Skip to main content

MOLDOESTE | Equilíbrio e flexibilidade são garantes de uma boa produção

Assegurar um bom sistema de produção numa empresa de moldes exige, acima de tudo, uma articulação de vários fatores que permita obter os melhores resultados. “É preciso existir uma grande cooperação entre os diversos departamentos para se conseguir chegar a bom porto”, defende Ana Vieira, da Moldoeste. Mas só isso não chega. É necessário estender essa ligação dos departamentos às máquinas, aos softwares e à engenharia, de forma a alcançar “uma produção sem grandes tumultos”, acrescenta.

in Revista TECH-i9, 17-07-2020


“Podemos ter as melhores máquinas do mundo e os melhores softwares, mas se não houver esta articulação do ser humano nos diversos departamentos, as coisas não vão funcionar”, defende.

E como alcançar essa coordenação entre os departamentos? Ana Vieira considera que é preciso, desde logo, entender que não há departamentos mais importantes do que outros. São todos imprescindíveis. A articulação entre todos, frisa, está dependente de uma boa comunicação. Exemplifica, percorrendo toda a área produtiva da empresa e começando pelo departamento comercial. “Aqui, tem de haver muita clareza e objetividade naquilo que se está a vender. Se não estiver tudo muito claro, o processo vai correr mal, por melhor que seja o sistema de produção que tenhamos implementado”, afirma.

E prossegue, dizendo que “a mensagem”, já depois do negócio conseguido, “tem de continuar clara, transparente e inequívoca para ser bem interpretada pelo departamento de projeto que é o que vai desenvolver toda a engenharia. Esta deverá corresponder a 100% daquilo que o cliente quer”. Ou seja, “tem de haver uma conformidade com os requisitos do cliente ao longo de todo o processo”, sublinha para acrescentar que “há depois outras etapas que continuam a ser importantes e que envolvem todos os departamentos, como a revisão do projeto”.

Flexibilidade

Destaca ainda que, em todo o processo, um dos pontos-chave é o planeamento. “É ele que vai controlar as tarefas e todos os passos e sequências de produção e os respetivos tempos”, esclarece, considerando que tem de ser “um processo muito dinâmico porque há uma série de variáveis”.

“Por muito que se consiga antecipar problemas, e há uma série de softwares que nos ajudam nisso, há sempre coisas que vão surgir no caminho, que não estão previstas e tem de haver um acompanhamento em tempo real e diário”, adianta. E reforça que cada molde é sempre um protótipo. “Mesmo que tenhamos uma encomenda de um segundo molde de repetição exatamente para a mesma peça, sabemos à partida que não vamos fazê-lo exatamente como fizemos o primeiro”, esclarece. Por isso, “é fundamental que exista muita flexibilidade no processo”.

Prosseguindo na enumeração de departamentos, Ana Vieira destaca também o de compras. “Compram uma série de coisas, desde os materiais aos acessórios standard, entre outros, e têm de saber muito bem o que têm de comprar. Reforço que a mensagem inicial que chega a partir do departamento comercial, tem de refletir exatamente o que foi negociado e vendido. E tem de chegar muito bem às compras porque, apesar dos sistemas estarem todos muito afinados, não há sistemas perfeitos e pode haver falhas”, salienta.

As tecnologias

Claro que em todo o processo e no seu percurso entre os departamentos, as tecnologias desempenham um papel fulcral, considera a responsável, afirmando que elas são “o fio condutor que permite o controlo, a transferência de dados e de informação”.

“As tecnologias são fundamentais, seja na transferência de informação, na rapidez, na acumulação e salvaguarda de dados, na interconetividade ou na integração”, defende. Para além disso, possibilitam combater os desperdícios dentro da organização.

Ana Vieira explica que, “para os combater temos, numa fase prévia, de os identificar, de os medir. E para isso necessitamos de ter mecanismos de controlo fiáveis, que nos permitam perceber onde é que podemos melhorar, de que forma é que conseguimos ser o mais ‘lean’ possível”. A partir daí, considera, é possível rentabilizar a produção. E essa rentabilização é mensurável, seja em tempo, em custos ou ganhos. “As tecnologias são fundamentais porque nos dão dados de que necessitamos para melhorar cada vez mais”, explica.

Mas, ressalva: “qualquer sistema, para funcionar, necessita sempre de alguém que carregue os dados. Um sistema tecnológico, só por si, não trabalha, apesar de ser fundamental”. Lembra, por isso, a importância que têm as pessoas em todo este processo. “Temos de ter pessoas capacitadas, treinadas para tomar decisões e medidas em tempo real e tirar o máximo partido de todos os equipamentos, sejam físicos ou software. A capacitação das pessoas é muito importante”, defende.

E reforça que as tecnologias “são fundamentais e vão servir, não para dispensar pessoas, mas para as libertar para que possam executar tarefas de valor acrescentado”. Exemplifica com o caso da Moldoeste. “Há 30 anos, a empresa era uma garagem com 12 pessoas. Tínhamos, então, uma determinada necessidade. Hoje temos outro paradigma e as tecnologias vão acompanhando estas dimensões e os novos desafios das empresas”, considera. E como essas dimensões variam de empresa para empresa, também as tecnologias que adotam são, necessariamente, diferentes. “Temos de estar atentos às soluções de mercado porque as tecnologias também vão evoluindo. Ao longo do tempo de evolução da empresa, nós fomo-nos adaptando às diferentes tecnologias: de informação, de controlo, de produção. Temos vindo a informatizar os sistemas e esse processo já não vai voltar para trás”, explica, frisando que questões como o big data, automação e inteligência artificial “vão-nos permitir otimizar cada vez mais os processos, libertando as pessoas para outro tipo de atividades”.

AS TECNOLOGIAS SÃO FUNDAMENTAIS, SEJA NA TRANSFERÊNCIA DE INFORMAÇÃO, NA RAPIDEZ, NA ACUMULAÇÃO E SALVAGUARDA DE DADOS, NA INTERCONETIVIDADE OU NA INTEGRAÇÃO

Reter conhecimento

Mas apesar do muito que está feito, Ana Vieira considera que há ainda um caminho a percorrer. Uma das questões que considera ser importante solucionar é a passagem de conhecimento das pessoas mais antigas das organizações. “É uma questão já antiga, mas para a qual ainda não temos solução. É difícil transformar esse conhecimento em livro ou traduzi-lo por escrito, de forma a que possa ser consultado sempre que necessário”, explica, defendendo que “é importante haver uma articulação entre as novas gerações e as gerações mais antigas que detêm esse saber. Não há formação técnica possível que esmiúce as coisas a esse ponto”.

No caso da Moldoeste, conta, “tentamos juntar os mais novos com os mais antigos e promover esse tipo de colaboração. No fundo, procurar manter essas pessoas ligadas à empresa, como consultores, de forma a que possam dar algum apoio ou, quando surgem situações críticas, chamá-los e pedir-lhes a opinião. Tentamos cultivar isso. É um desafio, mas é importante que seja feito”.

Uma outra questão que destaca é a necessidade de, nas organizações, os trabalhadores terem uma “noção integrada e total de todo o processo de fabrico”. “É importante capacitar as pessoas com meios, objetivos, motivação, mas requer também dar-lhes formação para que tenham uma noção integrada do processo de fabrico”, destaca, considerando que, dessa forma, “cada um conseguirá entender como pode acrescentar valor ao processo, sentindo-se parte desse processo”.

 

www.grupomoldoeste.com

 

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Fica a saber como são processados os dados dos comentários.