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Metal de Braga “aparafusa” fábrica na República Checa

A ETMA rumou ao centro da Europa para ficar mais próxima dos clientes do setor automóvel e elétrico, procurando alternativas para deslocalizar parte da produção. Exportadora de peças metálicas fatura 13 milhões e tem 155 trabalhadores no Minho.

in Negócios, por António Larguesa, 30-07-2019


Depois de contratar uma operação logística e de distribuição com mil metros quadrados em Karlovy Vari, a cem quilómetros de Praga, e de subcontratar naquela região algumas operações de assemblagem para “flexibilizar um pouco a produção”, a ETMA Metal Parts quer “ir mais além” e avançar com uma unidade industrial na República Checa para “transferir parte do fabrico” das peças metálicas de pequena dimensão, que vende sobretudo ao setor automóvel e elétrico.

Mário António Braga adiantou ao Negócios que este projeto fabril na Europa central está “em cima da mesa” e que está “à procura de hipóteses com um parceiro local importante”. Não excluindo como alternativa as vizinhas Polónia e Hungria, onde tem também grandes clientes, mas escasseia igualmente a mão-de-obra qualificada na metalurgia e metalomecânica, a preços competitivos que viabilizem o alargamento desta operação internacional iniciada em 2015.

O CEO da empresa de Braga, que dista perto de 3.000 quilómetros destas geografias, sublinhou que este centro logístico, que “em meia dúzia de horas coloca as peças nos clientes em caso de emergência”, era “algo obrigatório”. “Ou tínhamos ou provavelmente iríamos ser excluídos de certas oportunidades de negócio”, acrescentou, lembrando que “hoje a indústria quer os fornecedores à porta, de preferência até dentro das suas próprias instalações, com equipamentos e trabalhadores”.

Molas para as portas e os tejadilhos, parafusos para fixar os bancos, componentes para os sistemas de travões e para os motores, sistemas de fixação de para-choques. Estas são algumas das peças que a ETMA produz para as construtoras automóveis, como o grupo Volkswagen ou PSA (Peugeot, Citroën, Opel), concorrendo com espanhóis, italianos e alemães. O setor elétrico, em que fabrica, por exemplo, componentes metálicos para os interruptores, tem um peso equivalente no negócio (40%), estando o resto das vendas dispersas pelas áreas de ciclomotores ou eletrodomésticos.

Três gerações a exportar
A empresa familiar criada em 1940 por Mário Rodrigues da Costa tem a terceira geração aos comandos. Faturou 13,2 milhões de euros em 2018 e emprega 155 pessoas na capital minhota, onde produz cerca de 330 milhões de peças por ano. À histórica fábrica de 6.000 metros quadrados na malha urbana, somou em 2014 um polo com metade do tamanho na freguesia de Sequeira, onde concentrou a logística, a prototipagem e a construção dos moldes e das ferramentas. Nos últimos cinco anos, calculou o CEO, investiu cerca de dez milhões de euros nas instalações e em novas máquinas.

A exportação direta absorve 65% da produção, embora apenas “2% a 3%” do que produz acabe por ficar em Portugal, em clientes como a Efapel, da Lousã. Lá fora, além da República Checa, Polónia e Hungria, que têm absorvido muita da produção do setor elétrico que tinha como destino a França (chegou a ser o melhor mercado), destaca a Espanha e a Alemanha. Esta última, detalhou Mário António Braga, é relevante “não como destino – porque parte das linhas de montagem alemãs estão nos países próximos –, mas pelos centros de desenvolvimento” industriais, que mantém.

TOME NOTA

De armas ao cortinado até à invasão chinesa
Mário Rodrigues da Costa voltou à terra natal para produzir componentes metálicos para cortinados, que fizeram furor na exportação e ajudaram a dimensionar a empresa em termos industriais.

Avô Deixa Lisboa para empreender
Antes de voltar a Braga para lançar um negócio por conta própria, – oficina de acessórios metálicos para cortinados –, Mário Rodrigues da Costa, avô do CEO, trabalhou numa empresa de material militar, em Lisboa, onde seguiu a tradição familiar ligada à reparação de armas e teve “contacto com o manuseamento do metal”.

Compra instalações e fica com a marca
Em 1965, o empresário compra as atuais instalações e a marca de material elétrico que ali funcionava: ETM (Empresa Técnica de Metalurgia). Não seguiu com aquele negócio e decide ampliar o das peças e componentes para cortinados. Ao nome comercial acrescentaria um “A”… para adotar a designação que os trabalhadores usavam para facilitar na oralidade.

Parafusos ajudam a saltar no Benelux
Nos anos 1970 investe no fabrico de parafusos e passa a vender o kit completo aos montadores de cortinados. Na década seguinte começa a exportar esses produtos originais em grandes quantidades para a Bélgica e Holanda, dando “o grande salto” de dimensão.

Subcontratação no lugar da marca
No início deste século, a empresa decide inverter por completo o modelo de negócio, impulsionada pelo levantamento de barreiras à entrada de produtos chineses na Europa. E em vez de um catálogo de produtos próprios e com a sua marca, passa a “vender processos” e dedica-se à subcontratação industrial, apostando em “valor acrescentado e produtos com tecnologia e feitos à medida”.

 

 

2 thoughts to “Metal de Braga “aparafusa” fábrica na República Checa”

  1. Gostei muito do artigo.
    A internacionalização das empresas portuguesas é sempre uma óptima notícia.

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