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COVID-19: Fileira automóvel francesa fortemente afetada pela atual pandemia

A pandemia COVID-19 e o confinamento afetam diferentemente os setores da economia. O setor automóvel é dos setores industriais mais prejudicados e uma das suas particularidades é a ramificação a uma série de setores da economia, levando os analistas económicos e os decisores políticos a dedicarem uma atenção particular a este setor.

in AICEP, 29-10-2020


De facto a rede de subcontratantes da indústria automóvel é vasta e abrange setores bastantes diferentes. A redução da venda de automóveis veio desestabilizar o conjunto desta rede.Assim vários subcontratantes estão em processo de redução e restruturação das suas atividades industriais. Por exemplo a filial francesa do grupo americano Inteva Products que possui 3 fábricas com mais de 660 empregados e que enfrenta graves dificuldades, decidiu a supressão de 265 de postos de trabalho e o encerramento do fabrica de Saint-dié-des-Vosges (09/10/20).

O grupo alemão Mahle-Behr está com um plano de redução de efetivos (236) na sua fábrica de francesa de Rouffach onde fabrica sistemas de ar condicionado e aquecimentos para automóveis. Pode-se acrescentar ainda a fundição de peças de automóveis SAM Technologies (do grupo chinês Hangzhou Jinjiang), que acaba de anunciar a eliminação de 250 postos de trabalho ou a MBF Aluminium, também subcontratante do setor automóvel (sediada em Saint-Claude) que prevê uma redução de metade dos seus efetivos (150 empregados). Estes serão apenas alguns exemplos que ilustram a situação atual.

Note-se que, mesmo se o mercado da venda automóvel aos particulares é o que tem mais visibilidade, em 2019 as vendas de automóveis novos a particulares representam menos de 45 por cento do mercado. As empresas são maioritariamente responsáveis pelas vendas de veículos novos em França. Deste modo, no contexto atual e confrontadas com as dificuldades da pandemia, as empresas reduzindo as suas compras automóveis, pesam fortemente sobre o mercado em França.

Assim as vendas de automóveis novos de passageiros baixaram de 2,97 por cento em setembro, apresentando nos primeiros nove meses do ano uma queda de 28,92 por cento. Uma queda histórica devida, naturalmente, à pandemia de coronavírus e à paragem da economia durante o primeiro confinamento.

Neste ambiente degradado existem alguns sinais positivos. Apesar do contexto de crise sanitária, o número de veículos elétricos e híbridos continuam a aumentar em França. As vendas destes dois tipos de veículos aumentaram 219 por cento neste verão face ao mesmo período do ano passado. Nos meses de julho e agosto foram matriculados 15.572 veículos elétricos, um aumento de 198 por cento face a 2019. Os veículos híbridos, por outro lado, registaram um aumento de 380 por cento, com 12.292 novas matrículas neste período.

Em termos de perspetivas para o mercado francês, a empresa de estudos estatísticos C-Ways revela, na sua apresentação de previsões de mercado para o final de 2020, que o número das matrículas de veículos novos deverá fixar-se em 1,650 milhões de unidades, contra 2,214 milhões no final de 2019 (ou seja uma diminuição de cerca de 550 mil veículos).

O canal que deverá resistir melhor é o das empresas, que caiu “apenas” 18,6 por cento nos primeiros 10 meses do ano. A queda no segmento particular foi de -23,9 por cento. A C-Ways prevê ainda um aumento das vendas de veículos novos de cerca de 15 por cento em 2021 assim como uma quota de mercado em 2021 de cerca de 35 por cento para os “veículos eletrificados” (híbridos não recarregáveis, híbridos recarregáveis e elétricos).

Mais informações sobre este assunto podem ser obtidas junto da Delegação da AICEP em Paris.

 

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