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Mangualde deixa Reino Unido por causa do Brexit e ressuscita Opel Combo

A fábrica de Mangualde do grupo Peugeot-Citroën (PSA) vai começar a produzir três modelos a partir de outubro. O Opel Combo irá juntar-se na linha de montagem aos modelos comerciais Citroën Berlingo e Peugeot Partner, substituindo a produção de carros com volante à direita que vão deixar de ser exportados para o Reino Unido por causa do brexit.

in Dinheiro Vivo, por Diogo Ferreira Nunes, 19-07-2019


“A partir de outubro, vamos deixar de fabricar carros com volante do lado direito, que são exportados, sobretudo para o Reino Unido, para nos protegermos do brexit e dos seus impactos políticos e económicos”, explica a PSA Mangualde em declarações ao Dinheiro Vivo. “Assim, é mais fácil adaptar a produção ao Opel Combo”, sem necessidade de novos investimentos ou reforço das equipas.

O primeiro Combo made in Mangualde saiu da linha de montagem na terça-feira, mais de 12 anos depois do último carro produzido pela Opel em Portugal. Para já, é um veículo em pré-série “para verificar se o processo está preparado ao nível dos sistemas informáticos, meios, peças e formação”.

Na primeira semana de setembro, irá decorrer a segunda fase de pré-séries, em que serão montadas 12 unidades. O ritmo de produção irá aumentar até ao início da montagem em série, agendado para outubro. Nessa altura, este modelo da Opel irá representar 12% da produção da fábrica de Mangualde, entre 10 500 e 12 000 veículos ainda neste ano. Serão produzidas as variantes comercial e de passageiros.

Portugal, Espanha, França e Itália serão os quatro principais mercados do Opel Combo, que será produzido em conjunto com a unidade de Vigo, tal como já acontece com a Citroën Berlingo e a Peugeot Partner.

A PSA Mangualde assinala ainda que “este novo produto vai possibilitar uma maior estabilidade e flexibilidade dos volumes de produção, para responder a um mercado automóvel volátil e cada vez mais exigente”.

Nos primeiros seis meses de 2019, a fábrica de Mangualde produziu 38 mil automóveis, mais 15,1% do que no mesmo período do ano passado (33 mil unidades). Desde abril de 2018, a fábrica do grupo liderado por Carlos Tavares labora com três turnos diários de trabalho. Este ano, prevê bater o recorde de produção, ao produzir entre 70 mil e 80 mil automóveis.

O último Combo feito em Portugal tinha sido fabricado em dezembro de 2006, quando foi encerrada a fábrica da Opel em Portugal na Azambuja – na altura, a marca pertencia ao grupo General Motors.

Arranque no meio de greve

O início da produção do Opel Combo ocorre num momento em que os trabalhadores da fábrica de Mangualde estão a fazer greve ao trabalho aos sábados até ao final do ano. Os operários exigem negociar com a administração um novo regime de banco de horas. A administração já ameaçou fechar a unidade do distrito de Viseu se não houver um regime de trabalho flexível.

Desde 13 de julho e até ao final deste mês, os operários estarão seis dias consecutivos, na linha de montagem, com turnos diários de até 10 horas. Em troca, a PSA Mangualde diz que vai pagar um prémio extraordinário de 17 euros por cada sábado de trabalho a mais. Este cenário vai repetir-se em agosto: apesar de a fábrica parar três semanas, será necessário trabalhar nos sábados e domingos, na semana antes e depois da pausa de Verão. Por esses quatro dias a mais, a PSA Mangualde compromete-se a pagar um prémio extraordinário de 50 euros.

 

 

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