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Indústria portuguesa de componentes fornece grupos Renault e Fiat Chrysler

Ainda são desconhecidos efeitos da possível fusão Renault-FCA junto das indústrias portuguesas de componentes automóveis. Na Renault Cacia foi contratualizado com o Estado português um investimento no tempo do anterior ministro da Economia, Manuel Caldeira Cabral.

in Jornal Económico, por João Palma Ferreira, 28-05-2019


É difícil desagregar os componentes produzidos em Portugal para as fábricas dos grupos Renault e FCA – Fiat Chrysler Automobiles entre os cerca de 1,5 mil milhões de euros exportados pela indústria portuguesa de componentes automóveis nos dois primeiros meses do ano. Além da produção da fábrica da Renault em Cacia, perto de Aveiro, os fabricantes portugueses da indústria de componentes asseguram habitualmente alguns produtos do segmento premium, sobretudo nos estofos de pele e nos acabamentos de volantes forrados a pele, mas também nos fornecimentos mais recorrentes de tecidos para estofos, de molas dos assentos, dos moldes para uma diversidades de peças técnicas e dos vidros, tudo exportado e com volumes a baterem recordes, seguidos por recordes.

Os 1,472 mil milhões de euros exportados em janeiro e fevereio de 2019, constituem o mais recente recorde, segundo dados da Associação de Fabricantes para a Indústria Automóvel (AFIA), que compara com os 1,381 mil milhões registados no período homólogo de 2018, ou com os 1,258 mil milhões relativos a igual período de 2017. Assim de 2018 para 2019 o aumento do valor exportado foi de 6,6% mas em relação a 2010 foi de 85%. Contactadas pelo Jornal Económico, fontes da AFIA não fizerem comentários.

Face à totalidade das exportações portuguesas, os componentes automóveis pesam 15%. Em Janeiro e Fevereiro a indústria nacional de componentes para automóveis exportou 1,339 mil milhões de euros para a União Europeia (cerca de 91% do total) e 133 milhões de euros para o resto do mundo. Os maiores clientes estão em Espanha (o mercado vizinho ocupa o primeiro lugar com 398 milhões de euros), seguindo-se a Alemanha, França e o Reino Unido. Apesar de ser difícil quantificar o valor total da produção de componentes exportados para as fábricas dos dois grupos Renault e Fiat, pelos mercado de destino das exportações admite-se que é impossível falhar fornecimentos de componentes portugueses às marcas dos dois grupos.

Sem possibilidade de dúvidas encontra-se a exportação da fábrica da Renault Cacia, em Aveiro, que exporta para as suas próprias marcas e recebeu incentivos financeiros do Governo de António Costa para viabilizar um dos últimos investimentos decididos pelos franceses em Portugal, que ascenderam a 47,9 milhões de euros.

Assim, a Renault Cacia concretizou o seu mais recente investimento apoiada pelo Sistema de Incentivos à Inovação Empresarial e Empreendedorismo, detalhado pelo Regulamento Específico do Domínio da Competitividade e Internacionalização, ainda no tempo do anterior ministro da Economia, Manuel Caldeira Cabral.

Este investimento permitiu produzir a nova caixa de velocidades JT4 para veículos ecoeficientes e também os novos componentes das caixas de velocidades TX26 e TX30, tendo como objetivo criar 1.250 empregos indiretos. Desde 2015, o valor acumulado das vendas da Renault Cacia deverá atingir 3,42 mil milhões de euros em 2026.

Um dos riscos das fusões será a justaposição de capacidades de produção e as respetivas redundâncias que servem para melhorar o desempenho industrial das marcas que procuram fusões, mas geram postos de trabalho excedentes.

Ainda ninguém sabe esclarecer se a hipotética fusão Renault-FCA terá muitas redundâncias, nem em que países serão identificáveis.

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