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Indústria dos componentes automóveis tem ano recorde, mas coloca travões no otimismo

Exportações vão chegar aos 9,4 mil milhões de euros, mais 7% face do que em 2017. “Foi um bom ano”, diz o sector. Já para o futuro, há sombras no horizonte

in Expresso, por Margarida Cardoso, 04-12-2018


 

No momento de fazer o balanço do ano, a AFIA – Associação de Fabricantes para a Indústria Automóvel antecipa um recorde na produção e nas exportações, com as vendas ao exterior a somarem 9,4 mil milhões de euros, o que representa um crescimento de 7% face a 2017.

A produção total do sector, considerando as entregas a fabricantes automóveis instalados em Portugal, como a Autoeuropa e a PSA, segue na mesma linha, atingindo os 11 mil milhões de euros, antecipa Adolfo Silva, da direção da AFIA.

Numa década, as exportações da fileira saltaram 74%, com a produção total a acompanhar esta performance. E hoje, a indústria dos componentes automóveis soma 235 empresas e 55 mil trabalhadores em Portugal, mais 4 mil do que um ano antes.

A puxar pelo sector está, também, o lançamento de novos modelos automóveis nos principais fabricantes de automóveis portugueses.

“Tudo isto traduz uma boa realidade e o bom ano que vivemos em 2018”, diz Adolfo Silva, sublinhando que a indústria dos componentes tem vindo a crescer em vendas, exportações e empregabilidade desde o início da década.

“CADA TOSTÃO TEM IMPLICAÇÃO”

No entanto, confrontado com a pergunta: “E vai continuar a ser assim no futuro?”, o dirigente associativo fala “em sérias preocupações”. E explica: “O sector automóvel vinha a crescer de forma moderada, mas sustentada, 2% ao ano no continente europeu, mas 2018 já não vai ser assim. Vão-se montar menos carros na Europa. E todos falam de abrandamento no futuro próximo”, afirma.

Se o sector cresceu em Portugal, foi a exportar 92% do que produz para a Europa, em especial para Espanha, e a vender para fabricantes como a Autoeuropa e a PSA, além de outros de dimensão mais pequena como a Salvador Caetano.

O sector automóvel na Europa tem crescido 2% ao ano, mas o mercado está a retrair-se e uma quebra pode significar que tudo mudará. Aliás, a AFIA já tinha lançado um alerta para o futuro em outubro, quando referiu, em comunicado, que produção de automóveis em Portugal e Espanha dificilmente continuará a crescer, a não ser através da eventual instalação de um novo construtor automóvel, o que é apenas uma possibilidade longínqua”.

Agora, Adolfo Silva reitera que s nuvens no horizonte aparecem em várias frentes, do impacto do Brexit à guerra das tarifas aduaneiras nos EUA ou à pressão da regulação ambiental, que a par da redução das emissões do C02 trará novos desafios.

Ao mesmo tempo, o sector está a mudar com novas tendências de mobilidade, dos automóveis elétricos ao carsharing. “Todos os estudos voltados para o futuro apontam para um decréscimo na procura de componentes e, face à produção instalada isso terá consequências”, antecipa.

Desde logo, diz “aumentará a pressão sobre os custos de produção num sector em que cada tostão já tem implicação” e em que Portugal “aparece com custos de contexto menos competitivos do que outros concorrentes, da energia à sua posição geográfica, no extremo sul da Europa, a 2 mil quilómetros do centro europeu, sem verdadeiras alternativas ao transporte rodoviário”.

Mas a tudo isto, há já outras preocupações no horizonte, como destaca Adolfo Silva quando refere que países, como a França “estão a estudar a imposição de taxas anuais para os camiões que atravessam o seu território”, o que tornará automaticamente mais caro o envio de componentes e de automóveis fabricados em Portugal e Espanha para o centro da Europa.

 

 

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