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Componentes automóveis com melhor junho em 15 anos

As exportações de componentes automóveis somaram 836 milhões de euros em junho, uma subida homóloga de 14,5%. Ainda assim, a primeira metade do ano apresenta uma quebra de 1,8% face ao primeiro semestre de 2021.

in Negócios, por Pedro Curvelo, 09-08-2022


O setor dos componentes automóveis em Portugal registou em junho o segundo mês consecutivo de crescimento homólogo nas exportações após três meses com quebras nas vendas ao exterior. As exportações em junho ascenderam a 836 milhões de euros, uma subida homóloga de 14,5%.

Aliás, este foi o melhor mês de junho desde “pelo menos 2007”, indicou ao Negócios Adão Ferreira, secretário-geral da AFIA – Associação de Fabricantes para a Indústria Automóvel.

O responsável mostra-se, contudo, cauteloso quanto aos números com que o setor irá fechar o ano. “Há muitos fatores de risco e ainda alguma volatilidade nos principais mercados”, nota.

Esta recuperação vivida em junho, na sequência da subida 11,4% de maio, é ainda insuficiente, no entanto, para um saldo positivo na primeira metade do ano. Os 4.720 milhões de euros exportados ficam ainda 88 milhões, ou 1,8%, abaixo dos valores do primeiro semestre de 2021.

Retoma da indústria automóvel alemã ajuda

Adão Ferreira afasta a possibilidade de ter sido a inflação a impulsionar a subida no valor das exportações. “A maioria dos fornecedores tem contratos com preços fixados e não os podem alterar, tendo, aliás, de suportar os custos acrescidos”, frisa.

O principal fator, diz, terá sido mesmo a recuperação da indústria automóvel nos países para onde as empresas nacionais vendem.

“Na Alemanha, por exemplo, a produção automóvel aumentou 14,4% em junho”, assinala o responsável da associação.

No acumulado do semestre, Espanha, o maior mercado para os produtores de componentes nacionais, regista uma quebra de 5,2%, para 1.330 milhões de euros. O país vizinho vale mais de 28% do total exportado.

Já as exportações para a Alemanha, o segundo principal destino, aumentaram 6,6%, ascendendo a 1.027 milhões de euros. Mais preocupante é a situação do mercado francês, onde a quebra se cifra em 17,2%, para 484 milhões.

Tensões entre Washington e Pequim preocupam

Adão Ferreira diz ainda que existem novas “nuvens negras” a ameaçar o setor. Em particular a escalada nas tensões entre EUA e China, um fornecedor determinante para a indústria automóvel.

O responsável alerta que, depois do impacto da pandemia, das disrupções nas cadeias de abastecimento e do aumento nos preços das matérias-primas e energia, um novo fator que perturbe a recuperação atual do setor automóvel global poderá ter um forte impacto nos números da fileira no conjunto do ano.

Em junho, as exportações subiram pelo segundo mês consecutivo.

 

 

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