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COINDU ROMÉNIA Caso de sucesso no mercado romeno

Fundada em 1988 com 183 funcionários, a Coindu produz capas de assento para diferentes OEM do setor automóvel. Atualmente com cerca de 5.000 funcionários em todo o mundo, a empresa portuguesa é reconhecida pelas principais marcas automóvel devido à qualidade de seus produtos e flexibilidade de seu processo de fabricação. Está presente com uma unidade industrial, desde 2005, na Roménia, mercado que teve um papel fundamental no crescimento do Grupo Coindu.

in Portugalglobal, nº 133, Agosto 2020


A unidade de produção da Coindu na Roménia foi criada em 2005 em Arad, próximo da fronteira com a Hungria, para dar resposta às necessidades de produção de três projetos da Peugeot, Chrysler e Renault. O investimento na Roménia passou pela construção de uma unidade fabril de raiz, dimensionada e projetada para o que viria a ser à data a fábrica modelo do Grupo Coindu.

Este investimento contou com o acompanhamento dedicado de uma equipa de lançamento portuguesa, durante aproximadamente sete anos, com um registo de crescimento progressivo e significativo da equipa local, à data sem cultura industrial.

A Roménia dava então os primeiros passos para a constituição de uma democracia e para a estabilização social efetiva, após a queda do regime comunista de Nicolae Ceausescu, em dezembro de 1989. O fenómeno de rápido crescimento económico promovido por alguns líderes estrangeiros, face à aparente política “independente” de Ceausescu até ao final dos anos 70, gradualmente deu lugar a uma austeridade rígida e a uma repressão política severa que decididamente comprometeu o desenvolvimento do país, até à queda do regime.

O facto de vivermos, em 2005, um período de afirmação do povo romeno para uma nova realidade democrática, voltada para o progresso e crescimento, ajudou de sobremaneira no que viria a ser uma fusão cultural no âmbito industrial, com total acolhimento social de todos os elementos portugueses expatriados para este fim. Esta integração positiva, associada à elevada qualidade e vontade de crescimento dos elementos romenos, permitiu o desenvolvimento rápido e sólido de uma equipa de gestão de alto nível que, na sua maioria, cimentou a sua relação com a Coindu até aos dias de hoje.

Anos mais tarde, o número de colaboradores aumentou progressivamente, com a inclusão de alguns projetos de referência da BMW, sendo que atualmente a Roménia conta com o maior volume de unidades produzidas no grupo para esta OEM. Assim, dos aproximadamente 300 colaboradores em 2005, a Coindu Roménia atingiu o pico em 2016, com 1.800 pessoas, número, entretanto, otimizado para 1400, decorrente da implementação do CPS – Coindu Production System, que permitiu ganhos de eficiência importantes, não só na Roménia, mas também a nível de todo o Grupo.

Um dos fenómenos sociais que constituiu um dos maiores desafios para a Coindu, durante anos, foi a flutuação sazonal de mão-de-obra decorrente da migração de milhares de romenos para outros países da zona oeste da Europa, que obrigou a empresa a um sobredimensionamento indesejável natural nesse período. O fenómeno, catalogado nos estudos da União Europeia, consistiu até 2019 um elevado fator de risco na gestão das capacidades produtivas.

Só a Alemanha conta com um fluxo anual de 300.000 pessoas de países de baixo custo nos períodos de plantação e colheita, entre a primavera e o verão, sendo que este fenómeno se estende anualmente a todos os países com produção agrícola da Europa. Também de forma progressiva, a construção veio a ter uma grande contribuição nesta migração.

Curiosamente, pela crise pandémica que decorre, sem a disponibilidade de movimentação da mão-de-obra de baixo custo do Leste, este ano os celeiros europeus correm sérios riscos de perder as suas colheitas.

Para fazer face a tal flutuação, afinámos, durante os últimos anos, agressivos planos de remuneração e bonificação, associados a um pacote de ações de fidelização de pessoal, que promoveram a sua estabilização.

Em paralelo, a implementação do CPS permitiu a reconversão profunda dos processos no sentido da sua simplificação, aumentando a satisfação dos operadores pelo incremento da produção com menos esforço, com impacto direto no dividendo que daqui advém, anulando a necessidade de recurso às colheitas para compensação remuneratória.

Esta evolução de operacional com impacto social traduz-se hoje num rebalanceamento no nível salarial, aproximando os valores entre Portugal e a Roménia. Todavia, ao contrário do que seria expectável, consideramos este um fator positivo, na medida em que encontrámos um equilíbrio para a vinculação e promoção do pessoal à Coindu.

Este é um valor de importância extrema, pois apesar de nos caracterizarmos com um processo altamente tecnológico, existe uma forte incorporação de mão-de-obra intensiva que constitui hoje um ativo fixo da Coindu.

Em termos competitivos, consideramos que todo o investimento no desenvolvimento do CPS no grupo, se traduziu numa agressiva alavancagem na eficiência dos processos, compensando hoje e para o futuro o gap salarial, que poderia inicialmente ser um fator comprometedor para o futuro da unidade.

A Roménia teve um papel fundamental no crescimento do Grupo, com o ónus de cedo ter conseguido conquistar a sua autonomia regional na organização, competindo ombro a ombro com todas as unidades de excelência que temos no mundo.

 

https://coindu.com

 

artigo por António Cardoso, COO da COINDU

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