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Comunicado do Fórum para a Competitividade | PREC NA AUTOEUROPA?

A Autoeuropa, para viabilizar economicamente a produção de um modelo de grande série – o T-Roc, negociou com a Comissão de Trabalhadores (CT) um acordo que previa um novo quadro de organização do tempo de trabalho e respectivas compensações, em tempo de descanso e acréscimo de remunerações.

in Fórum para a Competitividade, 30-08-2017

O acordo, submetido a plenário no final de Julho, não foi aprovado. A CT que o tinha negociado demitiu-se, estando prevista a eleição de uma nova CT em Outubro. Entretanto foi convocada em plenário, para hoje, dia 30/08, um dia de greve de protesto – a primeira greve em 22 anos na Autoeuropa.

É provável que a Administração da Autoeuropa aguarde que seja eleita uma nova CT para renegociar o acordo alcançado, não pondo em causa o modelo de relações industriais baseado na negociação directa com uma CT eleita, que tão bons resultados proporcionou no passado. Pelo contrário, o SITE Sul, sindicato da CGTP, e o próprio secretário geral desta confederação sindical procuram aproveitar a vaga populista da greve para forçar negociações imediatas entre os sindicatos e a Administração.

É, portanto, também uma discussão sobre o modelo de relações industriais na Autoeuropa que está em causa. E a greve de hoje tem por finalidade reforçar a posição da CGTP nessa discussão, de que se sentiu arredada pela prática negocial da CT.

Cabe aqui sublinhar que este modelo não só foi benéfico para a Autoeuropa durante mais de 20 anos, como foi um factor de progresso com a introdução de figuras (como o “banco de horas”) que permitiram melhorar a competitividade da empresa sem prejuízo dos interesses dos trabalhadores e evitar despedimentos nos anos de menor actividade.

A produção do novo modelo de grande série é essencial para o futuro da Autoeuropa, que chegou a produzir quase 140.000 carros (em 1998) e que em 2016 produziu apenas 85.131. Daí que a sua contribuição para as exportações tenha diminuído de 12% do total das exportações portuguesas em 1997 para 3% em 2016 e que o emprego tenha, apesar de tudo e graças à paz social, baixado apenas de 4.000 para 3.295 no mesmo período.

O T-Roc é a oportunidade para a Autoeuropa aumentar a produção para níveis nunca alcançados, de 240.000 unidades, sendo necessário um forte investimento material e humano para o efeito. A organização dos tempos de trabalho não poderá deixar de se ajustar ao novo paradigma de produção, incluindo alguns sacrifícios pessoais da sua força de trabalho actual, com as devidas contrapartidas e reforço da sustentabilidade do seu emprego. Beneficiarão, ainda, os 2.000 novos empregados e as suas famílias e o País, que melhorará a sua riqueza, exportações e receitas fiscais. Boa parte do potencial de crescimento de Portugal assenta no sector automóvel.

Esta greve de hoje, que foi convocada por um plenário organizado por estruturas sindicais alheias à Autoeuropa, é prejudicial à empresa, aos seus trabalhadores e ao País e vem colocar na ordem do dia a necessidade de rever a lei da greve quanto às condições que devem legitimar a sua convocação e quanto à necessidade das decisões serem tomadas por voto secreto.

 


 

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