José Maria Castro: “Começamos a sentir sinais de abrandamento na economia”

José Maria Castro, diretor-geral da fábrica da PSA em Mangualde diz que a unidade está preparada para produzir automóveis elétricos e híbridos a partir de 2025. Antes disso, no entanto, a indústria automóvel tem de estar preparada para vários sinais de abrandamento da economia, dentro e fora da Europa. Esta é a terceira parte da entrevista ao programa “A Vida do Dinheiro”.

in Dinheiro Vivo, por Diogo Ferreira Nunes e Vítor Rodrigues Oliveira, 26-01-2019


 

Temos vários desafios globais, como o Brexit, a guerra comercial China/EUA, eventuais taxas à importação de automóveis para os EUA e abrandamento da economia. De que forma encara este ano a nível internacional?

Vivemos um momento complicado, com muitas variáveis em jogo. Estamos em adaptação permanente. O grupo PSA passou por momentos complicados em 2012 e quase desapareceu. A sobrevivência está nos genes do grupo e estamos preparados para nos adaptar-nos. Pode haver impactos fortes na indústria com as novas regulamentações sobre as emissões, que vão criar mais custos nos nossos carros e que nem todos os clientes vão estar dispostos a aceitar. Haverá uma perda de volumes de produção relativamente importante.

Entre os vários fatores, o que mais o preocupa?

(pausa) Não há resposta fácil. O que mais nos preocupa é a questão das emissões, porque é um problema de longo-prazo, para entre 2025 e 2030. Teremos de rever a nossa gama de veículos, electrificar toda a frota, retrabalhar a rede comercial para que saiba acompanhar os clientes nesta transformação. Vemos, de momento, que a Europa ainda não está bem preparada para absorver o número de híbridos plug-in que temos que vender.

Mangualde poderá vir a produzir carrinhas híbridas ou elétricas?

Para já, não está validado no plano para os próximos três ou cinco anos. No ano passado, com o projeto K9, a fábrica foi adaptada para flexibilizar toda a zona de produção mecânica e permitir que no futuro chegue um veículo híbrido, elétrico ou até com células de combustível. Das hipóteses de renovação de meia-vida do carro, estamos a estudar uma potencial versão híbrida ou elétrica, porque não teremos outra opção.

Isso será quando?

Em princípio, daqui a seis anos, mas estamos a analisar uma potencial aceleração da eletrificação da gama. Mas isso também irá depender da aceitação dos clientes.

O abrandamento da economia pode afetar a produção em Mangualde. Esses sinais já são sentidos na fábrica?

Começamos a sentir alguns sinais de abrandamento. Nas últimas análises de planos de produção, começamos a ver algumas hipóteses um pouco mais baixas do que imaginávamos. Mas o futuro é muito incerto porque há muitas variáveis muito fortes. Não há uma previsão exata de como vão evoluir as coisas.

Novo projeto confirma MCG como especialista em estruturas para sistemas HVAC para comboios

Após a validação de uma unidade de protótipo validade pelo cliente em dezembro, o desenvolvimento de uma nova estrutura para sistemas de HVAC para comboios reforça a MCG transportation como especialista em processos de soldadura com certificação EN 15085, ao mesmo tempo que demonstra a capacidade de adaptação e tempo de resposta desta divisão da MCG, dedicada à produção de interiores para comboios e autocarros.

in MCG mind for metal, 25-01-2019


 

O projeto em causa consiste na produção de um novo housing para um sistema de HVAC para o fabricante Merak e que se destina à instalação nas plataformas dos comboios FLIRT produzidos pela Stadler Rail.

 

Ao nível da produção, este é um projeto de grande exigência ao nível de novos processos e equipamentos, facto a que a MCG transportation dá resposta com a otimização do layout das linhas de montagem. Características especiais da estrutura – tais como a dimensão total de mais de três metros, por exemplo – motivam também o investimento em novas ferramentas, ao mesmo tempo que cresce a complexidade da montagem.

 

Para a concretização deste projeto, são determinantes as principais mais-valias desta unidade de negócio da empresa:

  • A capacidade de gestão de projetos desta dimensão, no total da extensão da cadeia de valor;
  • A capacidade de reformulação do design do processo, integrando este tipo de produtos num conceito de linha de produção;
  • A capacidade de investimento em formação dos colaboradores, assegurando um processo robusto e com um nível de qualidade bastante elevado;
  • A proximidade face ao cliente e a rapidez de resposta e proatividade na integração dos requisitos por ele exigidos.

 

Tudo isto faz com que a MCG transportation se assuma como um forte e experiente player neste mercado, perfeitamente habilitado para o desenvolvimento de projetos de grande envergadura.

 

Fique a conhecer todos os pormenores deste projeto através do nosso CASE STUDY completo.

 

 

 

Vendas de componentes sobem 320 milhões à boleia da Autoeuropa

As vendas em Portugal de componentes para a produção automóvel atingiu os 11,3 mil milhões de euros no ano passado, dos quais 1,9 mil milhões destinados às fábricas de automóveis em Portugal, revela um estudo da AFIA – Associação de Fabricantes para a Indústria Automóvel apresentado quarta-feira, 23 de janeiro, em Ílhavo.

in Negócios, por Pedro Curvelo, 25-01-2019


O forte crescimento na produção da Autoeuropa – que duplicou o número de veículos fabricados, superando as 220 mil unidades – foi o “motor” para um aumento de cerca de 320 milhões de euros, o que corresponde a uma subida de 20%, nas vendas de componentes para o mercado doméstico.

O setor registou também um aumento de 6% nas exportações, que somaram 9,4 mil milhões de euros. No total, o volume de negócios dos fabricantes de componentes ascendeu a 11,3 mil milhões de euros, um crescimento de 8% face a 2017.

A AFIA sublinha que, desde 2010, as vendas do sector cresceram 71% em termos acumulados, tendo as exportações aumentado 81% nesse período.

O maior dinamismo do mercado interno levou a que o peso das vendas ao exterior tenha diminuído ligeiramente, passando dos 85% em 2017 para os 83%.

A associação destaca ainda que o volume de negócios da indústria de componentes representa 5% do produto interno bruto (PIB) e que as vendas ao estrangeiro correspondem a 16% das exportações de bens transacionáveis. O setor empregava, em 2018, 55 mil trabalhadores, mais três mil do que em 2017, e contabilizava 235 empresas com 265 fábricas.

Apesar dos bons resultados alcançados no ano passado, a AFIA alerta para anos difíceis pela frente. A associação estima que a produção automóvel registe uma estagnação, prevendo um crescimento ligeiro na Europa, mercado que pesa 75% nas vendas totais do setor e absorve cerca de 90% das exportações. Ainda assim, Espanha e Alemanha, os principais mercados para as empresas nacionais, deverão crescer acima da média europeia.

A AFIA sublinha ainda que “98% dos carros produzidos na Europa têm componentes portugueses”.

Para Portugal, as projeções da associação apontam para um crescimento da produção automóvel de aproximadamente 12% este ano, correspondentes a cerca de 330 mil veículos produzidos. Em 2020, contudo, a AFIA antecipa uma quebra para um volume de produção automóvel de 319 mil viaturas.

 

 

 

 

 

 

CIP alerta para lacuna no plano de investimento para a rede ferroviária

Inexistência de uma ligação eficaz entre os portos portugueses do Centro e Norte e a rede ferroviária europeia prejudica a competitividade da economia portuguesa.

in CIP, 24-01-2019


 

O Programa Nacional de Investimentos 2030 (PNI 2030), recentemente apresentado, contém uma lacuna nos investimentos previstos para a rede ferroviária que a CIP – Confederação Empresarial de Portugal considera ser grave, porque põe em causa a competitividade da economia portuguesa, ao comprometer, por muitos anos, a ligação às redes de transporte europeias.

A CIP e os seus associados Associação Empresarial de Portugal (AEP), Conselho Empresarial do Centro (CEC), AFIA – Associação de Fabricantes para a Indústria Automóvel, Associação Industrial do Distrito de Aveiro (AIDA) e NERLEI – Associação Empresarial da Região de Leiria consideram que a principal prioridade da política ferroviária deveria ser a ligação entre os portos e as plataformas logísticas do norte e centro de Portugal com a fronteira, em condições de interoperabilidade com a rede espanhola e europeia, viabilizando um transporte de mercadorias eficiente.

Esta prioridade fica comprometida pelo facto do projeto relativo ao Corredor Internacional Norte se limitar a uma nova ligação ferroviária eletrificada, apenas entre Aveiro e Mangualde e remetida para o final do horizonte temporal do PNI 2030.

Esta lacuna, para a qual a CIP já alertou o Governo, a persistir, mantém Portugal isolado dos mercados europeus por tempo indeterminado, sem ligações competitivas e diretas com a Europa pelo meio de transporte económica e ambientalmente mais sustentável – a ferrovia –, e perde argumentos para que Espanha ligue a sua rede em bitola europeia com a fronteira portuguesa. As nossas empresas ficam, assim, totalmente vulneráveis aos custos crescentes dos produtos petrolíferos e às consequências de políticas ambientais que visam reduzir o número de camiões nas estradas europeias.

Sem estas ligações, a competitividade da economia portuguesa, bem como a sua capacidade de atração e fixação de investimento, tanto estrangeiro como nacional, é afetada de forma drástica, gerando desemprego e empobrecimento cada vez maior face à União Europeia.

 

 

 

 

Sector de componentes automóveis exige solução ferroviária a Norte para mercadorias

Oitenta por cento desta indústria, que facturou em 2018 o equivalente a 5% do PIB, está localizada a norte de Leiria. Por isso, rejeitam a utilidade da ligação Sines-Badajoz

in Público, por Victor Ferreira, 24-01-2019


 

A venda de componentes de carros para o estrangeiro vai de vento em popa mas no horizonte surgem alguns ventos de adversidade. E uma das coisas que preocupam os industriais deste sector é a falta de carris para escoar produto. O sector, que exportou 83% do que produziu em 2018, reclama uma alternativa ferroviária que ligue Aveiro a Salamanca, rejeitando a alternativa Sines-Badajoz. É a sobrevivência do sector que está em causa, dizem, dado que a ferrovia serviria para baixar os custos de transporte da mercadoria acabada e das matérias-primas, que vêem maioritariamente da Europa.

Esta reivindicação já tinha sido expressa pela própria Confederação Empresarial de Portugal, e reemergiu nesta quarta-feira durante o nono encontro da Associação de Fabricantes para a Indústria Automóvel (AFIA), que reuniu duas centenas de pessoas em Ílhavo.

Discutia-se os factores de competitividade desta indústria, que conta com 235 empresas (e 265 fábricas no país, 80% das quais nas regiões a Norte de Leiria), e Isabel Furtado, CEO da TMG Automotive e actual presidente da COTEC, deu voz ao descontentamento deste sector em relação aos planos ferroviários que o governo tem inscritos no Programa Nacional de Investimentos 2030 (PNI 2030), que passa pela modernização da linha da Beira Alta entre Aveiro e Mangualde. A alternativa do executivo para as mercadorias com ligação a Espanha e ao resto da Europa é uma ligação a sul, entre Sines e Badajoz, contemplada no plano Ferrovia 2020, uma aposta que é rejeitada pela AFIA.

“Precisamos de uma linha que passe pelo centro industrial do país”, reclamou Isabel Furtado, que também criticou os trabalhos preparatórios do próximo quadro comunitário, o Portugal 2030. “Está neste momento a ser elaborado e, ao que me disseram, por pessoas que nada conhecem das empresas nem da indústria. Ou seja quem vai decidir se vamos ter ou não incentivos não percebe nada de indústria e do que estamos a fazer”, resumiu Isabel Furtado, cuja intervenção tocou em dois temas que foram uma constante todo o dia: o sector vai ter de enfrentar o futuro próximo, que se avizinha mais difícil, com olhos nos custos – dos quais os logísticos são dos que mais pesam – e com grandes necessidades de investimento, para se ajustar às grandes transformações por que passa o sector automóvel, com a chegada da mobilidade eléctrica, conectada e partilhada.

Questionado pelo PÚBLICO sobre esta exigência das empresas em relação à ferrovia, o secretário de Estado da Economia, João Correia Neves, disse que o ministério a que pertence só pode ajudar a “construir um quadro de referência para que essa discussão seja feita em torno de alternativas”. Sendo um tema tutelado pelo Ministério do Planeamento, este governante salientou a importância de essa discussão ser feita “com todos os parceiros e agentes políticos, à procura de soluções que sejam as mais adequadas possíveis”.

Estagnação no horizonte
Em cada 100 carros produzidos na Europa em 2018, 98 têm componentes fabricados em Portugal, o que mostra uma elevada incorporação da produção nacional e reforça as mensagens que foram circulando sobre a necessidade de uma alternativa de transporte à rodovia. O sector “tem vivido tempos bons”, nas palavras de Tomás Moreira, presidente da AFIA, com o volume de negócios a ascender aos 11,3 mil milhões de euros (ou 5% do Produto Interno Bruto português). As vendas ao exterior foram de 9400 milhões de euros, sendo 16% das exportações portuguesas de bens transaccionáveis. Para um sector que tem “apenas” 235 empresas, mas 55 mil trabalhadores, o valor acrescentado bruto por trabalhador foi de 48 mil euros – mais 50% do que a média da indústria transformadora portuguesa.

Porém, avizinha-se “uma fase de grandes mudanças”, alertou Tomás Moreira e já paira no ar “receios de estagnação”.

Uma das fragilidades é a dependência do mercado europeu, onde a produção de automóveis caiu “drasticamente” no último quadrimestre de 2018, segundo os dados revelados por Pedro Carvalho, da direcção da AFIA. Na Europa, construíram-se 22 milhões de carros no ano passado, uma variação global de -0,1%, que não pode fazer esquecer a mensagem essencial: houve uma travagem a fundo na Europa, que absorve 92% das exportações nacionais, pelo que é preciso encontrar outros mercados.

Para o líder da AICEP, Luís Castro Henriques, que apresentou no encontro três desafios à indústria, um dos caminhos é diversificar os mercados de destino, apontando baterias para a Ásia, que é o maior fabricante e o maior consumidor de automóveis em termos mundiais.

 

 

98% dos carros feitos na Europa têm peças made in Portugal

Indústria de componentes gerou um recorde de 11,3 mil milhões de euros em 2018. Mas o futuro tem vários riscos.

in Dinheiro Vivo, por Diogo Ferreira Nunes, 24-01-2019


 

Nada mais, nada menos de 98% dos carros feitos na Europa têm uma peça fabricada em Portugal. Graças a isso, a indústria de componentes conseguiu um novo recorde no ano passado: passou a valer 11,3 mil milhões de euros. Mas há obstáculos a vencer na estrada do sector, desde as mudanças na indústria automóvel, onde os carros elétricos ganham cada vez mais peso, à falta de diversificação das exportações, aumento dos custos de logística e ainda à concorrência dos países de Leste e de Marrocos.

De Portugal sai todo o tipo de peças para as fábricas europeias: desde os estofos da Coindu para os carros do grupo Volkswagen; as espumas e tecidos da ERT Têxteis para os carros de luxo da Rolls-Royce e da Maserati; ou ainda as caixas de velocidade para os carros da Renault, que são produzidas a partir de Cacia, no distrito de Aveiro.

É, por exemplo, nas caixas de velocidades que se vai viver o futuro da indústria de componentes: por causa dos automóveis elétricos, estas caixas terão de sofrer fortes transformações para conseguirem lidar com os motores movidos a baterias e não com os motores de combustão. Esta será uma das maiores transformações que serão sentidas pela indústria de peças nos próximos anos, segundo um estudo divulgado durante o evento pela consultora Roland Berger.

Ao mesmo tempo, as empresas nacionais terão de apostar na diversificação dos mercados de exportação, que representou 83% do volume de negócios (9,4 mil milhões de euros) no ano passado. Entre as peças que ficam na Europa, mais de metade têm como destino Espanha (21%), Alemanha (17%), França (12%) e Reino Unido (8%). Entre estes quatro ‘motores’ da economia, no entanto, apenas o espanhol dá garantias de aumento da produção nos próximos anos; os restantes vão estagnar ou mesmo perder potência, como França e Reino Unido. “Precisamos de diversificar cada vez mais as exportações de automóveis. Temos de começar a abraçar outras geografias, sobretudo fora da Europa”, apontou Luís Castro Henriques, presidente da agência de investimento AICEP.

Portugal enfrenta também o desafio dos custos, sobretudo na produção e no envio e receção de peças para o estrangeiro. Na produção, a AFIA voltou a chamar a atenção para os “custos excessivos da eletricidade”; na logística, a falta de investimento na ferrovia é visto cada vez mais como um obstáculo, tendo em conta que as estradas “representam 95% dos movimentos e existe cada vez mais pressão ambiental”, avisou Adolfo Silva, diretor da AFIA.

A concorrência internacional também é vista como um obstáculo a ultrapassar, seja vinda do Leste da Europa ou até de Marrocos. “Temos de estar atentos aos riscos de deslocalização da indústria automóvel para países como Polónia, Hungria e Roménia”, notou José Couto, líder do cluster automóvel Mobinov. No caso de Marrocos, os industriais chamaram a atenção para o “investimento impressionante em infraestruturas e a estratégia agressiva de captação de investimento estrangeiro“.

Estes e outros riscos podem penalizar uma indústria que dá emprego direto a 55 000 pessoas, que conta com 265 fábricas em praticamente todo o país (ver mapa) e que representa 5% de toda a economia nacional. Os dados foram revelados ontem pela AFIA – Associação de Fabricantes para a Indústria Automóvel no 9.º encontro da indústria automóvel.

Para dar a volta, a indústria de componentes lança várias propostas. Jorge Rosa, presidente da ACAP – Associação Automóvel de Portugal, entende que “é fundamental aproximar os fornecedores de peças dos fabricantes automóveis no desenvolvimento de produtos”. Rodrigo Custódio, da Roland Berger, considera que a indústria portuguesa “pode antecipar-se à estagnação dos modelos de combustão, sobretudo na Europa, e tirar benefícios desta situação”. Isabel Furtado, presidente da associação COTEC, defende que o país “precisa de pensar em inovação, aberta e colaborativa” e ainda “apostar na indústria 4.0”.

Para já, em 2019, prudência é a palavra de ordem. “Vivemos uma fase de enormes mudanças no setor automóvel e poderemos estar a ver os primeiros sintomas de estagnação na Europa”, avisou Tomás Moreira, presidente da AFIA.

 

 

Made in Europa? 98% dos carros tem uma peça produzida em Portugal

A indústria de componentes portuguesa registou em 2018 um ano recorde, em que gerou 11,3 mil milhões de euros. A exportação correspondeu a 83% do volume de negócios.

in Eco economia online, 24-01-2019


 

Carro feito na Europa? As probabilidades de ter uma peça produzida em Portugal são extremamente altas. A indústria de componentes teve um ano recorde, em que gerou 11,3 mil milhões de euros, ao garantir que 98% dos carros fabricados no Velho Continente têm uma peça portuguesa.

A exportação representou 83% do volume de negócios da indústria no ano passado, o que se traduz em 9,4 mil milhões de euros, adianta o Diário de Notícias. A Espanha é o principal destino das peças que ficam pela Europa, seguida da Alemanha, que recebe 17%, a França, para onde vão 12% das peças, e, finalmente, o Reino Unido, com 8%.

Na lista de produção de Portugal incluem-se elementos como estofos da Coindu para os carros do Grupo Volkswagen, espumas e tecidos da ERT Têxteis para os carros de luxo da Rolls-Royce e da Maserati, ou caixas de velocidade para os carros da Renault, produzidas em Cacia, no distrito de Aveiro.

Já as fábricas estão espalhadas um pouco por todo o terreno nacional, particularmente pelo norte. São 265 fábricas no total, que empregam 55 mil pessoas, numa indústria que representa cerca de 5% de toda a economia nacional, segundo revelam dados da Associação de Fabricantes para a Indústria Automóvel.

 

 

AFIA | 9º Encontro da Indústria Automóvel – fotografias

A AFIA – Associação de Fabricantes para a Indústria Automóvel  organizou no dia 23 de Janeiro o 9º Encontro da Indústria Automóvel, que contou com uma numerosa assistência e permitiu um amplo debate sobre o desenvolvimento e principais desafios com que se defronta a indústria automóvel.

in AFIA, 24-01-2019


No Museu da Vista Alegre (Ílhavo), estiveram representadas as maiores empresas portuguesas de componentes, empresas multinacionais estrangeiras, construtores de automóveis, associações / clusters, câmaras de comércio e indústria, centros tecnológicos, centros de formação, empresas de serviços e de consultoria, órgãos de comunicação social, entidades do sistema financeiro, entidade públicas e governamentais.

Veja a seguir a reportagem fotográfica do 9º Encontro da Indústria Automóvel:

Créditos: Hugo Monteiro (AFIA | NO MORE)

 

98% dos carros europeus têm peças feitas em Portugal

A indústria de componentes automóveis em Portugal passou a valer 11,3 mil milhões de euros em 2018

in Expresso, 24-01-2019


A indústria de componentes automóveis em Portugal atingiu um novo recorde em 2018: passou a valer 11,3 mil milhões de euros. Na prática, este número quer dizer que, ao nível europeu, 98% dos veículos têm uma peça fabricada em Portugal, avança o “Diário de Notícias” esta quinta-feira.

Segundo o matutino, saem do país todo o tipo de peças para as fábricas europeias: os estofos da Coindu para os carros do Grupo Volkswagen; as espumas e tecidos da ERT Têxteis para os carros de luxo da Rolls-Royce e da Maserati; as caixas de velocidade para os carros da Renault, que são produzidas a partir de Cacia, no distrito de Aveiro.

No ano passado, as exportações de componentes representaram 83% do volume de negócios (9,4 mil milhões de euros). Entre as peças que ficaram na Europa, mais de metade têm como destino Espanha (21%), Alemanha (17%), França (12%) e Reino Unido (8%).

Dos quatro países, apenas Espanha dá garantias de aumento da produção nos próximos anos. “Precisamos de diversificar cada vez mais as exportações de automóveis. Temos de começar a abraçar outras geografias, sobretudo fora da Europa”, disse Luís Castro Henriques, presidente da agência de investimento AICEP, em declarações ao jornal.

 

 

É recorde: Peças para carros valem mais de 11 mil milhões de euros

83% dos componentes para automóveis vão para o estrangeiro mas a produção do T-Roc aumentou o mercado interno desta indústria.

in Dinheiro Vivo, por Diogo Ferreira Nunes, 23-01-2019


 

A indústria que produz peças para automóveis em Portugal já vale 11,3 mil milhões de euros. O número recorde é relativo a 2018 e mostra que este sector representa 5% da economia portuguesa. Os dados foram anunciados esta quarta-feira em Ílhavo pela AFIA – Associação de Fabricantes para a Indústria Automóvel, durante o nono encontro da indústria automóvel. Este sector dá emprego a 55 000 pessoas.

Este mercado é claramente exportador, tendo em conta que 83% dos componentes para automóveis vão parar ao estrangeiro. Isto corresponde a 9,4 mil milhões de euros. Espanha, Alemanha, França e Reino Unido, por esta ordem, são os quatro países com maior peso nas exportações.

O mercado interno vale apenas 17% mas ainda assim cresceu em comparação com 2017. A culpa é do T-Roc, o primeiro automóvel de larga escala montado na Autoeuropa e que contribuiu para o recorde de produção desta indústria em 2018

A metalurgia e metalomecânica é a atividade que proporciona mais volume de negócios, com 32%; segue-se a área elétrica e de eletrónica, com 30%; a indústria de plásticos, borrachas e outros compósitos tem 19%.

A indústria de componentes deu emprego direto a 55 000 pessoas em 2018, mais 5,5% face ao ano anterior. Só nos últimos oito anos foram criados 15 000 postos de trabalho neste sector da economia portuguesa. O emprego na área de componentes para automóveis corresponde a 8% da indústria transformadora.

Há 235 empresas a produzir peças para carros em Portugal mas há 265 fábricas porque há empresas que contam com mais do que uma unidade de laboração. O distrito de Aveiro é o mais representando, com 65 fábricas. Seguem-se Porto, Braga e Viana do Castelo, respetivamente com 48, 36 e 27 unidades de produção. Apenas os distritos de Faro e de Beja não têm qualquer fábrica de produção de componentes.

Nota ainda para os 800 milhões de euros de investimento nesta indústria só em 2018 e que resultaram da “mudança do tipo de produtos produzidos, que implicaram capital para suportar este investimentos”, assinalam os dirigentes da AFIA.

Para 2019, prudência é a palavra de ordem. “Vivemos uma fase de enormes mudanças no sector automóvel e poderemos estar a ver os primeiros sintomas de estagnação na Europa”, avisou Tomás Moreira, presidente da AFIA, durante a abertura do encontro.