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Portugal certifica 26 centros de tecnologia e inovação

Reforma incluída no PRR permitiu reconhecer os primeiros centros de tecnologia e inovação, que vão levar a ciência ao tecido empresarial português. Entidades terão acesso a mais de 180 milhões de financiamento público nos próximos seis anos.

in Negócios, por Joana Almeida, 08-08-2022


Depois dos centros tecnológicos na década de 1980, Portugal vai agora contar com 26 centros de tecnologia e inovação (CTI) para fomentar a capacidade de inovação do país. O objetivo é que esses centros sirvam de “interface” entre a ciência e a economia, levando o conhecimento às empresas de uma forma adaptada aos dias de hoje. Com isso, o Governo espera que o investimento em investigação e desenvolvimento (I&D) aumente mais de mil milhões de euros até ao final da década e Portugal cresça mais e “com base em produtos de elevado valor acrescentado”.

Ao Negócios, o secretário de Estado da Economia, João Neves, explica que a certificação dessas 26 entidades acontece para dar resposta a uma “lacuna identificada pela Comissão Europeia, nas recomendações do Semestre Europeu”. “Era dito que, apesar dos progressos feitos desde a criação dos centros tecnológicos, persistiam lacunas na articulação entre os centros de investigação e as empresas e que, com isso, havia pouca capacidade de traduzir o esforço na ciência na economia”, diz.

Para dar resposta a isso, Portugal incluiu, como condição para ter acesso aos 16,6 mil milhões de euros do Plano de Recuperação e Resiliência (PRR), a revisão e atualização das regras aplicáveis aos centros de tecnologia e inovação como “reforma estratégica e estrutural”. Com essa revisão – concretizada no final de 2021 –, foram definidas novas formas de financiamento e avaliação do trabalho desenvolvido pelos CTI, enquanto “interfaces” entre a ciência e as empresas. E foi, como base nisso, que o Governo conseguiu agora garantir a certificação dos primeiros 26 CTI em Portugal.

João Neves avança que, ao todo, foram recebidas 37 candidaturas a reconhecimento como CTI (que é válido por seis anos e pode ser renovado), mas apenas 26 foram aprovadas. Entre as entidades selecionadas estão a CEiiA, o Fibrenamics, o CITEVE, o INESC TEC, o Centro Tecnológico da Cerâmica e do Vidro, o Centro Tecnológico do Calçado de Portugal, Instituto de Medicina Molecular e o Instituto de Telecomunicações.

As entidades foram selecionadas por um júri independente, composto por 10 personalidades, com base na capacidade técnica das instituições e no trabalho desenvolvido na transmissão de conhecimento ao tecido empresarial.

O Governo destaca que as 26 entidades selecionadas contam com um total de 3.800 recursos humanos “altamente qualificados” e têm “capacidade para realizar um investimento total que ultrapassa mil milhões de euros” até 2027, “dos quais 23% a ser realizados através de projetos ou parcerias internacionais”. Em integração em consórcios, representam também um investimento superior a 290 milhões de euros nas agendas mobilizadoras, no âmbito do PRR.

Mais I&D até 2030

Com o reconhecimento como CTI, as entidades selecionadas terão acesso a financiamento público “estável”, de 186 milhões no total, baseado na estrutura “um terço de financiamento base, um terço de financiamento competitivo e um terço de financiamento proveniente do mercado”. Em troca, irão ajudar as empresas e associações empresariais a orientar a atuação para desafios atuais, como a transição climática e digital, e dinamizar a investigação aplicada e a inovação.

Essa aposta no conhecimento é direcionada sobretudo para as pequenas e médias empresas, visando melhorar a sua competitividade empresarial e garantindo uma maior internacionalização da economia portuguesa com produtos de maior qualidade.

O secretário de Estado da Economia diz ainda que espera que “desta articulação entre empresas e os novos centros de tecnologia e inovação haja um investimento em I&D muito considerável nos próximos anos” e não exclui a possibilidade de virem a ser reconhecidos mais CTI nos próximos meses.

 


 

TRÊS PERGUNTAS A JOÃO NEVES

Secretário de Estado da Economia

“Esperamos investimento em I&D muito considerável”

Secretário de Estado da Economia acredita que, com o reconhecimento destes 26 centros de tecnologia e inovação (CTI), irá impulsionar o crescimento da economia portuguesa.

Qual o objetivo dos CTI?

  • O objetivo é construir, de forma colaborativa, produtos mais complexos e com maior valor acrescentado, através de uma maior interligação entre a ciência e as empresas.

Quais os critérios usados para a seleção dessas candidaturas aprovadas?

  • Essas 26 entidades foram reconhecidas por um júri independente com base na sua história, na transferência concretizada de conhecimento para a economia, na sua capacidade técnica e na participação em investimentos colaborativos em projetos de I&D a nível nacional e europeu.

Como poderá o país beneficiar do reconhecimento dessas entidades como CTI?

  • Queremos que Portugal cresça com base em produtos de elevado valor acrescentado e esperamos, da articulação entre empresas e CTI, um investimento em I&D muito considerável .

 

 

Secretário de Estado diz que novos CTI ajudam Portugal a crescer mais.
Pedro Catarino

 

 

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