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CRMoulds antecipa pandemia, mas não foge à crise

Natural de Santo Tirso, emigrou para a Alemanha, onde esteve dos 15 aos 32 anos. Foi um período que serviu para interiorizar conceitos de estratégia, de planeamento e de exigência, que mais tarde introduziu na sua própria empresa de moldes, a CRMoulds.

in Revista Moldes & Plásticos / Jornal de Leiria, por Lurdes Trindade, 01-10-2020


Foi criada na Marinha Grande, por ser um concelho que “visitava com frequência devido ao ar puro do pinhal e à proximidade do mar”, revela Joaquim Rodrigues, CEO da CRMoulds, que emprega, só em Portugal, cerca de 40 pessoas. A empresa tem ainda um escritório em Hong Kong, uma empresa na África do Sul e um conjunto de parcerias estabelecidas em países como México, Brasil, Irão, Argélia e Alemanha.

Joaquim Rodrigues explica que conseguiu “antecipar-se à crise Covid-19”, através das várias viagens que fez ao estrangeiro, antes do Carnaval, percebendo, “através das movimentações dos aeroportos, que a crise estava para se instalar em todo o mundo e que as empresas exportadoras iriam ser das primeiras a sofrer”. E preparou-se para as convulsões. Contudo, não previu “o cancelamento das encomendas da Toyota, na África do Sul, pelo que não teve outra solução que não fosse o lay-off, que durou até ao dia 14 de Maio. “Mas não parei de trabalhar. Agarrei-me mais ao mercado europeu e israelista, começamos a batalhar, porque as responsabilidades continuaram e o cenário não se adivinhava fácil.”

A CRMoulds foi das primeiras empresas a pedir lay-off e a solicitar crédito no âmbito das medidas Covid-19, embora não tenha utilizado ainda essa verba. Aliás, recorreu ao crédito para se resguardar de qualquer eventualidade, uma vez que construiu a sua reserva financeira. “Mas não é fácil juntarmos dinheiro em Portugal. As empresas que não o conseguem apanham estas crises com maior intensidade e as suas dificuldades são acrescidas”, diz o empresário. “Uma empresa trabalha entre seis a sete meses só para pagar ao Estado, à banca ou a quem quer que seja, e os outros cinco meses trabalha para viver e fazer investimentos.”

A CRMoulds fez o seu grande último investimento em 2016. Em 2018, ano em que estava para dar início a mais um de grande monta, sobretudo em tecnologia, Joaquim Rodrigues recuou, devido à redução de encomendas da indústria automóvel. “Trabalhamos muito com o sector automóvel, e na segunda metade de 2018 começamos a notar, através dos pedidos de cotações, que estava uma crise para chegar”, explica. “Em 2019, o ano até começou bem, mas chegou o Verão e foi o caos total, não ao nível de trabalho, mas ao nível de cotações”, conta o CEO da CRMoulds.

Neste momento, a empresa da Marinha Grande tem investimentos a decorrer, no âmbito do apoio à internacionalização, além da instalação de um software de gestão de produção e gestão financeira. “Estamos a investir entre 300 a 400 mil euros, mas em breve precisamos de actualizar a tecnologia para não ficar obsoleta. Será mais um investimento de cerca de 1,5 milhões de euros, mas feito com prudência”, diz.

De resto, afirma o empresário, “temos de poupar todos os tostões”, pois o importante “é manter as pessoas na empresa e, claro, encontrar mais trabalho para alimentarmos a organização”.

Joaquim Rodrigues lembra que o trabalho de promoção da empresa feito no passado, assim como as visitas feitas antes da pandemia, estão agora a dar os seus frutos. “Havia alguns projectos no mercado, como o Volkswagen e o seu Pão-de-Forma, para o qual estamos a fazer todos os assentos, para ser lançado em 2022, representando um grande projecto para nós.”

Reconhecendo que irá ter uma redução entre 10% a 15%, a empresa da Marinha Grande tem também em mãos um grande projecto de Israel, desta vez para a Pepsi Co, para produção de máquinas de água com gás. “E temos outros clientes com quem estamos desde 2001, são fiéis e estão ao nosso lado, entregando-nos trabalho cegamente, pela confiança e pela nossa tecnologia.”

A empresa conseguiu “dar a volta e manter a equipa actual”. Joaquim Rodrigues explica que só não renovou o contrato a quatro pessoas, mas foi em Fevereiro e Março, o período mais difícil. “Hoje estamos com bastante trabalho e ainda a dar trabalho a fazer no exterior porque não conseguimos fazer na empresa”.

 

http://www.crmoulds.pt/

 

extracto do artigo
“Empresas com reserva financeira resistem melhor à crise pandémica
Investimentos Os empresários da indústria de moldes atravessam uma das crises mais difíceis de gerir na história da democracia. Investiram em capacidade instalada, têm tecnologia de ponta e pessoas qualificadas, mas a crise pandémica baralhou-lhes as contas. Se não tiverem uma reserva financeira, será árdua a tarefa de gerir a diminuição de encomendas e manter todos os trabalhadores”


Pode efetuar o download da Revista Moldes & Plásticos, ficheiro pdf

AQUI

https://drive.google.com/file/d/1j9_6F1o0mTeSlv2XmumSnJOkZu3yyzez/view

 

 

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