Encontro da AFIA – panorama, desafios e crescimento do setor

A AFIA – Associação de Fabricantes para a Indústria Automóvel organizou no passado dia 23 de janeiro, o 9º Encontro da Indústria Automóvel

in Revista Automotive, Edição nº 66, Janeiro 2019


O evento contou com mais de uma centena de convidados, e que permitiu um amplo debate sobre o desenvolvimento
e principais desafios com que se defronta a indústria automóvel, confirmando, uma vez mais, a força produtiva e exportadora deste setor.

No Museu da Vista Alegre (Ílhavo), estiveram representadas as maiores empresas portuguesas de componentes, empresas multinacionais estrangeiras, construtores de automóveis, associações / clusters, câmaras de comércio e indústria, centros tecnológicos, centros de formação, empresas de serviços e de consultoria, órgãos de comunicação social, entidades do sistema financeiro, entidade públicas e governamentais, bem como os parceiros e patrocinadores, como foram os casos da Fuchs e da Hays.

Tomás Moreira, presidente da AFIA, destacou aos presentes, o papel e o trabalho desenvolvido pela sua entidade,
que já conta com 50 anos de existência, ao longo dos quais, os pilares centrais das suas atividades continuam a ser a
promoção da competitividade dos fabricantes nacionais, as exportações e a internacionalização das empresas associadas. O tema central deste encontro foi o “Crescimento na Mudança”.

Segundo Tomás Moreira, “nos últimos dez anos, a indústria nacional de componentes para automóveis cresceu de uma forma sustentada, a uma taxa superior à dos seus mercados, aumentando assim as suas quotas e volumes de negócios. O nosso setor cresceu através de novos projetos, novos clientes e produtos com maior valor, bem como de novas empresas e mais investimentos.

No entanto, o mercado automóvel europeu continua a ser o maior destino das nossas exportações, dependência que
poderá trazer novos desafios ao setor, visto que poderá haver alguma retração no futuro, no continente europeu. Para além desta possibilidade, existem novos constrangimentos aos fabricantes nacionais de componentes automóvel, por via das novas regras de emissões, das motorizações alternativas, novos conceitos de mobilidade e uma maior conectividade.

Do ponto de vista produtivo – exemplificou – também estamos a entrar numa nova era, com o advento da indústria 4.0 e da robótica; da maior utilização da inteligência artificial; o uso de mais nanotecnologia e, principalmente, de uma nova organização do trabalho. Assim, em conclusão, a inovação e evolução tecnológica, a excelência operacional e o controlo de custos, são três dos grandes desafios para os quais o setor precisa dar uma resposta adequada”, destacou.

 

(crédito fotos AFIA/NOMORE/Hugo Monteiro)

 

 

A AFIA dá as boas-vindas ao novo Associado: EUROSTYLE SYSTEMS PORTUGAL

A Direcção da AFIA aprovou a adesão à Associação da empresa EUROSTYLE SYSTEMS PORTUGAL.

in AFIA, 29-01-2019


 

Eurostyle Systems Portugal – Indústria de Plásticos e de Borracha, S.A. foi constituída em 2016 e está focada na produção de componentes para sistemas de interior (componentes IP, peças laterais, mala e tecto), bem como módulos de comando de abertura de portas e peças específicas de sistemas exteriores (finishers) para a indústria automóvel.

Esta empresa de capitais franceses pertence ao grupo GMD fundado em 1986 e que tem 47 fábricas em 14 países.

Em Portugal a EUROSTYLE SYSTEMS tem fábrica em Viana do Castrlo e encontra-se em certificada pelas norma IATF 16949 (Automóvel).

O grupo GMD detém ainda mais 2 fábricas em Portugal ligadas à área da fundição a EUROCAST PORTUGAL VIANA (Viana do Castelo) e a EUROCAST AVEIRO (Águeda).

Para mais informações visite a página da EUROSTYLE SYSTEMS PORTUGAL em:

 

www.eurostyle-systems.fr/

 

 

Vendas de componentes sobem 320 milhões à boleia da Autoeuropa

As vendas em Portugal de componentes para a produção automóvel atingiu os 11,3 mil milhões de euros no ano passado, dos quais 1,9 mil milhões destinados às fábricas de automóveis em Portugal, revela um estudo da AFIA – Associação de Fabricantes para a Indústria Automóvel apresentado quarta-feira, 23 de janeiro, em Ílhavo.

in Negócios, por Pedro Curvelo, 25-01-2019


O forte crescimento na produção da Autoeuropa – que duplicou o número de veículos fabricados, superando as 220 mil unidades – foi o “motor” para um aumento de cerca de 320 milhões de euros, o que corresponde a uma subida de 20%, nas vendas de componentes para o mercado doméstico.

O setor registou também um aumento de 6% nas exportações, que somaram 9,4 mil milhões de euros. No total, o volume de negócios dos fabricantes de componentes ascendeu a 11,3 mil milhões de euros, um crescimento de 8% face a 2017.

A AFIA sublinha que, desde 2010, as vendas do sector cresceram 71% em termos acumulados, tendo as exportações aumentado 81% nesse período.

O maior dinamismo do mercado interno levou a que o peso das vendas ao exterior tenha diminuído ligeiramente, passando dos 85% em 2017 para os 83%.

A associação destaca ainda que o volume de negócios da indústria de componentes representa 5% do produto interno bruto (PIB) e que as vendas ao estrangeiro correspondem a 16% das exportações de bens transacionáveis. O setor empregava, em 2018, 55 mil trabalhadores, mais três mil do que em 2017, e contabilizava 235 empresas com 265 fábricas.

Apesar dos bons resultados alcançados no ano passado, a AFIA alerta para anos difíceis pela frente. A associação estima que a produção automóvel registe uma estagnação, prevendo um crescimento ligeiro na Europa, mercado que pesa 75% nas vendas totais do setor e absorve cerca de 90% das exportações. Ainda assim, Espanha e Alemanha, os principais mercados para as empresas nacionais, deverão crescer acima da média europeia.

A AFIA sublinha ainda que “98% dos carros produzidos na Europa têm componentes portugueses”.

Para Portugal, as projeções da associação apontam para um crescimento da produção automóvel de aproximadamente 12% este ano, correspondentes a cerca de 330 mil veículos produzidos. Em 2020, contudo, a AFIA antecipa uma quebra para um volume de produção automóvel de 319 mil viaturas.

 

 

 

 

 

 

Sector de componentes automóveis exige solução ferroviária a Norte para mercadorias

Oitenta por cento desta indústria, que facturou em 2018 o equivalente a 5% do PIB, está localizada a norte de Leiria. Por isso, rejeitam a utilidade da ligação Sines-Badajoz

in Público, por Victor Ferreira, 24-01-2019


 

A venda de componentes de carros para o estrangeiro vai de vento em popa mas no horizonte surgem alguns ventos de adversidade. E uma das coisas que preocupam os industriais deste sector é a falta de carris para escoar produto. O sector, que exportou 83% do que produziu em 2018, reclama uma alternativa ferroviária que ligue Aveiro a Salamanca, rejeitando a alternativa Sines-Badajoz. É a sobrevivência do sector que está em causa, dizem, dado que a ferrovia serviria para baixar os custos de transporte da mercadoria acabada e das matérias-primas, que vêem maioritariamente da Europa.

Esta reivindicação já tinha sido expressa pela própria Confederação Empresarial de Portugal, e reemergiu nesta quarta-feira durante o nono encontro da Associação de Fabricantes para a Indústria Automóvel (AFIA), que reuniu duas centenas de pessoas em Ílhavo.

Discutia-se os factores de competitividade desta indústria, que conta com 235 empresas (e 265 fábricas no país, 80% das quais nas regiões a Norte de Leiria), e Isabel Furtado, CEO da TMG Automotive e actual presidente da COTEC, deu voz ao descontentamento deste sector em relação aos planos ferroviários que o governo tem inscritos no Programa Nacional de Investimentos 2030 (PNI 2030), que passa pela modernização da linha da Beira Alta entre Aveiro e Mangualde. A alternativa do executivo para as mercadorias com ligação a Espanha e ao resto da Europa é uma ligação a sul, entre Sines e Badajoz, contemplada no plano Ferrovia 2020, uma aposta que é rejeitada pela AFIA.

“Precisamos de uma linha que passe pelo centro industrial do país”, reclamou Isabel Furtado, que também criticou os trabalhos preparatórios do próximo quadro comunitário, o Portugal 2030. “Está neste momento a ser elaborado e, ao que me disseram, por pessoas que nada conhecem das empresas nem da indústria. Ou seja quem vai decidir se vamos ter ou não incentivos não percebe nada de indústria e do que estamos a fazer”, resumiu Isabel Furtado, cuja intervenção tocou em dois temas que foram uma constante todo o dia: o sector vai ter de enfrentar o futuro próximo, que se avizinha mais difícil, com olhos nos custos – dos quais os logísticos são dos que mais pesam – e com grandes necessidades de investimento, para se ajustar às grandes transformações por que passa o sector automóvel, com a chegada da mobilidade eléctrica, conectada e partilhada.

Questionado pelo PÚBLICO sobre esta exigência das empresas em relação à ferrovia, o secretário de Estado da Economia, João Correia Neves, disse que o ministério a que pertence só pode ajudar a “construir um quadro de referência para que essa discussão seja feita em torno de alternativas”. Sendo um tema tutelado pelo Ministério do Planeamento, este governante salientou a importância de essa discussão ser feita “com todos os parceiros e agentes políticos, à procura de soluções que sejam as mais adequadas possíveis”.

Estagnação no horizonte
Em cada 100 carros produzidos na Europa em 2018, 98 têm componentes fabricados em Portugal, o que mostra uma elevada incorporação da produção nacional e reforça as mensagens que foram circulando sobre a necessidade de uma alternativa de transporte à rodovia. O sector “tem vivido tempos bons”, nas palavras de Tomás Moreira, presidente da AFIA, com o volume de negócios a ascender aos 11,3 mil milhões de euros (ou 5% do Produto Interno Bruto português). As vendas ao exterior foram de 9400 milhões de euros, sendo 16% das exportações portuguesas de bens transaccionáveis. Para um sector que tem “apenas” 235 empresas, mas 55 mil trabalhadores, o valor acrescentado bruto por trabalhador foi de 48 mil euros – mais 50% do que a média da indústria transformadora portuguesa.

Porém, avizinha-se “uma fase de grandes mudanças”, alertou Tomás Moreira e já paira no ar “receios de estagnação”.

Uma das fragilidades é a dependência do mercado europeu, onde a produção de automóveis caiu “drasticamente” no último quadrimestre de 2018, segundo os dados revelados por Pedro Carvalho, da direcção da AFIA. Na Europa, construíram-se 22 milhões de carros no ano passado, uma variação global de -0,1%, que não pode fazer esquecer a mensagem essencial: houve uma travagem a fundo na Europa, que absorve 92% das exportações nacionais, pelo que é preciso encontrar outros mercados.

Para o líder da AICEP, Luís Castro Henriques, que apresentou no encontro três desafios à indústria, um dos caminhos é diversificar os mercados de destino, apontando baterias para a Ásia, que é o maior fabricante e o maior consumidor de automóveis em termos mundiais.

 

 

98% dos carros feitos na Europa têm peças made in Portugal

Indústria de componentes gerou um recorde de 11,3 mil milhões de euros em 2018. Mas o futuro tem vários riscos.

in Dinheiro Vivo, por Diogo Ferreira Nunes, 24-01-2019


 

Nada mais, nada menos de 98% dos carros feitos na Europa têm uma peça fabricada em Portugal. Graças a isso, a indústria de componentes conseguiu um novo recorde no ano passado: passou a valer 11,3 mil milhões de euros. Mas há obstáculos a vencer na estrada do sector, desde as mudanças na indústria automóvel, onde os carros elétricos ganham cada vez mais peso, à falta de diversificação das exportações, aumento dos custos de logística e ainda à concorrência dos países de Leste e de Marrocos.

De Portugal sai todo o tipo de peças para as fábricas europeias: desde os estofos da Coindu para os carros do grupo Volkswagen; as espumas e tecidos da ERT Têxteis para os carros de luxo da Rolls-Royce e da Maserati; ou ainda as caixas de velocidade para os carros da Renault, que são produzidas a partir de Cacia, no distrito de Aveiro.

É, por exemplo, nas caixas de velocidades que se vai viver o futuro da indústria de componentes: por causa dos automóveis elétricos, estas caixas terão de sofrer fortes transformações para conseguirem lidar com os motores movidos a baterias e não com os motores de combustão. Esta será uma das maiores transformações que serão sentidas pela indústria de peças nos próximos anos, segundo um estudo divulgado durante o evento pela consultora Roland Berger.

Ao mesmo tempo, as empresas nacionais terão de apostar na diversificação dos mercados de exportação, que representou 83% do volume de negócios (9,4 mil milhões de euros) no ano passado. Entre as peças que ficam na Europa, mais de metade têm como destino Espanha (21%), Alemanha (17%), França (12%) e Reino Unido (8%). Entre estes quatro ‘motores’ da economia, no entanto, apenas o espanhol dá garantias de aumento da produção nos próximos anos; os restantes vão estagnar ou mesmo perder potência, como França e Reino Unido. “Precisamos de diversificar cada vez mais as exportações de automóveis. Temos de começar a abraçar outras geografias, sobretudo fora da Europa”, apontou Luís Castro Henriques, presidente da agência de investimento AICEP.

Portugal enfrenta também o desafio dos custos, sobretudo na produção e no envio e receção de peças para o estrangeiro. Na produção, a AFIA voltou a chamar a atenção para os “custos excessivos da eletricidade”; na logística, a falta de investimento na ferrovia é visto cada vez mais como um obstáculo, tendo em conta que as estradas “representam 95% dos movimentos e existe cada vez mais pressão ambiental”, avisou Adolfo Silva, diretor da AFIA.

A concorrência internacional também é vista como um obstáculo a ultrapassar, seja vinda do Leste da Europa ou até de Marrocos. “Temos de estar atentos aos riscos de deslocalização da indústria automóvel para países como Polónia, Hungria e Roménia”, notou José Couto, líder do cluster automóvel Mobinov. No caso de Marrocos, os industriais chamaram a atenção para o “investimento impressionante em infraestruturas e a estratégia agressiva de captação de investimento estrangeiro“.

Estes e outros riscos podem penalizar uma indústria que dá emprego direto a 55 000 pessoas, que conta com 265 fábricas em praticamente todo o país (ver mapa) e que representa 5% de toda a economia nacional. Os dados foram revelados ontem pela AFIA – Associação de Fabricantes para a Indústria Automóvel no 9.º encontro da indústria automóvel.

Para dar a volta, a indústria de componentes lança várias propostas. Jorge Rosa, presidente da ACAP – Associação Automóvel de Portugal, entende que “é fundamental aproximar os fornecedores de peças dos fabricantes automóveis no desenvolvimento de produtos”. Rodrigo Custódio, da Roland Berger, considera que a indústria portuguesa “pode antecipar-se à estagnação dos modelos de combustão, sobretudo na Europa, e tirar benefícios desta situação”. Isabel Furtado, presidente da associação COTEC, defende que o país “precisa de pensar em inovação, aberta e colaborativa” e ainda “apostar na indústria 4.0”.

Para já, em 2019, prudência é a palavra de ordem. “Vivemos uma fase de enormes mudanças no setor automóvel e poderemos estar a ver os primeiros sintomas de estagnação na Europa”, avisou Tomás Moreira, presidente da AFIA.

 

 

Made in Europa? 98% dos carros tem uma peça produzida em Portugal

A indústria de componentes portuguesa registou em 2018 um ano recorde, em que gerou 11,3 mil milhões de euros. A exportação correspondeu a 83% do volume de negócios.

in Eco economia online, 24-01-2019


 

Carro feito na Europa? As probabilidades de ter uma peça produzida em Portugal são extremamente altas. A indústria de componentes teve um ano recorde, em que gerou 11,3 mil milhões de euros, ao garantir que 98% dos carros fabricados no Velho Continente têm uma peça portuguesa.

A exportação representou 83% do volume de negócios da indústria no ano passado, o que se traduz em 9,4 mil milhões de euros, adianta o Diário de Notícias. A Espanha é o principal destino das peças que ficam pela Europa, seguida da Alemanha, que recebe 17%, a França, para onde vão 12% das peças, e, finalmente, o Reino Unido, com 8%.

Na lista de produção de Portugal incluem-se elementos como estofos da Coindu para os carros do Grupo Volkswagen, espumas e tecidos da ERT Têxteis para os carros de luxo da Rolls-Royce e da Maserati, ou caixas de velocidade para os carros da Renault, produzidas em Cacia, no distrito de Aveiro.

Já as fábricas estão espalhadas um pouco por todo o terreno nacional, particularmente pelo norte. São 265 fábricas no total, que empregam 55 mil pessoas, numa indústria que representa cerca de 5% de toda a economia nacional, segundo revelam dados da Associação de Fabricantes para a Indústria Automóvel.

 

 

AFIA | 9º Encontro da Indústria Automóvel – fotografias

A AFIA – Associação de Fabricantes para a Indústria Automóvel  organizou no dia 23 de Janeiro o 9º Encontro da Indústria Automóvel, que contou com uma numerosa assistência e permitiu um amplo debate sobre o desenvolvimento e principais desafios com que se defronta a indústria automóvel.

in AFIA, 24-01-2019


No Museu da Vista Alegre (Ílhavo), estiveram representadas as maiores empresas portuguesas de componentes, empresas multinacionais estrangeiras, construtores de automóveis, associações / clusters, câmaras de comércio e indústria, centros tecnológicos, centros de formação, empresas de serviços e de consultoria, órgãos de comunicação social, entidades do sistema financeiro, entidade públicas e governamentais.

Veja a seguir a reportagem fotográfica do 9º Encontro da Indústria Automóvel:

Créditos: Hugo Monteiro (AFIA | NO MORE)

 

98% dos carros europeus têm peças feitas em Portugal

A indústria de componentes automóveis em Portugal passou a valer 11,3 mil milhões de euros em 2018

in Expresso, 24-01-2019


A indústria de componentes automóveis em Portugal atingiu um novo recorde em 2018: passou a valer 11,3 mil milhões de euros. Na prática, este número quer dizer que, ao nível europeu, 98% dos veículos têm uma peça fabricada em Portugal, avança o “Diário de Notícias” esta quinta-feira.

Segundo o matutino, saem do país todo o tipo de peças para as fábricas europeias: os estofos da Coindu para os carros do Grupo Volkswagen; as espumas e tecidos da ERT Têxteis para os carros de luxo da Rolls-Royce e da Maserati; as caixas de velocidade para os carros da Renault, que são produzidas a partir de Cacia, no distrito de Aveiro.

No ano passado, as exportações de componentes representaram 83% do volume de negócios (9,4 mil milhões de euros). Entre as peças que ficaram na Europa, mais de metade têm como destino Espanha (21%), Alemanha (17%), França (12%) e Reino Unido (8%).

Dos quatro países, apenas Espanha dá garantias de aumento da produção nos próximos anos. “Precisamos de diversificar cada vez mais as exportações de automóveis. Temos de começar a abraçar outras geografias, sobretudo fora da Europa”, disse Luís Castro Henriques, presidente da agência de investimento AICEP, em declarações ao jornal.

 

 

Fabricantes para a indústria automóvel temem aumento de greves em Portugal

O presidente da Associação de Fabricantes para a Indústria Automóvel (AFIA), Tomás Moreira, manifestou-se hoje preocupado com o eventual aumento da conflitualidade laboral em Portugal, considerando que qualquer obstáculo à livre circulação das mercadorias é “dramático” para o setor.

in Diário de Notícias / Lusa, 23-01-2019


 

“Podemos parar fábricas de automóveis em toda a Europa de um dia para o outro e isso é algo que Portugal não pode arriscar, porque seria uma perda de imagem terrível e travaria o investimento do setor em Portugal”, disse à Lusa Tomás Moreira.

O presidente da AFIA falava à Lusa em declarações à margem do 9.º encontro da indústria automóvel que decorreu hoje em Ílhavo.

Tomás Moreira realçou que Portugal tem conquistado investimento estrangeiro e as empresas portuguesas têm-se desenvolvido, porque “tem havido muito baixa conflitualidade e não tem havido obstáculos à livre circulação de mercadorias”, uma realidade que poderá mudar com o aumento de greves.

“Espero que haja a consciência das pessoas responsáveis por esse tipo de situações para não afetar de uma forma significativa os fluxos de mercadorias, porque isso tem consequências a muito longo prazo. Isso não nos afeta as vendas do dia ou da semana. Isso afeta todo o nosso desenvolvimento a médio e longo prazo”, sublinhou.

O representante dos fabricantes para a indústria automóvel referiu ainda que o mercado europeu de construção de automóveis está a estagnar, “fruto de mudanças que há no setor, tecnológicas, na mobilidade, nos hábitos das pessoas”, o que exige um maior investimento das empresas e apoio por parte do Estado.

“O Estado tem de facilitar esta transição e estas transformações, não sobrecarregando as empresas com custos não só na fiscalidade, mas também custos que estão escondidos na energia, nos combustíveis, nos transportes”, disse Tomás Moreira.

A falta de mão-de-obra qualificada e a falta de alternativas à rodovia, a longo prazo, são outras das preocupações do setor que em 2018 teve um volume de negócios de 11,3 mil milhões de euros.

“No futuro, haverá restrições e sobrecustos para os transportes rodoviários e nós precisamos de alternativas por via marítima e via ferroviária”, disse Tomás Moreira, adiantando que aquilo que existe hoje “não é suficientemente competitivo e operacional” para as necessidades do setor.

Referindo-se aos projetos anunciados pelo Governo para a ferrovia, o presidente da AFIA disse que “não estão a ser feitos os investimentos que o setor precisa”, temendo que Portugal possa ficar “transformando numa ilha e separado do resto da Europa, sem possibilidades de aceder por via ferroviária”.

 

 

Forte crescimento das exportações de componentes pode não ser sustentável

O paradigma da indústria automóvel está a mudar, com fortes pressões dos legisladores para que a pegada ecológica do setor seja fortemente cortada. O 9º encontro do setor dá disso conta.

in Jornal Económico, por António Freitas de Sousa, 23-01-2019


 

A fileira da indústria automóvel centralizada na Associação dos Fabricantes da Indústria Automóvel (AFIA) organiza esta quarta-feira o 9º Encontro da Indústria Automóvel (em Ílhavo), subordinada ao tema ‘Crescimento na Mudança’, num quadro em que o paradigma do setor está em crescente alteração.

“O sector de componentes para a indústria automóvel continua a demonstrar um sólido desempenho traduzido num aumento de 7% de exportações quando comparados os valores acumulados de Outubro de 2018 versus 2017. Este é um sinal de vitalidade que reflete a tendência de anos anteriores de aumento de penetração dos componentes produzidos em Portugal, já que o mercado automóvel europeu, principal destino das exportações portuguesas, irá crescer perto de 2%” refere a AFIA.

Mas, “apesar desta vitalidade demonstrada pelo sector há motivos de preocupação”. Depois da crise de 2009, o sector de componentes tem vindo a crescer as suas vendas a um ritmo anual que tem variado entre os 5% e os 10%, com reflexo direto no crescimento das exportações do sector.

Esta evolução “muito positiva” deveu-se a vários fatores conjugados: retoma, moderada mas sustentada, da produção de automóveis na Europa; Espanha, principal cliente da indústria de componentes portuguesa, foi dos mercados com maior crescimento; a indústria ganhou posições na Grã-Bretanha, aproveitando a revitalização da produção automóvel; com exceção da América do Sul, crescimento forte e sustentado da produção de automóveis no resto do mundo, que no total representam 8% do destino das nossas exportações; a partir de 2017, novos modelos lançados nas duas principais fábricas de automóveis portuguesas, com volumes de produção recorde.

A associação revela, por outro lado, que “estes fatores que levaram ao crescimento do nosso mercado terão nos próximos anos uma evolução previsivelmente menos positiva”. E elenca os sinais de preocupação: a produção de automóveis em Portugal e em Espanha estará a atingir um pico e a partir de 2019 dificilmente continuará a crescer, a não ser através da eventual instalação de um novo construtor automóvel, o que é apenas uma possibilidade longínqua: o mercado europeu está a retrair-se, em 2018 produzir-se-ão na Europa menos carros do que em 2017; o Brexit poderá travar as nossas exportações para o Reino Unido, o quarto maior mercado das nossas exportações, e com forte probabilidade provocará alguma retração do mercado: o protecionismo comercial crescente por parte dos EUA irá reduzir as exportações europeias para esse destino e poderá ser copiado por outros países, levando a barreiras tarifárias que reduzirão o comércio internacional.

Mas há ainda outros sintomas a considerar: as regulamentações de combate às emissões de: CO2, Dióxido de Nitrogénio e partículas, estão a colocar exigências e desafios difíceis de superar: a pressão para electrificação traz desafios acrescidos para as motorizações tradicionais; as novas tendências da mobilidade irão trazer uma redução do número de carros em circulação.

“Todos estes fatores, quer cada um individualmente, quer no seu conjunto, estão a alterar significativamente a envolvente em que operam os fabricantes de componentes para a indústria automóvel, concluiu a AFIA.