Portugal como país produtor automóvel é mais um “argumento” para a captação de investimento. A AICEP garante que já usa o aumento do volume de produção como argumento na promoção.
in Negócios, por Pedro Curvelo, 12-07-2019
A Agência para o Investimento e Comércio Externo de Portugal (AICEP) garante ao Negócios que o volume de produção automóvel já é usado como argumento para “vender” Portugal no exterior. “O aumento do volume de veículos produzidos é enfatizado na abordagem comercial da AICEP como demonstração da capacidade do país em desenvolver estes projetos”, refere ao Negócios Luís Castro Henriques, presidente da AICEP.
“Em todas as nossas apresentações do setor automóvel, apresentamos não só a produção em Portugal, como também na região europeia O objetivo é demonstrar que estamos integrados numa zona de forte produção automóvel, sendo PortugaI um importante foco. Além disso, o aumento de produção da Autoeuropa, acordado em 2014, é sempre destacado, uma vez que coloca Portugal noutro patamar”, sublinha.
Para o secretário-geral da ACAP, Hélder Pedro, “sem dúvida” que a entrada de Portugal no “clube” de países produtores automóveis proporciona “argumentos muito fortes para a AICEP captar investimento direto estrangeiro, inclusive ao nível das fabricantes automóveis”.
“O investimento no sector automóvel contratado pela AICEP, entre 2014 e 2018, tem tido um crescimento sustentado, alcançando o montante de 1,5 mil milhões de euros, dos quais 83 milhões são projectos de I&DT (investigação e desenvolvimento tecnológico)”, assinala, destacando que “com estes projetos houve a criação de cerca de quatro mil novos postos de trabalho e a manutenção de mais de 25 mil”, salienta o presidente da AICEP.
O setor automóvel apresenta uma balança comercial externa positiva desde 2011 e, no período pós-crise, as exportações cresceram 92,5% até 2018. Aliás, estes números demonstram que o setor automóvel foi um dos principais motores da economia portuguesa, tanto a nível das exportações como do investimento” argumenta Luís Castro Henriques.
As exportações de veículos aumentaram mais de 30% desde 2011, para os 3.445 milhões de euros no ano passado, segundo dados do Instituto Nacional de Estatística (INE).
Também Adão Ferreira, secretário-geral da AFIA – Associação de Fabricantes para a Indústria Automóvel, refere que as exportações cresceram 81 % na fileira de componentes desde 2010.
“Cada vez mais, empresas da indústria de componentes para automóveis instaladas em Portugal investem em projetos ele expansão e em novas localizações no país, com contributos fundamentais para as exportações, o emprego e a inovação”, assinala, por seu turno, o presidente da AICEP.
E, “paralelamente, diversas empresas têm vindo a reforçar as suas unidades de produção, o que tem impactos significativos no crescimento das redes de fornecedores em Portugal. Estas são fundamentais para aproximar as empresas e assegurar um maior valor acrescentado nacional”, acrescenta o mesmo responsável.
A aposta em centros tecnológicos automóveis
“Uma tendência crescente que temos vindo a acompanhar é a vinda de Centros de Serviços, de Desenvolvimento de Software, de Competências e Tecnológicos para Portugal, cada vez mais especializados e com maior valor acrescentado”, diz Castro Henriques. ”A aposta de empresas como a Volkswagen, BMW e Mercedes-Benz, que escolheram recentemente Portugal para desenvolver os seus Centros Tecnológicos, é disso um excelente exemplo”.
Quanto aos veículos elétricos, Luís Castro Henriques afirma que “a AICEP tem desenvolvido várias diligências que abrangem diferentes níveis do setor, desde baterias a veículos, também olhando para o potencial de I&D. Temos desenvolvido diversas missões no estrangeiro, nomeadamente à China”.