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CIP ataca metas do Governo para 2030: “Há uma ambição excessiva na massificação do veículo elétrico”

A associação patronal portuguesa considera o Plano Nacional de Energia e Clima “claramente voluntarista” ao adotar uma meta de 20% de renováveis nos transportes no horizonte 2030, a cumprir em parte com a massificação dos carros elétricos

in Expresso, por Miguel Prado, 19-06-2019 


A CIP – Confederação Empresarial de Portugal recebeu com preocupação e críticas o Plano Nacional de Energia e Clima para 2030 (PNEC), que o Governo colocou em consulta pública. Na sua posição sobre o documento, a que o Expresso teve acesso, a CIP ataca as projeções do Governo para a descarbonização da economia, em particular nos transportes.

“O objetivo de 20% de renováveis nos transportes, área especialmente complexa, é claramente voluntarista e tudo indica que não será exequível, sendo de ponderar que a ambição nacional não ultrapasse, neste caso, a meta proposta pela União Europeia”, aponta a CIP.

A mesma organização nota ainda que “há uma ambição excessiva na massificação do veículo elétrico, esquecendo-se a passagem do modo de transporte rodoviário de mercadorias no médio-longo curso para os modos marítimo e ferroviário, como a UE propõe”.

A CIP questiona como será possível Portugal alcançar as metas planeadas pelo Governo para 2030 (mais de 20% do parque automóvel, que hoje soma mais de 6 milhões de carros, será elétrico), tendo em conta que “existe uma inércia de substituição de equipamentos por parte dos consumidores, associado ao seu tempo de vida útil”, e que o carro elétrico ainda implica um investimento superior ao dos carros convencionais, além de que é necessário expandir a infraestrutura de carregamento.

“Estamos ainda demasiado dependentes do modo rodoviário, representando o modo ferroviário apenas 6%. A ferrovia para o transporte de mercadorias apenas é objeto de uma leve referência”, observa a CIP.

Nos seus comentários, a associação patronal critica também o PNEC por não ter “o indispensável equilíbrio entre os diversos eixos de atuação”, já que, nota a CIP, o plano privilegia “a produção de eletricidade e uma grande evolução nos transportes” e no que respeita à indústria é “apenas dirigista”.

“E quanto à produção de eletricidade, não se poderá esquecer a biomassa, energia renovável que cria empregos localmente e que tem externalidades positivas no que respeita à limpeza das florestas”, frisa ainda a CIP.

 

 

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