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Custo da energia retira competitividade à indústria automóvel nacional

O custo da energia é, a par da falta de flexibilidade da legislação laboral, um fator de perda de competitividade para a indústria automóvel portuguesa, de acordo com o presidente da Toyota Caetano Portugal. “O preço de fornecimento de energia praticado em Portugal, infelizmente, continua a ser um custo de produção que nos faz perder competitividade”, afirma José Ramos, numa entrevista à “Vida Económica” a propósito do Land Cruiser 70, modelo produzido na fábrica de Ovar para o mercado da África do Sul.

in Vida Económica, por Aquiles Pinto, 24-07-2015

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José Ramos faz alguns reparos à alegada falta de flexibilidade laboral do nosso país.

O custo da energia é um obstáculo à competitividade da indústria automóvel nacional, de acordo com o presidente da Toyota Caetano Portugal, José Ramos. “O preço de fornecimento de energia praticado em Portugal, infelizmente, continua a ser um custo de produção que nos faz perder competitividade perante mercados em que este é mais leve”, disse José Ramos à “Vida Económica”, a propósito da saída de fábrica do Land Cruiser 70 produzido para a África do Sul na fábrica de Ovar.

Alguns operadores queixam- -se, além do preço, da qualidade do fornecimento da energia. Esse não é, porém, o caso do grupo Salvador Caetano. “A qualidade não é um entrave ao desempenho da fábrica. É um imperativo imposto por nós a qualquer produção, quer no universo Toyota quer no grupo Salvador Caetano, fazendo parte do nosso posicionamento e do qual não abdicamos”, salienta o executivo.

Quanto à legislação laboral, José Ramos também não a considera um obstáculo, mas não deixa de fazer alguns reparos. “Não obstante e apesar das alterações alcançadas na legislação laboral nacional, que têm permitido uma maior aderência à nossa realidade empresarial, quando comparada com outros países, nomeadamente Espanha, esta continua a limitar a atividade das nossas empresas, não permitindo a necessária renovação de quadros e, por consequência, a atração de talento”, indica.

“A competitividade das empresas portuguesas passa por um papel mais preponderante do Estado na implementação de medidas que favoreçam a flexibilização das leis laborais, ajustada à sazonalidade da produção e aos impactos externos e flutuações de mercado”, acrescenta o presidente da Toyota Caetano Portugal.

Land Cruiser 70 vai equilibrar produção em Ovar

De janeiro a maio, a produção da unidade fabril de Ovar caiu 40,6% em relação a 2014 (348 em 2015 contra 586 no ano passado). O Toyota Land Cruiser Série 70 virá equilibrar os números, de acordo com José Ramos. “A unidade fabril da Toyota Caetano Portugal, situada em Ovar, teve de ser adaptada para a transição da produção do modelo Dyna para o novo Toyota Land Cruiser Série 70. Este processo iniciou- -se há cerca de 15 meses, embora com um impacto mais significativo no corrente ano, pelo que o ritmo de produção abrandou. O processo de adaptação e ensaio terminou com o início da produção do Toyota Land Cruiser série 70 no passado dia 1 de julho. Em virtude da adaptação necessária para acolher o novo modelo, a produção esteve parada durante quatro meses: março, abril, maio e junho”, indica.

A adaptação da produção da fábrica de Ovar ao Land Cruiser 70 arrancou há cerca de 15 meses, tendo a unidade fabril sido totalmente remodelada, num investimento global de cerca de 10 milhões de euros. Este valor foi repartido por diversas áreas, nomeadamente aquisição de novos equipamentos, formação, alteração dos processos logísticos e, inclusive, obrigando à ampliação das instalações. Vão ser produzidas seis versões do Toyota Land Cruiser Série 70 para o mercado sul-africano.

O modelo (em versão pick up) é montado em kits completos (CKD, de Complete Knock- -Down), pelo que, pelo menos neta fase, não tem uma incorporação de componentes nacionais significativa. “Em termos de valor acrescentado, nesta fase é de cerca de 15%”, refere o presidente da Toyota Caetano Portugal.

Inaugurada em 1971, ao longo dos 44 anos a fábrica da Toyota Caetano Portugal em Ovar atingiu a produção acumulada de 298 424 unidades, com mais de 10 diferentes modelos da marca japonesa. Está prevista a produção de 3000 unidades por ano, para uma capacidade instalada de 6000 unidades por ano. Atualmente, a fábrica emprega 190 colaboradores.


Paulo Portas presidiu à saída de fábrica do modelo

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“A Toyota em Portugal é um grande exemplo para as multinacionais”, destacou Portas.

A cerimónia de saída de linha da primeira unidade do Toyota Land Cruiser série 70, com destino à Africa de Sul, realizada no dia 10 de julho, foi presidida pelo vice-primeiro-ministro. Paulo Portas agradeceu a acionistas e colaboradores, reforçando que Portugal é um país confiável e atrativo para investir, e que este investimento é o resultado de uma atitude colaborativa, assim como da dedicação e empenho dos trabalhadores com a flexibilidade, em sintonia com os princípios da cultura nipónica.

Durante a cerimónia, Portas salientou também que este momento é de muita importância para Portugal, pois os Land Cruiser 70 vão contribuir para aumentar ainda mais os indicadores da balança das exportações nacionais. O representante do Governo destacou o facto de este investimento ter decorrido “num momento difícil, quando Portugal não era apetecível”, representando um compromisso entre o maior fabricante do mundo, a Toyota, e a sua representada nacional. “A Toyota em Portugal é um grande exemplo para as multinacionais”, destacou, mencionando também o contributo do atual pacote de fundos comunitários, Portugal 2020, que aposta na formação, qualificação e incremente das exportações.

Por seu lado, Didier Leroy, vice-presidente executivo da Toyota Motor Corporation, destacou a importância da fábrica lusa para a marca. “A primeira fábrica Toyota na Europa é o exemplo de um relacionamento respeitável e de longa duração entre a Toyota e Portugal. Esta unidade construída pela mão do Sr. Salvador Fernandes Caetano, em 1971, é símbolo de qualidade e fiabilidade, contribuindo para que a Toyota construísse uma reputação única em Portugal e na Europa. Estou certo de que todos os colaboradores vão aproveitar a sua experiência e conhecimento para aplicar à produção do novo Land Cruiser Serie 70”, disse.

“Este modelo surgiu no Japão, em 1984, como veículo de trabalho, tendo, ao longo dos 30 anos, ganho uma reputação única de fiabilidade e capacidade de progressão mesmo nos terrenos mais difíceis do planeta, sendo essa a razão do sucesso e da elevada procura em todo o mundo. É uma honra ver o Toyota Land Cruiser série 70, um ícone, ser produzido aqui, na fábrica da Toyota em Portugal”, acrescentou.

Já o presidente da Toyota Caetano Portugal – recentemente galardoado pelo Imperador do Japão com a “Ordem do Sol Nascente, Raios de Ouro com Laço” pelo trabalho de promoção e aprofundamento dos laços de amizade entre Portugal e o Japão – enalteceu a importância desta fábrica para a economia portuguesa. “Este projeto é um elemento essencial para a sustentabilidade de operações da primeira fábrica de automóveis da Toyota na Europa.

A produção de um novo modelo na fábrica da Toyota Caetano Portugal possui um interesse estratégico para o setor automóvel português e para a economia nacional”, afirmou José Ramos.

“Apesar da grave crise que o setor automóvel atravessou em Portugal e na Europa, que ainda não está ultrapassada, a dedicação e empenho de todos traduziram-se na continuidade de laboração desta unidade”, disse o executivo, sublinhando o papel da criação de um banco de horas e da formação profissional, assim como a disponibilidade de todos os colaboradores para assumirem tarefas até então subcontratadas”.

José Ramos aproveitou o momento para agradecer à Toyota esta aposta no nosso país: “Queria uma vez mais agradecer à Toyota Motor Corporation e também à Toyota Motor Europe pela sua abertura e disponibilidade para abraçarmos este projeto nas linhas da fábrica da Toyota situada em Portugal. A cerimónia contou ainda com a presença do secretário de Estado da Inovação, Investimento e Competitividade, do presidente da Câmara Municipal de Ovar e de altos representantes da Toyota no mundo.


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