Presidente da AFIA faz balanço do impacto da guerra comercial EUA/China nas exportações do setor

José Couto foi um dos líderes associativos que o Expresso ouviu para fazer o impacto da guerra comercial EUA / China nas exportações portuguesas:

“O ano acabou com um crescimento surpreendente, EUA incluídos”, comenta José Couto, presidente da AFIA, a associação que junta os fabricantes para a indústria automóvel. Num sector que vende 90% do que faz na Europa, 2019 fechou com um salto de 3% nas exportações, para os €9,7 mil milhões. Os EUA, o seu maior mercado extracomunitário, cresceram 50% e têm, agora, uma quota de 6%. “A guerra comercial e os limites às importações da China levaram os americanos a comprar mais em Portugal? Não sei. Acredito que a qualidade e competitividade do made in Portugal também os está a levar a escolherem as nossas empresas”, diz José Couto.

 


 

Leia a seguir a reportagem completa do Expresso:

Portugal no meio da guerra EUA/China: metal está a sofrer, calçado bate recorde

Num ano marcado pela tensão comercial, metalurgia lusa perde terreno nos EUA e China. Sapatos têm “melhor registo de sempre” nos dois países

in Expresso, por Margarida Cardoso, 18-01-2020


As campainhas de alarme soaram em Portugal logo ao primeiro indício de guerra comercial entre Washington e Pequim e, nos sectores exportadores, os empresários habituaram-se rapidamente a seguir os tweets do presidente americano, Donald Trump, como um indicador de desconfiança ou instabilidade económica. “Apreensão” foi a palavra mais ouvida sempre que se faziam previsões e, no balanço final, o metal luso não tem dúvidas de que ficou a perder com a escalada da tensão comercial entre os dois países.

“Até novembro, a China (€226 milhões) caiu 46,9% e os EUA (€429 milhões) 7,6%”, refere Rafael Campos Pereira, vice-presidente da associação empresarial do sector, AIMMAP, certo de que a guerra comercial pesou neste cenário e obrigou o sector campeão das exportações nacionais a compensar perdas noutras geografias como o Canadá, onde deu um salto de 340%, para os €78,3 milhões. Só assim, a fileira fechou os primeiros 11 meses do ano com um crescimento de 11% nas vendas na frente internacional, para os €18 mil milhões.

Do lado oposto da balança, está a indústria do calçado. Em contraciclo com a quebra de 6% nas suas exportações totais, antecipa “o melhor ano de sempre nos dois países”. Nos EUA, o maior importador de sapatos do mundo, escolhido como alvo prioritário da sua ofensiva internacional, novembro fechou nos €80 milhões (+24%), enquanto na China, o maior exportador mundial do sector, a subida é de 14% (€24 milhões).

“Se o acordo comercial com a União Europeia tivesse avançado, o crescimento nos EUA seria ainda mais acentuado”, comenta Paulo Gonçalves, diretor de comunicação da associação sectorial APICCAPS, sublinhando que o preço médio por par na exportação é de €23, mas ronda os €37 na América do Norte e já atinge os €43 na China.
Somados todos os sectores, as vendas para os EUA cresceram 3,8% em 2019, para os €2,7 mil milhões, mantendo o país como o quinto maior mercado, com uma quota de 5% no final de novembro. Em sentido contrário, a China, com uma quota de 1%, caiu 10%, para os €533 milhões e desceu de 13º para 15º mercado.

A SURPRESA DOS AUTOMÓVEIS

Estatísticas à parte, todos os sectores são unânimes em considerar que “uma guerra comercial tem sempre efeitos colaterais”, como diz João Rui Correia, presidente da APCOR, a associação industrial da cortiça. O sector caiu 4% em França (€146 milhões) e 2% nos EUA (€140 milhões), os seus dois principais mercados, mais pela quebra na produção vitivinícola mundial de 2017 do que pela guerra comercial, mas a decisão da Administração Trump de taxar vinhos europeus causa “apreensão óbvia”, apesar de a cortiça ser cada vez mais procurada por todos os sectores e estar a crescer em países como a Austrália.

Razões para brindar aos EUA e à China em 2019 parecem ter os vinhos portugueses, com crescimentos de 4,3% e 12,5%, respetivamente, no final de outubro. A Aveleda, que tem no Casal Garcia o vinho português mais vendido nos EUA, fala mesmo de “um bom ano” marcado por um crescimento de 4%, do outro lado do Atlântico, onde garante 17% das suas vendas.

Para a fileira têxtil, a perder 1% nas exportações totais, os EUA também são um mercado vencedor (+6,4%) e apresentam o maior crescimento absoluto (€19 milhões), com os têxteis-lar a dispararem 8,5% e o vestuário a ganhar 6,3%.
“O ano acabou com um crescimento surpreendente, EUA incluídos”, comenta José Couto, presidente da AFIA, a associação que junta os fabricantes para a indústria automóvel. Num sector que vende 90% do que faz na Europa, 2019 fechou com um salto de 3% nas exportações, para os €9,7 mil milhões. Os EUA, o seu maior mercado extracomunitário, cresceram 50% e têm, agora, uma quota de 6%. “A guerra comercial e os limites às importações da China levaram os americanos a comprar mais em Portugal? Não sei. Acredito que a qualidade e competitividade do made in Portugal também os está a levar a escolherem as nossas empresas”, diz José Couto.

 


 

O ano é novo, a apreensão continua

O ritmo oscila, mas as exportações portuguesas estão a crescer desde 2010 e, no ano passado, mantiveram a trajetória. Até novembro, o salto foi de 3,5%, para os €55,3 mil milhões, um número que duplica o registo do arranque do século e representa uma subida de quase 50% face a 2010. Quanto a previsões para 2020, a conjuntura internacional parece recomendar “cuidados e caldos de galinha”, como diz a sabedoria popular. No vinho, Martim
Guedes, da Aveleda, comenta que “os americanos estão a suspender as encomendas por causa da nova ameaça de imposição de tarifas de 100% em todos os vinhos da União Europeia”. No sector automóvel, José Couto, da associação sectorial AFIA, fala de “uma tendência clara de diminuição da produção de veículos que se traduz necessariamente em menos encomendas a Portugal”. No calçado, ainda se espera o final da feira de Garda, em Itália, o primeiro barómetro do que será o andamento do sector, e os têxteis já estão pendentes da evolução do consumo
em Espanha, que vale 30% das exportações da fileira. Quanto à metalurgia, antecipar resultados torna-se cada vez mais difícil, vão dizendo os industriais, preocupados com a evolução da economia alemã e do sector automóvel.

 

 

Autoeuropa investe 103 milhões este ano

A Autoeuropa vai investir 103 milhões de euros este ano, um valor ligeiramente inferior aos cerca de 110 milhões de 2019. A fábrica de Palmela atingiu um novo recorde histórico de produção no ano passado.

in Negócios, por Pedro Curvelo, 18-01-2019


A Autoeuropa vai investir 103 milhões de euros este ano, indicou a empresa na sexta-feira, através da sua conta na rede social Linkedin. Este investimento destina-se, segundo se lê nessa informação, à “modernização da operação logística e ao aumento da capacidade de produção”.

Fonte oficial da Autoeuropa indicou que este investimento não significa um aumento da capacidade de volume de veículos a serem produzidos em Palmela. A mesma fonte já tinha indicado ao Negócios que a fábrica se encontra “na sua capacidade máxima”.

No ano passado, a empresa já tinha investido um valor de aproximadamente 110 milhões de euros para o reforço da produção.

O investimento deste ano destina-se, em grande medida, a uma “nova linha de corte nas prensas e à automatização do armazém de logística interna”, diz a mesma nota.

Produção deve estabilizar acima dos 250 mil carros
Ao Negócios fonte oficial da fábrica da Volkswagen em Palmela tinha referido que “o plano de produção atual é de cerca de 250 mil veículos”, um número em linha com os 254.600 produzidos no ano passado.

A Autoeuropa viu a sua produção mais do que duplicar nos dois últimos anos, passando de 110 mil unidades em 2017, ano em que começou a produzir o SUV compacto T-Roc, para mais de 250 mil veículos no ano passado. Aliás, só do T-Roc foram produzidas em 2019 mais de 206 mil unidades. Este volume posiciona a fábrica portuguesa como a quinta maior da marca Volkswagen, com exceção da China.

Em 2020, ano em que celebra 25 anos desde o início da produção, a fábrica de Palmela irá também atingir um marco histórico: a produção do veículo número três milhões. E, com os ritmos de produção da Autoeuropa, essa fasquia deverá ser atingida em abril.

 

 

Ford invierte 42 millones en “electrificación” en su planta de Valencia

Ford invertirá 42 millones de euros en su planta de fabricación de Valencia. Así lo anunció la compañía, el pasado jueves 16 de enero. El objetivo es apoyar la estrategia de electrificación de la compañía, que incluye una instalación de ensamblaje de baterías de última generación y los nuevos modelos S-MAX Híbrido y Galaxy Híbrido.

in AutoRevista, 17-01-2020


De los 42 millones de inversión, 24 van dedicados a una nueva instalación de ensamblaje de baterías que comenzará a producir en septiembre de este mismo año, mientras que ocho millones irán destinados a proporcionar nuevas herramientas a la línea de ensamblaje ya operativa en la planta. Esto servirá para impulsar la producción tanto del Kuga Híbrido Enchufable como de los próximos S-MAX Híbrido y Galaxy Híbrido, que entraran en el mercado a principios de 2021. Estos modelos estarán aimentados por un motor de gasolina de ciclo Atkinson de 2,5 litros, un motor eléctrico y un generador con batería de iones de litio refrigerada por agua, montada en una estructura impermeable y absorbente de choques.

“Con la electrificación convirtiéndose rápidamente en la tendencia principal estamos aumentando nuestra inversión en Valencia, para proporcionar aún más modelos electrificados y distintas opciones de motricidad para nuestros clientes”, dijo Stuart Rowley, presidente de Ford Europa, quien también anunció que la mayoría de los vehículos comerciales de Ford estarán electrificados a finales de 2022.

 

 

Investimento estrangeiro com segundo recorde consecutivo em 2019

«No início de 2019 celebrámos o recorde que tínhamos alcançado em 2018 em matéria de investimento contratado» e, agora, «iniciamos o ano de 2020 celebrando um novo recorde, visto que ultrapassámos o do ano passado», afirmou o Primeiro-Ministro António Costa na cerimónia de assinatura de contratos de investimento entre o Estado e várias empresas, em Lisboa.
in XXII Governo da República Portuguesa, 17-01-2020

O Primeiro-Ministro acrescentou que estes recordes são «sinal de confiança que os investidores têm manifestado em Portugal», destacando os novos recordes de investimento e de contratação de trabalhadores.
Os contratos de investimento concluídos pela Agência para o Investimento e Comércio Externo de Portugal em 2019 atingiram um novo máximo em número (quase 80 contratos), em valor (superando os mil milhões de euros) e em número de empregos criados (cerca de 7 000) e mantidos (cerca de 20 000 empregos já existentes).
António Costa apontou outros três fatores importantes nos contratos fiscais de investimento assinados em 2019.
• A diversificação dos setores de atividade: «temos investimento na área dos serviços, na da indústria – e em diversos setores da atividade industrial».
• A diversificação na localização dos investimentos: «não são investimentos que se concentrem nos grandes centros urbanos, mas estão, pelo contrário, disseminados pelo conjunto do território, desde Viana do Castelo até Grândola».
• A diversificação da origem do investimento: «temos investimento do Estado Unidos, temos, naturalmente, muito investimento da Europa, do Catar, de todo o mundo».
Destacando a importância da diversificação da origem, apontou que «a economia mundial não funciona de forma simétrica nos setores de atividade, nas regiões e nos investidores, e, por isso, a diversificação é a melhor garantia da continuidade desta trajetória» de captação de investimento.
Sinal de confiança
O Primeiro-Ministro sublinhou que o aumento do investimento estrangeiro é «um sinal sobre a confiança no futuro da economia portuguesa» que decorre, entre outros fatores, de Portugal ter conseguido «ultrapassar o enorme desafio com que se defrontava desde o início do século – voltar a crescer acima da média europeia».
Este crescimento «foi obtido desde 2017, e todas as previsões indicam que em 2020 e 2021» continuará a acontecer, mas a ambição do Governo é haver, «pelo menos, uma década de convergência sustentada com a União Europeia».
Referindo que «a chave do crescimento tem assentado em dois pilares fundamentais: aumento do investimento e aumento das exportações», apontou que «estes dois elementos estão ligados, porque só aumentaremos as exportações aumentando o nosso perfil produtivo, a nossa produtividade, o valor dos produtos e serviços que prestamos».
E para que isto aconteça, «o investimento é fundamental», tanto o investimento nacional, como a atração de investimento direito estrangeiro.
Investimento em inovação
António Costa destacou «um dado muito importante no investimento – é que quintuplicámos o investimento em investigação e desenvolvimento –, o que é fundamental, porque a condição para melhorar a produtividade e o valor do que produzimos, é incorporar cada vez mais inovação».
«A inovação assenta na ciência, na sua transferência para o tecido económico e na valorização desse conhecimento pelo tecido económico» e «esta é a chave», pois «hoje só seremos competitivos com base na qualidade do que produzimos», disse, acrescentando que «este investimento demonstra que isso é possível».
Na trajetória certa
O Primeiro-Ministro destacou que «nos últimos 4 anos, Portugal acumulou um aumento de 10% do seu Produto Interno Bruto, aumentou 20% as suas exportações e aumentou 30% o investimento – o dobro do aumento do investimento na zona euro ao longo deste período».
«Isto significa que estamos na trajetória certa e, por isso, só há uma ideia, muito simples, a reter: prosseguir na mesma trajetória», sublinhou, acrescentando que, para isso, «temos de conseguir casar as diversas componentes do que têm sido marcas fundamentais da nossa ação».
A primeira é «mantermo-nos um país aberto ao mundo», apesar da deriva protecionista que «imputa à globalização alguns aumentos das desigualdades e algumas das ruturas sociais». Todavia, «a resposta a estes desafios não é fechar as fronteiras, é regular a globalização e ter, internamente, políticas que desenvolvam a justiça social, favoreçam uma melhor partilha da prosperidade, de forma a reforçar a coesão social e territorial».
«Queremos ser um país externamente competitivo e internamente cada vez mais coeso – esta é a boa resposta» à globalização, sintetizou.
A segunda componente é mantermo-nos «um País que sabe bem onde está: solidamente ancorado na Europa mas, como sempre, ao longo da história, um país europeu aberto ao mundo».
Estabilidade de políticas
António Costa apontou ainda uma outra componente: «a estabilidade e consistência do quadro macroeconómico do País». «Atravessámos uma crise gravíssima, vencemo-la e recuperámos dela, e não queremos regressar a qualquer crise», e, «por isso, queremos manter a estabilidade do cenário macroeconómico».
Sublinhado que o País «atingiu pela primeira vez nos últimos 45 anos o equilíbrio orçamental», e que vai ter o primeiro excedente orçamental deste período no fim do ano, o Primeiro-Ministro disse que o Orçamento é um instrumento para «reforçar a confiança e a credibilidade internacional do País, continuar a ter capacidade de reduzir sustentadamente a dívida externa, de continuar a merecer dos mercados financeiros a confiança para reduzir a taxa de juro, que é o melhor apoio que podemos dar a quem quer investir em Portugal».
«A continuidade e a solidez» do quadro macroeconómico «tem de ser claramente reafirmada para que a confiança se consolide, a credibilidade se reforce e este recorde de investimento estrangeiros possa ser novamente batido em 2020», concluiu.
Investimento empresarial cresceu 9%
O Ministro de Estado, da Economia e da Transição Digital, Pedro Siza Vieira, destacou que os contratos de investimento assinados ou trocados na cerimónia «são apenas os últimos de um ano de muito trabalho».
O Ministros disse que «o crescimento sustentado da economia é o que almejamos, que é prosseguir um caminho de convergência com a Europa, de forma a que possamos partilhar todos maior prosperidade, depende muito do investimento, e particularmente do investimento empresarial».
Pedro Siza Vieira sublinhou que, «no ano passado, o investimento empresarial cresceu 9% relativamente a 2018 e o investimento total foi o dobro do que ocorreu na média da União Europeia», acrescentando que estes «são bons sinais».
Este aumento do investimento é significativo porque «2019 foi um ano de muitas incertezas na conjuntura externa, nos arranjos geopolíticos, na instabilidade que se viveu em muitos pontos do mundo, que podiam retrair os empresários de tomar decisões de investir», disse, acrescentando que este investimento «reflete a confiança no futuro do nosso país».
O Ministro referiu ainda que «muitos destes projetos são viabilizados pelo apoio do Estado e por trás disto há muito trabalho de servidores públicos que dedicam a sua vida a fazer o melhor pelo nosso País», «não apenas na captação de investimento mas também no pagamento de incentivos às empresas ao longo da execução dos projetos», nomeadamente de fundos europeus.
2,3 mil milhões de investimento estruturante
O Secretário de Estado da Internacionalização, Eurico Brilhante Dias, referiu que, desde que existe a AICEP, «só em três anos, se superaram os mil milhões de euros de captação de investimento externo, e dois deles foram 2018 e 2019». Juntos, estes dois anos representam 2,3 mil milhões de euros de investimento contratualizado».
O Secretário de Estado apontou o impacto nos postos de trabalho: «dois novos máximos» com a criação de 7 245 postos de trabalho e a manutenção de mais 20 mil já existentes.
Este investimento «tem uma enorme diversificação setorial, disse, sublinhando o setor do turismo (com investimentos espalhados por todo o território), a indústria de componentes de automóvel, preparando-se para a mobilidade elétrica, o agroalimentar, a aeronáutica, a farmacêutica…
Além de apoiar investimento português estruturante, «temos outras 14 origens de capital diferente: Alemanha, França, Espanha, projetos em parceria entre Portugal e outros países europeus, Emirados Árabes Unidos, Catar, Japão e Estados Unidos da América, disse ainda.
Na cerimónia, que incluiu a assinatura de contratos para oito investimentos e a entrega dos instrumentos de mais seis contratos, contou ainda com a presença dos Ministros do Planeamento, Nelson de Souza, e da Coesão Territorial, Ana Abrunhosa.

Pelo segundo ano consecutivo, Portugal bate meta de mil milhões de investimento contratualizado

No ano passado, Portugal conseguiu contratualizar 80 novos projetos de investimento de 15 países diferentes. Cerca de 75% dos mil milhões de euros contratualizados em 2019 são de estrangeiros.

in ECO, por Mónica Silvares, 17-01-2020


Portugal voltou a conseguir ultrapassar a meta de mil milhões de euros de investimento contratualizado, em 2019. Em causa estão 80 novos projetos, sendo que 75% é de origem estrangeira, mais exatamente de 15 nacionalidades diferentes, revelou ao ECO pelo secretário de Estado da Internacionalização. Os investimentos alemães, franceses e espanhóis foram os mais avultados

“A Aicep contratualizou mais de mil milhões de euros em investimento estrangeiro e português. São investimentos de 15 proveniências diferentes e em 15 setores”, avançou Eurico Brilhante Dias, em antecipação ao balanço que o Executivo vai fazer esta sexta-feira após a assinatura de vários contratos fiscais de investimento. Em declarações ao ECO, o responsável frisou que a diversidade de setores e de investidores “permite abrir o portfolio de negócios onde Portugal tem vantagens competitivas”.

“Não é uma vantagem única, um mono produto”, disse Brilhante Dias revelando que entre os setores com maior volume de investimento se destacam “a indústria automóvel e de componentes com mais de 200 milhões de euros contratualizados, em 15 novos projetos”, mas também “a indústria agroalimentar e o turismo que, no ano passado, superou os 425 milhões de euros contratualizados”. O secretário de Estado fez ainda questão de sublinhar a importância da indústria química e metalomecânica.

Em termos de nacionalidade, foram os alemães que mais investiram em Portugal, com um total de 150 milhões de euros contratualizados o ano passado com a Aicep. Em segundo lugar surgem França e Espanha ambas com investimentos superiores a 100 milhões de euros. Eurico Brilhante Dias sublinhou que “três quartos dos mil milhões de euros contratualizados são da responsabilidade de investidores estrangeiros” e destacou ainda os cerca de 50 milhões de euros da responsabilidade de investidores norte-americanos.

O ministro da Economia já tinha avançado na quinta-feira, na sua audição no Parlamento no âmbito da discussão da proposta do Orçamento de Estado que “mais uma vez os contratos de investimento estrangeiro captados pela Aicep atingiram um novo máximo”. “Ou seja”, disse Pedro Siza Vieira, “o investimento empresarial privado no país cresceu 9,2%”.

Em causa estão 80 contratos de investimento, que comparam com 52 contratualizados em 2018, apesar de em ambos os anos o volume global ser de mil milhões de euros. E tudo aponta para que, em 2020, a fasquia volte a ser ultrapassada. “O pipeline está cheio de potenciais investimentos de diferentes proveniências”, sublinhou ao ECO Eurico Brilhante Dias assegurando que “este será um bom ano de contratualização”.

Será possível ultrapassar a meta dos mil milhões este ano

“Andamos continuamente a gerar expectativas e objetivos cada vez mais difíceis de alcançar, mas olhando para o pipeline, em função do que está em negociação ou em fase de decisão e que tem Portugal na short list, acreditamos que 2020 pode ser de possível voltar a ultrapassar a meta dos mil milhões contratualizados”, afirmou o secretário de Estado, precisando que em causa estão dois mil milhões de euros de investimento potencial, “com maturidades diferentes”, em áreas como indústria química, componentes de automóvel, apoio aos componentes na mobilidade elétrica e energias renováveis.

Entre estes projetos em negociação está, por exemplo, a nova fábrica de automóveis especializada na produção de veículos todo-o-terreno, em Estarreja. Um investimento de 300 milhões de euros que deverá criar 600 postos de trabalho. A produção do modelo da Ineos em Estarreja deverá arrancar dentro de dois anos. “Este investimento como ainda não foi fechado do ponto de vista formal, não foi contabilizado nos números de 2019”, explicou Eurico Brilhante Dias.

Estes são alguns dos dados que serão revelados no balanço que será feito esta sexta no âmbito da assinatura de oito contratos fiscais de investimento com a Bosch Tecnologia; Borgwarner Emissions Systems Portugal; Lauak Grândola; Natixis (sucursal em Portugal); Nozul Algarve; Panpor – Produtos alimentares; TMG – Tecidos Plastificados e outros Revestimentos para a Indústria e Vila Galé Internacional – Investimentos Turísticos. Estes são projetos que já tiveram apoios financeiros, mas que agora vão receber apoios fiscais. A soma de ambos os incentivos tem de respeitar a regra de minimis.

De sublinhar que estes investimentos contratados não são investimentos executados, já que a realização dos mesmos está prevista para os três anos seguintes com marcos específicos em termos de criação de postos de trabalho, Valor Bruto Acrescentado e apoio concedido. Por exemplo, os 80 projetos de investimentos contratualizados em 2019 comprometem-se a criar mais de 7.200 postos de trabalho e a manter outros 20 mil.

Eurico Brilhante Dias não avançou o valor da despesa fiscal associada aos contratos de investimento, mas explicou que a lógica subjacente aos apoios concedidos pelo Executivo português: “Aquilo que contratualizamos é um euro de incentivo gerar dez euros de exportações em ano cruzeiro e cada euro de incentivo alavancar três a quatro euros de investimento privado“.

Na cerimónia vão ainda ser entregues incentivos financeiros à Bial, Bosch Car Multimédia, Bluepharma, Hilodi, Kirchoff Automotive Portugal e Stelia. Projetos que numa fase seguinte terão também apoios fiscais.

 

 

Germany plans aid for struggling auto industry

Chancellor Angela Merkel’s government is preparing measures to aid workers in Germany’s struggling auto sector, according to the labor ministry.

in Automotive News Europe, Birgit Jennen | Reuters, 16-01-2020


Labor Minister Hubertus Heil plans to introduce wage subsidies for automakers and their suppliers to prevent possible job losses if the downturn in the sector continues, his ministry said in response to questions from Bloomberg.

A similar mechanism was used successfully during the financial crisis of 2008 to prevent mass layoffs.

The government is hosting talks with labor union and company representatives on Wednesday to discuss the plans, which would still require parliamentary approval.

The meeting is not expected to produce a final decision, as the government itself cannot agree on the timing. While Heil, who is part of the Social Democratic Party (SPD), is pushing for a swift implementation, Merkel’s ruling Christian Democratic Union (CDU) wants the Bundestag, the lower house in parliament, to have the final say on a time line.

Automakers in Europe’s largest economy had a turbulent 2019 as an economic slowdown coincided with a transition to electric and self-driving cars. Additionally, concerns about higher tariffs caused by the U.S.-China trade war stoked fears of a deteriorating environment for the industry.

PSA Group’s German division, Opel, said on Tuesday that it will cut up to 4,100 jobs, joining rivals around the globe in retrenching amid a sales slowdown and technological disruption.

“The car sector is undergoing a difficult transition phase and needs more flexibility to respond to a slowdown,” the SPD’s deputy leader in the Bundestag, Carsten Schneider, told reporters Wednesday in Berlin.

Wage subsidies allow companies to keep employees on their payroll during a downturn, but under current legislation are only allowed if the labor market as a whole is in trouble. Heil wants to introduce subsidies for specific sectors in trouble, such as the automotive industry.

Under his proposal the government would pay social security contributions if a worker cuts back his or her working hours to take on vocational training.

For January, the labor ministry expects 113,500 workers on a reduced workload program. During the financial crisis, the number peaked at 1.4 million in 2009.

 

Autoeuropa atinge três milhões de carros este ano

A fábrica de Palmela do grupo Volkswagen deverá atingir o marco histórico ainda na primeira metade do ano.

in Negócios, por Pedro Curvelo, 16-01-2020


Após dois anos consecutivos com recordes de produção, a Autoeuropa terá um marco histórico a assinalar este ano: o automóvel número três milhões a sair da fábrica de Palmela.

Até final do ano passado, a unidade de produção do grupo Volkswagen contabilizava 2.917.240 veículos montados. Ou seja, o “número mágico” está a uma distância de 82.760 veículos. Com base na produção média da Autoeuropa, a fasquia dos três milhões deverá ser alcançada em abril. Desde 1995, ano em que a fábrica começou a laborar, a Autoeuropa foi responsável por mais de metade dos quase 5,4 milhões de veículos produzidos em Portugal. E só no ano passado, a fábrica de Palmela representou 74,3% das 345.688 viaturas que saíram de linhas de produção em Portugal.

A Autoeuropa, aliás, é a quinta maior fábrica de veículos de passageiros da marca Volkswagen em todo o mundo, excluindo a China, em termos de volume de produção com mais de 256 mil unidades no ano passado.

E, excluindo 2018 e 2019, o volume da Autoeuropa no ano passado superou a produção automóvel total nacional em todos os anos desde 1998.

Um “gigante” exportador

Em 2018, último ano para o qual existem dados, a Autoeuropa foi responsável por 5% das exportações de bens de Portugal e representou 1,6% do produto interno bruto (PIB). O volume de negócios da fábrica de Palmela cifrou-se nesse ano em 3.247 milhões de euros, um aumento de 68,6% face ao registado em 2017.

As exportações no ano passado ascenderam a 255.354 veículos, um novo máximo histórico e uma subida de 16,5% face a 2018. Os mercados externos são o destino de 99,4% da produção da fábrica.

O início da produção do SUV compacto T-Roc foi o “motor” da aceleração da Autoeuropa nos últimos anos. Sendo que a produção acumulada nos dois últimos anos totaliza 477.800 unidades, quase tanto como os 490.995 veículos que saíram da fábrica entre 2013 e 2017.

O T-Roc levou a Autoeuropa a aumentar o número de turnos semanais de 17 para 19 a partir da segunda metade de 2018, o que permitiu o crescimento acentuado da produção.

Aliás, a fábrica demorou nove anos a atingir um milhão de veículos produzidos, o que ocorreu em 2003. Para alcançar os dois milhões de unidades foi necessária mais uma década. Agora, serão apenas precisos sete anos para que a barreira dos três milhões seja superada.

 

 

Há um recorde histórico em Portugal na indústria automóvel

Portugal colocou no mercado automóvel mundial 346.688 veículos produzidos em 2019, mais 17,4% que no ano anterior. A maioria esmagadora saiu da Autoeuropa

in Expresso, por Vitor Andrade, 14-01-2020


A indústria automóvel em Portugal fechou o ano de 2019 com um recorde histórico, tendo atingido as 346.688 unidades produzidas, mais 17,4% que no ano anterior.

O número foi divulgado esta terça-feira pela Associação Automóvel de Portugal (ACAP), que chama ainda a atenção para o facto de no ano passado terem sido vendido 267.828 veículos automóveis, alguns dos quais produzidos em Portugal, pelo que a produção atingida neste ano superou as vendas em 77.860 unidades.

Só da Autoeuropa, em Palmela, este ano deverão ter saído cerca de 240 mil carros, 70% dos quais do novo modelo da Volkswagen T-Roc. Os restantes 30% dizem respeito aos modelos Sharan e Alhambra do monovolume, cuja produção se iniciou em 1995. Os números finais da construtora ainda não foram divulgados.

A informação estatística relativa ao ano de 2019 confirma, segundo a ACAP, a importância que as exportações representam para o sector automóvel “já que 97,3% dos veículos fabricados em Portugal têm como destino o mercado externo, o que, sublinhe-se, contribui de forma significativa para a balança comercial portuguesa”.

A ACAP nota ainda que a Europa continua a ser o mercado líder nas exportações dos veículos fabricados em território nacional – com 92,7% – com a Alemanha (23,3%), França (15,5%), Itália (13,3%), Espanha (11,1%) e Reino Unido (8,7%) no topo do ranking.

 

 

NanoCleanLeather – desenvolvimento de pele natural com propriedades de limpeza melhorada

A Couro Azul, no âmbito do projeto NanoCleanLeather, desenvolveu pele natural com propriedades de limpeza melhorada – anti-soiling ou self-cleaning – destinada ao interior automóvel, ferroviário e aeronáutico. Desta forma é assegurada uma higienização superior e a consequente minimização dos procedimentos e materiais de limpeza gastos no processo, o que permitiu induzir uma diminuição do impacto ambiental e económico gerado

in COMPETE 2020, 14-01-2020


Síntese do projeto

O projeto teve como objetivo a investigação e desenvolvimento de pele natural com propriedades de limpeza melhorada – anti-soiling ou self-cleaning – destinada ao interior automóvel, com recurso a aditivos nanoestruturados. Pretende-se ainda que estas melhorias permitam a utilização pioneira de nubuck e camurça na indústria dos transportes.

O projeto Nanocleanleather propôsse a desenvolver couro com propriedades repelentes à sujidade e de auto-limpeza para o setor automóvel (especificamente capas de assento, volantes, painéis e painéis das portas) usando aditivos nanoestruturados.

As principais linhas de investigação foram:

  1. Síntese de aditivos para propriedades anti-soiling, designadamente nanopartículas de sílica funcionalizadas com flúor, que assegurem elevada rugosidade e reduzida energia superficial;
  2. Síntese de aditivos para propriedades self-cleaning, designadamente nanocompósitos de sílica e dióxido de titânio, que assegurem a degradação de contaminantes por ação fotocatalítica;
  3. Investigação de processos para incorporação de aditivos nanoestruturados em pele natural, para obtenção de propriedades anti-soiling ou self-cleaning, que potenciem um elevado desempenho (e uma durabilidade satisfatória) das funcionalidades, bem como a manutenção do aspeto natural do couro.

As formulações existentes para conferir propriedades anti-soiling à pele apresentam limitações ao nível do desempenho, durabilidade e alteração do seu aspeto natural. Os aditivos sintetizados, bem como os processos de incorporação, foram selecionados de modo a garantir melhorias em termos da limpeza e assegurar a manutenção das credenciais de estética e conforto caraterísticas da pele natural.

 

Promotores

O consórcio do projeto NanoCleanLeather é constituído por três entidades, a empresa Couro Azul, e duas entidades do SI&I (Sistema Nacional de Investigação e Inovação): CTIC – Centro Tecnológico das Indústrias do Couro  e CENTITVC – Centro de Nanotecnologia e Materiais Técnicos Funcionais e Inteligentes.

 

Apoio

O projeto NanoCleanLeather foi cofinanciado pelo COMPETE 2020 no âmbito do Sistema de Incentivos à I&DT (Investigação e Desenvolvimento Tecnológico), na vertente de co-promoção, com um investimento elegível de 459 mil euros, correspondendo a um incentivo FEDER de cerca de 330 mil euros.

 

Conheça o projeto nos artigos: