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Portugal com terceira maior subida na produção

O aumento de 67,7% na produção automóvel em Portugal no ano passado coloca o país como 29.º maior produtor mundial. Este ano deverá passar a ser classificado como um “país produtor automóvel”, ao superar a barreira das 300 mil viaturas fabricadas.

in Negócios, por Pedro Curvelo, 12-07-2019


A indústria automóvel portuguesa atingiu um máximo histórico de produção no ano passado e o volume registado colocou Portugal à beira de entrar para o “clube” de países produtores de automóveis, uma classificação atribuída a partir de 300 mil unidades produzidas.

O aumento de 67,7% no número de veículos fabricados, que somaram 294.366 unidades, foi o terceiro maior a nível mundial, segundo os dados da Organização Internacional de Construtores Automóveis (OICA).

Portugal apenas foi superado pelo Egito, com uma subida de 95%, e pela Áustria, com um crescimento de 69,7%. No entanto, ambos os países têm volumes de produção inferiores aos de Portugal, com 71.600 e 164.900 veículos fabricados em 2018, respetivamente.

O “salto” de quase 113 mil veículos produzidos nas fábricas portuguesas permitiu ao país ascender à 29.ª posição entre os maiores produtores automóveis, três lugares acima face a 2017.

O que significa ser um país produtor automóvel?

Mas, afinal qual é a importância de Portugal ser um país produtor automóvel? “Muita”, garante Hélder Pedro, secretário-geral da Associação Automóvel de Portugal (ACAP).

“Em primeiro lugar, o país torna-se um produtor automóvel de pleno direito, ganhando peso nos fóruns internacionais do setor e sendo visto como um ‘player’, refere ao Negócios.

“E para o país é de uma enorme importância como fator extra para atrair investimento estrangeiro, para a instalação de ‘hubs’ tecnológicos dos grandes fabricantes, como já assistimos com a Volkswagen, Daimler e BMW, esta em parceria com a Critical Software”, acrescenta. “O setor automóvel tem um peso muito significativo na economia nacional e, sobretudo, nas exportações”, diz ainda.

Adicionalmente, o dirigente da ACAP destaca que, ao alcançar um patamar de produção de 300 mi veículos, gera-se um “ambiente favorável à criação de sinergias em todo o ‘cluster’ automóvel”.

Já Adão Ferreira, secretário-geral da Associação de Fabricantes para a Indústria Automóvel (AFIA), indica que “apesar do forte aumento no ano passado, a produção portuguesa é um décimo da de Espanha”. O responsável considera, ainda assim, que o crescimento da produção é “positivo”, até porque gera novas oportunidades para as empresas nacionais de componentes.

Entre janeiro e abril deste ano, as exportações de componentes cresceram 4%, “com um dinamismo superior ao das vendas totais”, atingindo os 2,9 mil milhões de euros, indica Adão Ferreira.

O presidente da AFIA, José Couto sublinha por seu lado que “o efeito de arrasto do aumento da produção em Portugal não é muito elevado paras as fabricantes de componentes, uma vez que os mercados internacionais absorvem a grande maioria das vendas da fileira”.

Admite, ainda assim, que “gostaríamos de ter uma maior incorporação de componentes produzidos em Portugal nos veículos que são fabricados no país”. “Não estamos satisfeitos com os níveis atuais e consideramos que há margem para aumentar essa incorporação”, frisa José Couto.

Marca dos 300 mil será batida este ano

Este ano a fasquia das 300 mil viaturas produzidas será “seguramente” superada em Portugal, refere o secretário-geral da ACAP.

Nos primeiros cinco meses do ano – os dados de junho serão divulgados na próxima semana -assistiu-se a uma subida homóloga de 22,8%, para 155.384 veículos.

Na segunda metade do ano o crescimento homólogo deverá diminuir, uma vez que a Autoeuropa aumentou o número de turnos no segundo semestre do ano passado.

Hélder Pedro refere que a tendência deverá ser de “consolidar os volumes de produção acima dos 300 mil”, admitindo que as taxas de crescimento serão bastante menores, “uma vez que a Autoeuropa, que tem grande peso na produção total, está próxima da capacidade máxima”.

Sem a entrada de outro fabricante “dificilmente poderá haver uma subida muito acentuada”, conclui.

 


 

A FAVOR I CONTRA

As oportunidades e os desafios no horizonte

 

O setor tem a forte concorrência dos países de leste e de Marrocos para captar investimento. O elevado nível de qualificação técnica é apontado como uma vantagem portuguesa.

 

A FAVOR

QUALIFICAÇÃO

Portugal tem uma “escola” de técnicos muito qualificados no setor automóvel, defende o secretário-geral da ACAP, Hélder Pedro.

“CLUSTER” AUTOMÓVEL CONSOLIDADO

Apesar de não ter muitas unidades de montagem de veículos, Portugal conta com uma importante rede de empresas de componentes para a indústria automóvel e que têm sabido adaptar-se, diz a AFIA.

“HUBS” TECNOLÓGICOS

A tendência recente de instalação de centros de desenvolvimento tecnológico de fabricantes automóveis, como a BMW, Volkswagen e Daimler Mercedes-Benz é um fator de atração.

 

CONTRA

PERIFERIA FACE À EUROPA

Portugal enfrenta uma forte concorrência dos países do leste europeu para a atração de investimento e instalação de novas unidades. A situação geográfica desses mercados, no centro da Europa, é um obstáculo para Portugal.

ELETRIFICAÇÃO

A tendência do setor automóvel de aposta em veículos eletrificados é um desafio para as fábricas em Portugal, que teriam de ser reconvertidas, e para toda a fileira. A AFIA indica que as empresas de componentes portuguesas estão “vigilantes” e já produzem para carros eléctricos ou híbridos da Tesla, BMW, Nissan e Renault, por exemplo.

 

 

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