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Continental Mabor: Leia a entrevista de Pedro Carreira, Presidente do Conselho de Administração

Trata-se de uma das maiores exportadoras nacionais especializada na produção de pneus, sediada no distrito de Braga, que com o apoio do COMPETE 2020 expandiu a atividade para uma nova área de negócio: pneus agrícolas. De salientar que, no caso do projeto Agro Tires “o apoio dos fundos comunitários foi fundamental para atrair o investimento para Portugal por parte da Continental AG, em detrimento das outras empresas do Grupo”.

in COMPETE 2020, por Cátia Silva Pinto, 06-08-2018


Entrevista a Pedro Carreira

Presidente do Conselho de Administração da Continental Mabor

Pedro Carreira
Presidente do Conselho de Administração da Continental Mabor

Como surgiu a Mabor?

A Continental Mabor – Indústria de Pneus S.A. teve o seu arranque industrial em 1990 como resultado da “joint-venture” entre a Mabor Manufactura Nacional de Borracha, e a Continental AG, de Hannover. Em 1990 a Continental AG detinha 60% do capital social, adquirindo o restante em 1993 passando assim a ser a única acionista.

O projeto de reestruturação que reformulou as antigas instalações industriais começou logo em 1990. Este primeiro projeto teve a duração de cinco anos e incluiu profundas alterações quer ao nível das instalações, equipamentos e produtos, mas teve também um foco muito grande na requalificação dos colaboradores e na melhoria das condições de trabalho.

Desde 1990 que a Continental tem investido ininterruptamente na unidade de Lousado, em projetos de expansão, em novos produtos com maior valor acrescentado, mas também mais recentemente em novas áreas de negócio como é o caso do projeto Agro Tires.  Atualmente, com mais de 2 060 colaboradores no quadro permanente, a Continental Mabor produz pneus para veículos ligeiros e SUVs (Sport Utility Vehicles) de várias medidas e marcas, produz pneus ContiSeal e ContiSilent e mais recentemente, como é do conhecimento público, produz pneus agrícolas.  Da nossa produção 98% tem como destino a exportação para um vasto universo de mercados cuja lista inclui 67 países, abastecendo tanto o mercado de equipamento de origem como o mercado de substituição.

 

Quais os principais desafios com que se depararam no desenvolvimento do projeto Agro Tires?

A maior barreira foi conseguir trazer o projeto para Portugal ultrapassando outras empresas do grupo que, pela sua localização geográfica, ou pelo espaço circundante ou pelas condições de impostos e incentivos dos seus países, estariam logo à partida bem à nossa frente.

Deparámo-nos também com o desafio ao nível técnico porque se tratava de um novo segmento de negócio e o Grupo Continental não tinha ainda experiência nesta área. A própria formação da equipa foi também um enorme desafio para nós.

Também o mercado de pneus agrícolas é um desafio, na medida em que se trata, como já referido, de uma nova área de negócios para a Continental.

 

O que consideram ser crítico para o sucesso da vossa estratégia?

Um dos pontos críticos que de certa forma dificulta, ou dificultava, o sucesso da nossa estratégia são os acessos. Foram um ponto extremamente crítico no desenvolvimento da nossa fábrica e que acabaram por marcar e condicionar um pouco a nossa estratégia de crescimento durantes algumas décadas. Daí que me tenha corrigido no tempo verbal, pois estamos em crer que, com os últimos desenvolvimentos que temos vindo a acompanhar, este será um ponto crítico em vias de resolução.

As elevadas taxas de impostos que existem em Portugal, nomeadamente o IRC dificultam a “saúde” das empresas e afetam a sua capacidade competitiva em relação a empresas de outros países.

Por último, e uma vez que somos uma empresa vocacionada para a exportação, obviamente que a volatilidade da economia mundial, as incertezas em relação ao Brexit ou às taxas aduaneiras nos Estados Unidos, ou ainda a instabilidade política noutros países, são pontos sensíveis e que podem ter impacto no sucesso do nosso negócio.

 

Quais são os vossos objetivos para 2019?

O objetivo da empresa é continuar a crescer de forma sustentada. Por um lado, aumentar a produtividade e a eficiência, mas também crescer ainda mais na área da inovação, na melhoria da qualidade dos seus produtos e serviços. Por outro lado, continuar a apostar na formação e qualificação dos nossos colaboradores e continuar a valorizar ainda mais a região em que estamos inseridos. Pretendemos também aumentar o nosso contributo para o progresso da economia regional e nacional e que consideramos ser de elevada importância.

Pretendemos obviamente incrementar o negócio dos pneus agrícolas que é a área onde estamos ainda a dar os primeiros passos. Esperamos um dia que esta venha a ser mais uma área de negócio onde a Continental cresça, como acontece no negócio dos pneus ligeiros.

Já nessa área, de pneus ligeiros, a Continental Mabor continuará a trabalhar para ultrapassar a fasquia dos 19 milhões de pneus produzidos num só ano, como resultado dos novos investimentos que estão orientados não só para o aumento da produção mas também para a melhoria das condições de trabalho e ambiente.  E ainda, quem sabe, trazer mais alguma área de negócio que faça sentido para nós, permitindo-nos realizar este crescimento de forma sustentada, com um aumento do portefólio de produtos que produzimos.

 

Qual o contributo dos Fundos da União Europeia para o percurso da vossa empresa?

A Continental Mabor, desde que foi criada há cerca de 28 anos atrás, cresceu muito e evoluiu ainda mais, não apenas devido aos investimentos feitos pelo nosso acionista, a Continental AG, mas também com o apoio do Estado Português e dos Fundos da União Europeia, como foi o caso do programa Portugal 2020 que apoiou o projeto Agro Tires. De salientar que, no caso deste projeto, o apoio dos fundos comunitários foi fundamental para atrair o investimento para Portugal por parte da Continental AG, em detrimento das outras empresas do Grupo.

Na nossa opinião, os fundos comunitários são cruciais para a contínua atração do investimento direto estrangeiro em Portugal e para o crescimento e sustentabilidade das empresas. Entendemos que estes apoios, quando são bem aplicados pelas empresas, nomeadamente na qualificação dos seus trabalhadores, têm um retorno extremamente positivo para o País.

A Continental Mabor tem vindo a contribuir de forma decisiva para o aumento do número de postos de trabalho e para o fortalecimento da coesão e inclusão social ao longo do tempo. Nos últimos cinco anos fizemos investimentos de mais de 306 milhões de euros. Em particular, o projeto de investimento Agro Tires rondou os 49 milhões de euros.

Num raciocínio simples, comparando a média dos valores dos últimos 3 anos face ao ano de 2014, por cada milhão de euros de benefícios fiscais ao investimento recebidos, a empresa devolveu ao Estado Português cerca de 3,5 milhões de euros.

 

 

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