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Falta de Semicondutores na Indústria Automóvel

A crise de escassez de semicondutores atingiu a indústria automóvel numa altura em que o sector começava a sentir uma ligeira recuperação dos níveis de produção na sequência de um abrandamento dos casos Covid-19.

in Revista Automotive, Edição n.º 94, Julho-Agosto 2021, artigo de opinião de Adão Ferreira*, 09-08-2021


O aumento da procura de chips da indústria automóvel começou quando as linhas de fornecimento de semicondutores (localizadas essencialmente na Ásia, nomeadamente em Taiwan) já estavam sobrecarregadas por uma procura significativa de chips do sector da eletrónica de consumo, para telefones e infraestruturas 5G, novas plataformas de videojogos, e equipamento informático.

A tendência é incontornável, é que a procura automóvel de semicondutores continuará a crescer em grande escala devido à quota crescente de tecnologias de condução autónoma e assistida para manter os condutores confortáveis e seguros, bem como a eletrificação dos veículos com a gestão sofisticada exigida do desempenho da bateria e outros componentes eletrónicos.

Efetivamente algumas fábricas de construção automóvel na Europa já tiveram que parar temporariamente a produção por falta de chips. Pelo que esta situação também está a afetar a indústria portuguesa de componentes para automóveis dadas as paragens na produção dos seus clientes.

A Europa tem que apostar no fabrico e investigação & desenvolvimento de chips, para não estar tão dependente da Ásia. O sector automóvel a nível mundial é responsável por cerca de 10% da procura de semicondutores, na Europa esse valor sobe para 37%.

A falta de chips para os construtores de automóveis está a arrastar toda a cadeia de fornecimento.

A realidade anunciada de falta de chips no mercado por um período de 2 anos é uma catástrofe.

Grandes dificuldades na organização do trabalho e no controle do aprovisionamento devido à incerteza dos programas ou às paragens não programadas dos clientes.

Em paralelo a estas enormes dificuldades organizativas, há uma quebra acentuada nas vendas ao que se junta a escassez e/ou atrasos na entrega e uma inflação galopante no custo das matérias-primas, nem sempre possível integrar no preço de venda.

O custo logístico de importações / exportações também está em alta, devido à falta de contentores.

Para mitigar estes problemas as empresas estão a aumentar, quando possível, os stocks de segurança, para não falharem com as encomendas variáveis dos clientes.

É importante a revisão da imposição das quotas de importação do aço, sobretudo porque está-se numa fase de escassez de oferta e de subidas de preços completamente insustentáveis, afetando de forma muito significativa a indústria europeia.

A Europa tem que tomar medidas de auto suficiência para não estar tão dependente de mercados externos e apostar numa verdadeira política de Reindustrialização.

 

*Adão Ferreira
Secretário-Geral da AFIA – Associação de Fabricantes para a Indústria Automóvel

 

Aceda aqui à Edição n.º 94 | Jul-Ago 2021 da Revista Automotive

 

 

 

One thought to “Falta de Semicondutores na Indústria Automóvel”

  1. A Europa adormeceu nesta área dos semicondutores, não fez nada para que esta situação não acontecesse.
    Devido ao aumento de novas tecnologias nas viaturas deveríamos estar a verificar a possibilidade de produzir mais semi-condutores na Europe e não permitir que grande parte desta produação seja sómente na Asia.

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