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Indústria automóvel. FMI deixa avisos sobre sector que vale 15% das exportações portuguesas

As perspetivas de curto prazo para a indústria automóvel permanecem “lentas”, avisa o Fundo Monetário Internacional no World Economic Outlook, publicado esta terça-feira. O cenário é “conservador” para um sector que vale 15% das exportações portuguesas de bens

in Expresso, por Sónia M. Lourenço, 15-10-2019


A indústria automóvel registou em 2018 a primeira contração a nível global desde 2009 e as perspetivas para 2019 e 2020 não são famosas. Quem o diz é o Fundo Monetário Internacional (FMI), no World Economic Outlook, publicado esta terça-feira, em Washington, onde decorre a assembleia-geral da organização, em conjunto com o Banco Mundial. É um alerta para Portugal, já que o sector é um dos mais importantes nas exportações portuguesas de bens, representando 15% do total nos primeiros nove meses deste ano, indicam os dados do Instituto Nacional de Estatística.

No ano passado, a evolução negativa da indústria automóvel no foi “um fator importante no abrandamento” da economia global, constata o FMI. Até porque estamos a falar de um sector “interligado a nível global com uma grande pegada económica”, frisa o Fundo.

Basta notar que os veículos e as suas partes e acessórios ocupam o quinto lugar no ranking das exportações globais de produtos, representando cerca de 8% do total em 2018.

Segundo as estimativas do FMI, a contração na produção automóvel retirou 0,04 pontos percentuais ao crescimento global no ano passado que, recorde-se, abrandou de 3,8% em 2017, para 3,6%.

Uma evolução negativa associada a fatores como a reversão de cortes fiscais na China, condições finaceiras mais apertadas, o aumento das tarifas sobre a importação de veículos, o lançamento de novos testes sobre as emissões poluentes na Europa. E que tem como pano de fundo a mudança do diesel para a gasolina e para os veículos elétricos.

E o cenário para a indústria automóvel continua a não ser animador. O FMI fala em perspetivas “lentas” no curto-prazo e num cenário “conservador”. Muito por causa do agravamento das tarifas alfandegárias, no contexto da guerra comercial entre Washington e Pequim e da incerteza relacionada com o Brexit.

Em Portugal, o ano está a ser positivo para o sector, com as exportações a subirem 13,8% entre janeiro e agosto, para 5,93 mil milhões de euros, impulsionadas pela produção do T-Roc na Autoeuropa. E a evolução positiva estende-se a outras unidades industriais.

Contudo, com as projeções internacionais a apontarem uma contração na produção global este ano e uma estagnação em 2020, os sinais são de alerta para a economia portuguesa.

 

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