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Declarações do Presidente da AFIA ao jornal de Negócios sobre o Orçamento de Estado

Extrato do artigo com as Declarações de José Couto, Presidente da AFIA, ao jornal de Negócios sobe o Orçamento de Estado para 2022

in Negócios, por Pedro Curvelo, 21-10-2021


1. Como qualifica este Orçamento do Estado?

José Couto | Não vislumbramos neste OE a ambição de incrementarmos a competitividade da economia nacional, o que pressupõe a introdução de alterações substanciais, na forma de dinamizar e apoiar o investimento privado e orientar o investimento público para uma dimensão de incremento dos fatores diferenciadores que permitam que as empresas nacionais e internacionais invistam com sucesso no território nacional. Os diagnósticos são muitos e têm um conjunto de conclusões comuns, que vão desde as questões da carga fiscal, às infraestruturas de apoio à atividade produtiva, com especial relevância o que se refere ao transporte de mercadorias, ao peso da administração pública e da ineficaz e ineficiente prestação de serviços à atividade produtiva, bem como à manutenção de um conjunto de práticas, princípios ideológicos e excessos de tributação, que não permitem acabar com custos de contexto. Não é um OE que ponha em relevância o papel das empresas para o relançamento da t economia.

2. De que forma é que vai impactar a atividade das empresas e/ou setores?

José Couto | A indústria automóvel vive um momento de grande instabilidade com os problemas. de abastecimento de matérias-primas e encarecimento do seu custo e mudança de paradigma na mobilidade. As projeções apontam na Europa para 16 milhões de veículos automóveis ligeiros produzidos neste ano de 2021, menos 600 mil •veículos face ao ano passado (-3,4%). Refira-se que em,2020 a produção caiu 21,7% face a 2019. As estimativas para 2022 assinalam um crescimento para 18,6 milhões, mas 24,4% abaixo ao verificado no período pré-pandemia. Em 2019 foram produzidos na Europa 21,2 milhões de veículos automóveis ligeiros.

O cluster da indústria automóvel tem importância relevante para a economia nacional, pela sua capacidade exportadora, por criar empregos qualificados, por acrescentai’ valor e ter um efeito de arrasto e catalisador sobre vários setores, em especial como indutor sobre a capacitação competitiva do ecossistema científico. Porém, esta conjuntura teve e terá efeitos destrutivos sobre esta indústria, devido às ondas de choque que chegaram dos clientes, que reagem a um quadro complexo de bloqueio do mercado e ao processo acelerado de incorporação dos desígnios do “European Green Deal”. Portanto, este OE deveria englobar instrumentos capazes de introduzir fórmulas para ultrapassarmos o momento e no mesmo tempo estabelecer condições de recuperação e desenvolvimento. Na verdade, consideramos que o orçamento não é estimulante para a atividade empresarial, para d investimento, para o apoio às empresas que, para além de terem que lutar pela sobrevivência, perderão capacidade competitiva e, por isso, correm o risco de não entrarem em novos projetos de construção de novos produtos de veículos automóveis.

3. Que medidas deveriam se introduzidas para o melhorar?

José Couto | O OE deverá manter instrumentos que sustenham a destruição de emprego, que resulte da diminuição da atividade produtiva, por via das alterações dos mercados de matérias primas causadas pela pandemia, como é o caso dos chips e das alterações impostas por novos conceitos de mobilidade, em especial no seio das cidades… O que levará ao encerramento de unidades produtivas, não podendo deixar de ter preocupações ao nível do relançamento da atividade produtiva sem perder o sentido da manutenção da competitividade. O que significa que terão que existir políticas de preservação do emprego, manutenção e recuperação dos programas de investimento e incrementar a resposta aos novos projetos dós construtores automóveis. Não podendo deixar de estar atento às práticas dos nossos concorrentes, países europeus, que apoiam a indústria reforçando a resposta das empresas.

O que sugerimos é um forte apoio ao investimento:

  • Lançamento de programas que permitam a participação da indústria automóvel nacional em novos projetos, ligados a soluções tecnológicas compaginadas com os novos veículos automóveis.
  • Reconversão das soluções energéticas e introdução de conceitos da i4.0.
  • Financiamento através de subvenção; consolidação da autonomia financeira das empresas.
  • Incentivos à capitalização das empresas.
  • Medidas de apoio fiscal; estímulo ao investimento; à I&-D; manutenção e capacitação do emprego; e política de reforço da internacionalização.
  • Reconversão do quadro RH das empresas.
  • Programas de reconversão com diminuição apoio da de horários de trabalho.
  • Qualificação das organizações – incremento dos processos de gestão; fomento da dimensão das empresas.
  • Investimento em infraestruturas – logística (rede , ferroviária transeuropeia de mercadorias e rede de passageiros); início da construção da rede de comunicação 5G.

4. Considera que existe o risco do OE ser chumbado?

José Couto | Sim, considero que isso é possível, porque os partidos que têm sido parceiros pedem coisas que limitam o futuro do país e que nos atiram, no curto prazo, para a cauda da UE.

 

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