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Declarações da AFIA ao Expresso sobre as Exportações de Componentes Automóveis

Componentes de automóvel atingiu recorde de exportação em 2019

A indústria portuguesa de componentes automóveis é um exemplo. Com um crescimento de 4,2%, o sector alcançou em 2019 um novo recorde nas exportações, pelo sexto ano consecutivo, apesar de a produção automóvel na Europa — para onde vão 92% do total — não atravessar um bom momento. Qual é o segredo? “Aumento da penetração e da quota de mercado portuguesa”, explica Adão Ferreira, secretário-geral da Associação de Fabricantes para a Indústria Automóvel, destacando “a qualidade do produto, prazos de entrega curtos, excelência do serviço e custos competitivos”. Quanto a 2020, “é uma incógnita”, considera, antecipando, ainda assim, que as exportações continuem a crescer, mas “a um rimo mais lento, entre 1% e 2%”.


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Exportações abrandam em 2019, e em 2020 pode ser ainda pior

Arrefecimento dos principais mercados e perda de gás nos ganhos de quota de mercado são ameaças. Mas há oportunidades para crescer

in Expresso, por Jorge Nascimento Rodrigues e Sónia M. Lourenço, 22-02-2020


Foram o grande motor da recuperação da economia portuguesa no pós-crise, mas as exportações nacionais perderam dinâmica nos últimos dois anos e podem voltar a perder gás este ano, apesar dos esforços de diversificação e de algum otimismo em vários sectores. É que o crescimento económico no conjunto dos 20 maiores mercados portugueses vai abrandar — de 1,3% para 1,2% em média — e o Banco de Portugal alerta que os ganhos em quotas de mercado estão a desacelerar.

Com a economia internacional — e europeia em particular — a abrandar, a incerteza em torno do ‘Brexit’ a condicionar os negócios e a guerra comercial entre Washington e Pequim ao rubro até quase ao final do ano, as exportações portuguesas de bens aumentaram apenas 3,6% em 2019, em termos nominais. Um crescimento que sai a perder na comparação com 2018 (5,1%) e sobretudo com 2017, quando cresceram 10%, uma dinâmica de dois dígitos que já não se via desde antes do resgate da troika.

Também no ganho de quota nos mercados externos, a economia portuguesa perdeu gás. Depois de um período de perdas nas quotas entre 1995 e 2005, a trajetória tem sido de subida, com exceção de 2008 e 2014. Em 2017, a variação atingiu um pico de 3,4%, e desde aí tem vindo a desacelerar (ver gráfico). No Boletim Económico de dezembro do Banco de Portugal prevê-se que o aumento da quota externa registe “uma magnitude decrescente ao longo de 2020 a 2022”.

Componentes de automóvel, fileira do metal e vinhos atingiram recordes de exportação em 2019

As projeções de crescimento nos principais mercados de destino não são, de facto, animadoras. Entre os 20 maiores mercados das exportações portuguesas de bens — representando 85% do total — 12 devem ver o seu crescimento abrandar. Com destaque para a vizinha Espanha, que vale um quarto das vendas portuguesas e cuja economia cresceu 2% no ano passado, mas deve ficar pelos 1,6% este ano e 1,5% em 2021. Tudo somado, o crescimento económico nesse conjunto de países foi, em termos médios (ponderados pelo peso de cada um nas vendas portuguesas ao exterior), de 1,3% em 2019. Um valor que recua para 1,2% em 2020, assumindo que o peso de cada país no total se mantém inalterado.

Mais ainda, o crescimento médio dos principais mercados só não cai mais por causa da Alemanha. Depois de uma expansão económica de apenas 0,6% em 2019, as projeções apontam para 1,1% em 2020 e 2021. Um número modesto, é certo, mas que é quase o dobro do do ano passado. O problema é que esta projeção está rodeada de grande incerteza (ver texto nesta pág.).

OPORTUNIDADES DENTRO E FORA DA ZONA EURO

O abrandamento dos principais mercados das exportações portuguesas é uma ameaça, mas não é uma sentença final (ver tabela). Mesmo dentro da zona euro, há oportunidades por explorar, diz Charles Wyplosz. Para o académico do Graduate Institute na Suíça. “a diversificação para fora não é a principal via para recuperar o crescimento, a meu ver, pois há fontes inexploradas dentro da zona euro que é a maior zona económica integrada, maior do que o próprio mercado dos EUA”. Wyplosz adianta que é preciso acabar com os entraves à concorrência dentro da zona euro, onde ainda há muitas regulações protegendo mercados, subsídios e rendas de oligopólio.

Olhando para fora da zona euro, nos 20 principais destinos, há seis economias que vão acelerar significativamente durante estes dois anos — Angola (que sai da recessão), Brasil, Marrocos, Suíça, Canadá e Turquia. O Canadá tem sido mesmo um caso de estudo — as exportações para este destino aumentaram 76% em 2019. Para o economista Francisco Carballo Cruz, “as empresas portuguesas deverão apostar nos mercados fora da União Europeia onde já tenham operações e o potencial de crescimento seja significativo”. Para o professor da Universidade do Minho, “esta opção extra-UE deve ser privilegiada face à entrada em novos mercados, pois estes não geram retornos positivos nos primeiros anos de operação”. Ainda que desacelerando, há ainda economias da União Europeia como a Polónia e a Roménia que vão crescer mais de 3% ao ano.

Consolidar mercados que crescem é mais vantajoso do que entrar em novos mercados

A indústria portuguesa de componentes automóveis é um exemplo. Com um crescimento de 4,2%, o sector alcançou em 2019 um novo recorde nas exportações, pelo sexto ano consecutivo, apesar de a produção automóvel na Europa — para onde vão 92% do total — não atravessar um bom momento. Qual é o segredo? “Aumento da penetração e da quota de mercado portuguesa”, explica Adão Ferreira, secretário-geral da Associação de Fabricantes para a Indústria Automóvel, destacando “a qualidade do produto, prazos de entrega curtos, excelência do serviço e custos competitivos”. Quanto a 2020, “é uma incógnita”, considera, antecipando, ainda assim, que as exportações continuem a crescer, mas “a um rimo mais lento, entre 1% e 2%”.

A fileira do metal, no seu conjunto, registou o melhor ano de sempre, com um aumento das vendas ao exterior de 7%, para €19,5 mil milhões. Vários mercados europeus destacaram-se pela positiva, apesar do crescimento económico anémico, como a Alemanha ou a Itália. Rafael Campos Pereira, vice-presidente executivo da Associação dos Industriais Metalúrgicos, Metalomecânicos e Afins de Portugal, aponta ainda o “crescimento vertiginoso do Canadá, embora partindo de uma base pequena”. Evolução que “o acordo de livre comércio com a União Europeia favoreceu muito”. Quanto a 2020, fala em previsões “otimistas”. Mas, “tensões comerciais e instabilidade em alguns mercados podem afetar essas previsões”, reconhece.

CORONAVÍRUS ATÉ PODE AJUDAR EXPORTAÇÕES

O Canadá também esteve em destaque no têxtil e vestuário. Ainda assim, o sector fechou 2019 com uma queda de 1% nas exportações. Mário Machado, presidente da Associação Têxtil e do Vestuário de Portugal (ATP), aponta “a instabilidade política em Espanha” — país que vale 31% das exportações do sector — e “o aumento dos custos de produção, nomeadamente devido à subida do salário mínimo e à alteração do código do trabalho, com maior rigidez nos bancos de horas”, como fatores críticos, a par do ‘Brexit’. Olhando para 2020, Mário Machado fala num “enviesamento”, nesta altura, por causa do surto do coronavírus. Há “alguma dificuldade em encontrar certas matérias-primas”, mas, ao mesmo tempo, “há maior procura por produção portuguesa, como reflexo de as cadeias de distribuição quererem abastecer-se mais na proximidade”, vinca.

Também nos vinhos, 2019 foi um ano de recordes nas exportações, com um crescimento de 2,5%, “conseguido com um aumento do preço médio, o que traduz uma subida na cadeia de valor”, frisa Jorge Monteiro, presidente da ViniPortugal. Quanto ao volume de vendas “estava condicionado por uma vindima curta em 2018”, explica. Uma limitação que já não se vai sentir este ano. Mas Jorge Monteiro lembra que “o contexto internacional agitado” lança algumas sombras sobre 2020. Em particular a tensão comerciais entre Estados Unidos e a Europa, com Washington a “estudar tarifas adicionais sobre os vinhos europeus”. Ao mesmo tempo, “o mercado chinês tem vindo a fechar-se, e o surto de coronavírus vai travar o consumo”. E remata: “Acho que vamos crescer, mas, provavelmente, será necessária alguma ginástica na aposta em novos mercados.”

No turismo, onde Portugal tem estado na moda, a secretária de Estado para a área frisou ao Expresso que, na Europa, destacam-se como emissores de maior crescimento a Irlanda, Áustria, Polónia e Letónia. No resto do mundo, Rita Marques aponta Estados Unidos, Canadá e Brasil e ainda Israel, China, Argentina, México, Austrália, Coreia do Sul e Japão, onde tem sido realizada promoção do destino Portugal.

 

 

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