Skip to main content

Definindo a mobilidade de amanhã

Artigo de opinião de Adão Ferreira | Secretário-Geral da AFIA – Associação de Fabricantes para a Indústria Automóvel

in Green Future – Auto Magazine, 25-02-2021


Como será o futuro da mobilidade? As pessoas e os bens precisam de passar do ponto A para B de uma forma segura, limpa e acessível. Os hábitos das pessoas estão a mudar, mas mesmo daqui a 10, 20, 30 ou mais anos a mobilidade pessoal continuará a ser um dos alicerces das sociedades e da economia. Haverá mais opções para a mobilidade individual do que hoje, quer sejam a posse de automóvel, a partilha de automóveis ou toda uma nova gama de ofertas de transportes públicos.

Multimodal e tecnologicamente diversificado serão as características que definirão o ecossistema da mobilidade de amanhã. Os construtores e seus fornecedores de automóveis, estão a adaptar-se para ajudar a realizar a maior transformação da indústria em mais de cem anos. A mobilidade tornar-se-á mais eficiente e os fabricantes de componentes para a indústria automóvel ajustar-se-ão para fornecer a tecnologia necessária para as novas motorizações. Os veículos tornar-se-ão mais automatizados e os fornecedores fabricarão sistemas de segurança e assistência com sensores e inteligência artificial que estejam à altura do desafio. E, à medida que a indústria automóvel avança para novos modelos de negócio partilhados, a indústria de componentes para automóveis desempenhará um papel de liderança no desenvolvimento de novos conceitos para este novo e excitante campo.

Todavia uma transição controlável, para o clima, indústria e emprego, assenta em tecnologias competitivas tais como o motor de combustão interna, híbridos plug-in, células de combustível e veículos elétricos. Só uma transformação que seja industrialmente bem-sucedida e socialmente aceite pode ser politicamente sustentável e alcançar o objetivo da neutralidade climática.

Os fabricantes de componentes para automóveis estão comprometidos com as metas de Paris para mitigar os efeitos das alterações climáticas, e pretendem cumpri-las fazendo uso de todo o seu conhecimento e das suas próprias inovações.

A indústria automóvel está a passar um momento crucial com o processo de reindustrialização, para fazer face aos desafios da descarbonização e digitalização que surgem para fazer face à nova indústria da mobilidade. Tudo isto, no contexto do forte impacto económico e industrial da crise COVID-19 no setor, o qual veio estabelecer novos objetivos, a curto prazo, de recuperação da procura e da produção. Por conseguinte, é necessário um trabalho conjunto e o compromisso do Governo com o setor, para restabelecer os níveis pré-crise e liderar esta transformação, garantindo que o setor automóvel possa manter a sua relevância e liderança no futuro.

Tendo em conta o próximo Plano Europeu de Recuperação e Resiliência, o setor automóvel necessita de uma dotação financeira significativa para garantir não só a recuperação aos níveis pré-crise, mas também um maior crescimento sustentável para reforçar o seu papel como motor para os outros setores da nossa economia.

A indústria automóvel tem uma relevância importante para a economia de Portugal, devido à sua capacidade de exportação, à criação de empregos qualificados, ao valor acrescentado e ao efeito catalisador noutros setores, nomeadamente enquanto motor da capacidade competitiva do ecossistema científico. Por isso, é fundamental estabelecer um quadro que garanta uma transformação cuidadosamente gerida para alcançar com sucesso a descarbonização e a digitalização da economia.

 

Nota: Este artigo não implica nem reflete necessariamente a opinião da AFIA – Associação de Fabricantes para a Indústria Automóvel, mas apenas a do autor.

 

 

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Fica a saber como são processados os dados dos comentários.