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O futuro pós Covid-19 no sector de moldes e dos plásticos

Começa a ser recorrente dizer que nunca mais regressaremos ao normal, esse normal pré Covid-19. Essa “coisa” do novo normal não existe. Quem conheceu o anterior normal nunca mais reconhecerá como normal, o “novo normal”. Mudámos e para sempre!

in Região de Leiria | Moldes e Plásticos, artigo de opinião de Joaquim Menezes, 11-02-2021


Contudo os sectores industriais, entre eles o de moldes e dos plásticos, habituados desde sempre a descobrir novos normais, temos sido fortemente impulsionados, não só pela permanente evolução das tecnologias, materiais e processos, mas igualmente pelas alterações dos mercados.

Estamos permanentemente desafiados (impulsionados) pelas aprendizagens de melhor fazer, pela melhoria contínua e pelas batalhas incessantes da competitividade e da produtividade.

São os nossos clientes e mercados – internacionais – , expoentes máximos de exigência e de inovação. Acompanhar dia-a-dia as tendências do mercado, as tecnologias, ou outras variáveis, que influenciam o nosso desempenho e futuro, faz parte do quotidiano do universo das empresas destes sectores. Não temos qualquer outra alternativa. Nem nós, nem todos os outros nossos concorrentes globais.

A pandemia Covid-19 veio pôr à prova a capacidade de nós todos para resistir, é neste registo em que andamos há mais de um ano.

Um ano é muito tempo, ainda que resistir e ter resiliência não sejam palavras novas para nós, mas nunca atravessámos uma situação semelhante. A história da indústria portuguesa de moldes, com apenas 75 anos, está repleta de momentos críticos, de crises pontuais, algumas delas duradouras, que abalaram a confiança de todos. Do sector e dos seus stakeholders, nomeadamente as instituições financeiras, clientes e fornecedores. Contudo é um choque com um impacto diferente, muito diferente, em que enfrentamos o desconhecido invisível, com desafios brutais face a um inimigo que não se vê, nem é possível qualquer luta corpo-a- -corpo. É uma situação que “toca a todos”. Na prática, é um inimigo comum para todas as empresas e populações. Esta situação pandémica afetou todos, genericamente em todos os sectores, embora de forma não igual.

O mundo parou, está em stand by

Os clientes, ou pararam – muitos abruptamente – e/ou cancelaram os novos projetos. Sem novos projetos, projetos para novos produtos ou modelos, a atividade da indústria de moldes complica-se. Os moldes deixaram de ser urgentes (para amanhã). Nos novos negócios, e nos novos projetos, as incógnitas, as incertezas, são grandes, e a competição é terrível, torna-se suicidária. Há um redobrar na atenção às possíveis e escassas oportunidades, procura- se mais sistematicamente os ajustes possíveis – de pragmatismo positivo – na capacidade da produção e em novas fórmulas de trabalho, de distanciamento produtivo, em todos os departamentos e na busca de novos mercados e serviços alternativos, que correspondam à segurança e monitorização da produtividade, que nos foi imposta e que veio para durar (para sempre).

Como se usa dizer, há mais vida para além do Covid. Temos que fazer por isso e resistir. Afinal a esperança é a última a morrer.

Um novo renascimento terá que acontecer. A economia terá que ver superada a crise global em que estamos, superação essa que se terá que fazer com todos os sectores industriais, numa alinhada cooperação interpares.

Será que não acreditamos que o mundo irá sobreviver, renasce?

Uma coisa parece fácil de prever: vai ser a oportunidade e o desafio inadiável, do conceito da Indústria 4.0 vingar.

A interoperabilidade, a conectividade, a autonomia de cada um e de cada equipamento – o fazer mais com menos, mais rápido (tudo tem que ser equacionado para amanhã, para ontem), o aumento imparável da captação e tratamento de dados, da virtualização, da simulação e tantas outras ferramentas tecnológicas, que nos invadem todos os dias e que tornarão incontornáveis no desenvolvimento deste imparável movimento da automação, que não irão substituir pessoas, mas que lhes darão ainda mais futuro, tanto quanto estas entendam a necessidade imperiosa da qualificação adequada e da aprendizagem contínua, a experiência do “saber-fazer” continuará fulcral para o sucesso das empresas.

Disse um dia que a indústria de moldes é uma indústria de futuro, com futuro. Continuo a achar que sim.

 

* Joaquim Menezes | Presidente do grupo Iberomoldes

 

https://iberomoldes.pt/

 

One thought to “O futuro pós Covid-19 no sector de moldes e dos plásticos”

  1. Boa tarde caro Meneses.
    Muito bom artigo de opinião
    Palavras de um grande gestor completamente empenhado com o futuro.
    Talvez não se recorde mas fomos colegas finalistas em Maquinas e Electrotecia no IIL
    em 1974. Já nessa altura se percebia o seu empenho visão.
    Nunca o quis maçar enquanto responsavel de armazenista de aços na MG. com um ou outro problema e tambem alguns exitos com as empresas do grupo Iberomoldes.
    Agora retirado desde 2013 deixo aqui estes apontamentos com votos de muita saude e resiliência.
    Cordiais cumprimentos

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