais protecionistas, temos o Brexit que é uma história que nunca mais termina e isso cria instabilidade no comportamento das próprias pessoas e dos investidores», considera Alberto Tavares, estimando que «o nosso volume de negócios em 2019 seja similar a 2018».

No que concerne ao longo prazo, as apostas na inovação são para manter e reforçar. «Entendemos que, se não o fizermos, em 10 ou 20 anos podemos estar fora negócio, porque a velocidade com que as coisas mudam hoje em dia na sociedade é muito mais rápida. Temos que estar atentos às tendências. Portanto, a longo prazo, a única coisa que temos a certeza é que temos de continuar a apostar neste processo de inovação e desenvolvimento de novos produtos e procurar novos segmentos de mercado para não estarmos tão dependentes do sector da mobilidade ou da construção. Daí estarmos a apostar mais forte na indústria aeroespacial e na indústria da defesa. E há uma aposta também em tudo o que são aplicações que requerem resistência ao fogo e à temperatura, que achamos que é uma tendência bastante grande. A terceira área é a indústria da mobilidade elétrica – é aí que estamos a focar a nossa aposta para médio e longo prazo», conclui Alberto Tavares.

 

 

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