Skip to main content

Indústria de componentes gera negócios de 11,3 mil milhões de euros

Praticamente todos os carros fabricados na Europa têm componentes made inPortugal.
Exportações somaram 9,4 mil milhões no ano passado. Distrito de Leiria tem 15 das 265 fábricas do sector

in Jornal de Leiria, texto de Raquel de Sousa Silva e foto de Ricardo Graça, 28-02-2019


Ancorada em novos clientes e novos projectos, em produtos com maior valor e em novas empresas, a par de um “forte investimento [800 milhões de euros em 2018]”, a indústria portuguesa de componentes cresceu nos últimos dez anos de forma sustentada, “a uma taxa superior à dos seus mercados”. No ano passado, o volume de negócios gerado atingiu os 11,3 mil milhões de euros, um crescimento de 8% face a 2017, segundo dados da Associação de Fabricantes para a Indústria Automóvel.

De acordo com a AFIA, 98% dos carros fabricados na Europa têm componentes made in Portugal. Espanha (21%), Alemanha (17%), França (12%) e Reino Unido (8%) são os principais destinos das exportações nacionais, que no ano passado somaram 9,4 mil milhões de euros, um aumento de 6% em relação a 2017. Tal desempenho tem sido possível porque o sector é constituído por empresas com um perfil altamente tecnológico, com padrões de grande exigência e rigor.

No último encontro que a associação promoveu, Tomás Moreira, presidente da AFIA lembrou que se registam mudanças significativas na indústria automóvel, que trazem consigo novos desafios para o sector dos componentes: limitações nas emissões, motorizações alternativas, conectividade e novos conceitos de mobilidade, entre outras. No evento, a associação apontou ainda outros constrangimentos que a indústria portuguesa de componentes enfrenta: os custos operacionais (logísticos, de energia, dos factores de produção e decorrentes da burocracia e da regulamentação) e a falta de alternativa ferroviária à rodovia.

Este e outros riscos podem colocar em cheque a performance de um sector que dá emprego directo a 55 mil pessoas, nas 265 fábricas existentes em Portugal. A Iber-Oleff é uma delas. Nesta fábrica de Pombal são desenvolvidos e produzidos componentes cinemáticos e decorados para interiores de automóveis, tais como ventiladores, frentes de rádios, porta copos e porta objectos. Entre os seus principais clientes directos estão marcas como a VW, Audi, Porsche, BMW, Toyota, McLaren, Jaguar, Ford, Honda, Fiat, Bosch, Aptiv, Visteon e Rydel.

Os “elevados valores de investimento necessários para o desenvolvimento e industrialização de cada novo projecto, agravados pela elevada volatilidade dos mercados e tecnologias, assim como a velocidade necessária para a integração logística da diversidade de componentes e tecnologias que são requeridas” são alguns dos principais constrangimentos que o sector dos componentes enfrenta, aponta o director-geral da empresa.

José Valente diz que “é pertinente tomar em consideração os desafios do crescimento acelerado da concorrência global ao nível de fornecedores acreditados”, assim como da “grande necessidade de criar competências e recursos suficientemente ágeis e capazes de fazer face ao constante desenvolvimento da integração de tecnologias no sector produtivo, e fazer face aos desafios permanentes não só de produtividade como da tecnologia em constante mutação”.

Tendo em conta as mudanças na indústria automóvel, nomeadamente no que toca à tendência de electrificação, o gestor diz que a Iber-Oleff tem vindo ao longo dos anos a preparar-se, com parcerias e projectos de R&D tecnológicos nas áreas que identifica como cruciais, monitorizando as tendências e estratégias dos seus clientes e do mercado em geral.

 

 

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Fica a saber como são processados os dados dos comentários.