Brexit. Componentes automóveis perdem 260 milhões no biénio 2018/19

A indústria portuguesa de componentes fornece no Reino Unido desportivos de luxo e marcas topo de gama. Fixou um recorde de 1088 milhões de euros em 2017, mas este ano ficará muito longe dessa meta

in Expresso, Abílio Ferreira, 01-04-2019


As exportações portuguesas de componentes automóveis para o Reino Unido correm o risco de perder pelo menos, 260 milhões de euros no biénio 2018/19, regredindo três anos. Face a 2017, o resultado de 2019 deverá refletir uma redução de 23%.

As vendas para o mercado britânico iniciaram o ano de 2019 em queda (menos 12%), mantendo a trajetória descendente que se verificara 2018 (menos 13%). Se o ano passado o negócio caiu 150 milhões, este ano as primeiras indicações apontam para uma redução da ordem dos 110 milhões.

A indústria de componentes fixou em 2017 um recorde no Reino Unido, superando a cifra mágica dos 1000 milhões de euros (1088 milhões). A evolução traduzia um crescimento sustentado que acelerou em 2015, ano em que o valor das exportações ficara nos 771 milhões.

Mas, se o desempenho de janeiro for replicado a longo de 2019, o mercado vai regredir para um valor que supera ligeiramente o registado em 2015.

O mercado representa 10% da receita do setor de componentes, ocupando o quarto lugar no ranking.

DESPORTIVOS E TOPO DE GAMA

A Indústria portuguesa “fornece a grande maioria das marcas fabricadas no Reino Unido, incluindo os desportivos de luxo, como Aston Martin ou McLaren e o segmento premium da Bentley, Jaguar ou Rolls-Royce”, diz ao Expresso a direção da Associação de Fabricantes para a Indústria Automóvel (AFIA). “Até os novos táxis londrinos, têm componentes fabricados em Portugal” acrescenta a associação.

O declínio das exportações portuguesas reflete a queda da produção no Reino Unido – 14% nos dois primeiros meses de 2019, quase o dobro da redução registado em 2018.

Evitando “abordagens especulativas” a partir das incertezas geradas pelo Brexit, a direção da AFIA, presidida por Tomás Moreira, reconhece que os factos e sinais já conhecidos são todos “desfavoráveis e preocupantes”, mesmo no cenário menos adverso.

As “barreiras alfandegárias levarão a um aumento de custos que a indústria não conseguirá transferir na íntegra para os clientes”. A margem e rentabilidade das empresas “será muito afetada”. A AFIA teme ainda os “constrangimentos logísticos”, no caso dos camiões foram obrigados a parar nos postos fronteiriços.

A AMEAÇA DO EFEITO CAMBIAL

Numa lógica menos imediatista, a direção de Tomás Moreira admite uma acentuada redução do volume de carros fabricados no Reino Unido e que a “esperada desvalorização da libra” colocará as peças portuguesas sob pressão e numa posição desfavorável face aos fabricantes britânicos.

O efeito cambial levará ao reforço “ do grau de incorporação de produção local”, adverte a AFIA.

Na audição parlamentar sobre o Brexit, o ministro da Economia Pedro Siza Vieira, apontou a fileira automóvel como uma das mais castigadas pelo efeito Brexit.

O ministro reconheceu que os fornecedores portugueses “lidam com margens mais apertadas do que os concorrentes” e enfrentarão no futuro “um ajustamento operacional”. A pauta aduaneira temporária negociada entre Bruxelas e Londres prevê o pagamento e uma taxa de 10%.

O mercado automóvel do Reino Unido é singular. A indústria exporta 80% da produção (1,6 milhões de unidades em 2018) e o comércio importa 85% dos carros vendidos (2,3 milhões).

 

 

 

 

CABLICONTROL adere à AFIA

A Direcção da AFIA dá as boas-vindas ao novo Associado: CABLICONTROL.

in AFIA, 29-03-2019


A CABLICONTROL – Cablagens Industriais, Unipessoal, Lda. fundada em 2003 possui um know-how de mais de 15 anos no desenvolvimento e fabrico de cablagens para o sector automóvel, electrodomésticos e energias renováveis. Tem uma estrutura flexível adaptável a projectos de pequena ou grande dimensão.

A CABLICONTROL tem sede no concelho de Espinho e encontra-se certificada pela norma ISO 9001.

Para mais informações visite a página da CABLICONTROL em:

 

www.cablicontrol.pt

 

 

 

 

 

 

Participação portuguesa nos Automotive Meetings Tangier-Med

Numa iniciativa conjunta da AFIA – Associação de Fabricantes para a Indústria Automóvel e da CEFAMOL – Associação Nacional da Indústria de Moldes, e que contou com o apoio da Delegação da AICEP em Marrocos, decorreu entre os dias 6 e 8 a participação portuguesa nos Automotive Meetings Tangier-Med, Marrocos.

in AFIA, 15-02-2019


Esta foi a sexta edição deste certame organizado pela AMICA (associação marroquina para a indústria e construção automóvel) evento focado em reuniões bilaterais entre as empresas participantes. No total estiverem representadas 150 empresas, entre construtores de automóveis, fabricantes de componentes, indústria de moldes e prestadores de serviços. Além de empresas marroquinas, participaram empresas de outros países tais como França, Espanha, Alemanha, Coreia do Sul e Japão.

A delegação portuguesa foi constituída por 8 empresas (Batista Moldes, CR Moldes, Gotec, KLC, MD Moldes, Moldit, Prifer e Toolpresse-TJ Moldes) que mostraram a sua capacidade para responder às necessidades do mercado automóvel marroquino. A promoção da oferta nacional e a identificação de novas oportunidades assume maior relevo quanto mais se atenta no significativo desenvolvimento da indústria automóvel naquele país. Um crescimento acelerado do número de viaturas montadas que passou de 40 mil em 2010 para mais de 400 mil carros produzidos no ano de 2018. Alavancado no plano de aceleração industrial 2014-2020, Marrocos pretende chegar até 2022 com uma capacidade de produção anual de um milhão de veículos, para tanto contribuindo os planos de crescimento industrial da Renault (2 fábricas), da PSA – Peugeot Citroën e do recente anúncio da construção de uma fábrica do construtor chinês BYD.

Marrocos já é um parceiro de negócio significativo para as empresas nacionais de fabricação de componentes que em 2018 para lá exportaram 71 milhões de euros, sendo por isso Marrocos o 16º destino das exportações de componentes portugueses.

Esta participação teve um saldo extremamente positivo pelos múltiplos contactos e visitas recebidas, sendo de salientar o encontro com o Ministro da Indústria de Marrocos, que afirmou a importância da indústria automóvel portuguesa para a consolidação da indústria automóvel daquele país do Magreb. Relembre-se que em Dezembro de 2017 a AFIA assinou um protocolo de colaboração com a AMICA que visa o reforço da cooperação técnica e comercial; e a coordenação de acções entre as duas entidades.

 


 

Da esquerda para a direita: Rui Cordovil (Delegado da AICEP Marrocos), Moulay Hafid El Alamy (Ministro da Indústria de Marrocos), Adão Ferreira (Secretário-Geral da AFIA) e Manuel Oliveira (Secretário-Geral da CEFAMOL).
Visita do Ministro da Indústria ao stand da AFIA / CEFAMOL

 

 

“Quadro legal português dificulta adaptação a variações de encomendas”

TOMÁS MOREIRA, PRESIDENTE DA AFIA, AVISA PARA RISCOS PARA EXPORTAÇÕES DE COMPONENTES

in Vida Económica, por Aquiles Pinto, 08-02-2019


 

A indústria portuguesa de componentes automóveis bateu, pelo quinto ano consecutivo, o recorde de volume de negócios em 2018. As vendas globais terão atingido 11,3 mil milhões de euros (uma subida de 8% face a 2017), maioritariamente (83%) canalizadas para os mercados internacionais. A Associação de Fabricantes para a Indústria Automóvel (AFIA) avisa, porém, para riscos de uma inversão desse crescimento exportador. “Ao contrário do que acontece em outros países, o quadro legal português não permite às empresas, de uma forma suficientemente expedita, desburocratizada e sem custos extra, adaptarem a laboração às variações de curto prazo dos fluxos de encomendas, o que lhes causará problemas se o mercado começar a mostrar um comportamento irregular”, explica, em entrevista à “Vida Económica”, Tomás Moreira, presidente da AFIA.

Vida Económica – “Crescimento na Mudança” foi o tema que a AFIA escolheu para o 9º Encontro da Indústria Automóvel, realizado pela AFIA, em Ílhavo, a 23 de janeiro. Porquê?
Tomás Moreira – Com a indústria automóvel portuguesa a manter recordes de crescimento nos últimos anos em termos de exportações, investimento, criação de emprego e volume de negócios, a AFIA alerta para as pressões que o setor sente, fruto das profundas mudanças que está a enfrentar. O tema “Crescimento na Mudança” pretendeu debater e encontrar formas de manter um crescimento sustentado numa altura em que se verifica alguma estagnação do mercado, com incertezas quanto ao crescimento futuro. Neste encontro as entidades relacionadas com a área automóvel trocaram experiências e refletiram sobre os principais temas que envolvem o setor nos nossos dias.

VE – Pode-se afirmar que o setor mudou mais nas duas décadas já decorridas do século XXI do que no século anterior?
TM – A indústria automóvel é pioneira em inovações tecnológicas, sendo que muitas delas são, depois, também absorvidas e replicadas por outras indústrias. O setor investe fortemente em inovação técnica, o que promove uma evolução muito rápida, podendo, de facto, afirmar-se que o ritmo de mudança está a acelerar. E sem dúvida estão a acontecer mutações profundas nos veículos, na sua produção e na mobilidade em geral, designadamente para responder aos desafios da descarbonização, das motorizações alternativas, da condução autónoma, de novos conceitos de mobilidade, da indústria 4.0 e da digitalização da produção e dos veículos.

VE – O setor industrial automóvel português, e em particular o dos componentes, está a acompanhar a mudança?
TM – Os fabricantes de automóveis e os seus fornecedores investem continuamente em tecnologias inovadoras que ofereçam ao mercado automóveis mais seguros e mais automatizados, tendencialmente autónomos, e soluções mais amigas do ambiente. O setor está atento às evoluções e as empresas estão a tomar as decisões necessárias no sentido de se prepararem e adaptarem para as mudanças que se anunciam no médio e longo prazo. Neste momento já produzimos em Portugal componentes para os modelos de carros elétricos mais carismáticos como os BMW i3 e i8, Nissan LEAF ou Renault Zoe.

VE – Como foi 2018 para as empresas associadas da AFIA em termos qualitativos e quantitativos?
TM – A indústria portuguesa de componentes automóveis no ano 2018 bateu, e pelo quinto ano consecutivo, o recorde de volume de negócios. Estimamos que as vendas globais terão atingido 11,3 mil milhões de euros, uma subida de 8% face a 2017. As vendas para o mercado externo terão totalizado 9,4 mil milhões de euros (+6% face a 2017), enquanto as vendas para o mercado nacional terão aumentado 20%, para os 1,9 mil milhões de euros. Em termos de quota, as exportações representam 83% da atividade das empresas, sendo que o mercado nacional absorve os restantes 17%. O mercado nacional cresceu fortemente em 2018, fruto de novos veículos de grande cadência que iniciaram produção nas fábricas da Volkswagen Autoeuropa, em Palmela, e na PSA, em Mangualde, como se sabe. Em termos de volume de emprego, entre 2010 e 2018 foram criados 15 mil novos postos de trabalho. Assim, em 2018, a indústria de componentes automóveis empregava, diretamente, 55 mil pessoas. Em termos de importância na economia nacional, as empresas que integram a indústria de componentes automóveis representam na sua totalidade 5% do PIB, 8% do emprego da indústria transformadora e 16% das exportações nacionais de bens, contribuindo, assim fortemente, para o equilíbrio das contas externas do país. Para 2019 é esperado que o setor se mantenha estável no patamar dos 11 mil milhões de euros.

VE – A AFIA avisou, recentemente, que o crescimento das exportações do setor de componentes para a indústria automóvel pode abrandar fortemente no médio prazo. Quais os principais riscos?
TM – Os sinais do exterior causam alguma apreensão, nomeadamente o novo ciclo de medição do consumo e emissões, o chamado WLTP (“Worldwide Harmonised Light Vehicles Test Procedure”), as restrições/proibições em diversas metrópoles europeias da circulação de carros a diesel, os novos conceitos de mobilidade, tudo isto levará a uma previsível diminuição do volume de carros produzidos na Europa. Ao contrário do que acontece em outros países, o quadro legal português não permite às empresas, de uma forma suficientemente expedita, desburocratizada e sem custos extra, adaptarem a laboração às variações de curto prazo dos fluxos de encomendas, o que lhes causará problemas se o mercado começar a mostrar um comportamento irregular.

VE – Como se podem resolver?
TM – Exportando o grosso da sua produção para mercados totalmente abertos e globalizados e concorrendo livremente com todos os outros países num contexto de enorme competitividade de preços, todas as questões ligadas a custos se revestem de extrema relevância. Apesar de Portugal ter os custos salariais mais baixos da Europa Ocidental, não se pode ignorar que competimos diretamente contra países com custos de trabalho muito inferiores, nomeadamente Marrocos, na nossa zona geográfica direta. Uma inflação dos custos salariais superior à produtividade, assim como qualquer retrocesso na flexibilidade laboral, representariam um agravamento dos fatores de competitividade da economia portuguesa, que nos prejudicam no confronto com os países nossos concorrentes. Também o elevado custo da energia – dos maiores da Europa e incluímos aqui a eletricidade, o gás e os combustíveis líquidos – e a elevada fiscalidade que pesa sobre as empresas têm prejudicado a competitividade destas. As empresas enfrentam a necessidade de investir permanentemente para inovarem, para introduzirem novas tecnologias mais produtivas e para crescerem: o financiamento das empresas é, por isso, outro fator crítico. Todas as possíveis melhorias nestes constrangimentos iriam permitir à indústria de componentes automóveis crescer ainda mais sustentadamente.

 

 

 

 

 

Encontro da AFIA – panorama, desafios e crescimento do setor

A AFIA – Associação de Fabricantes para a Indústria Automóvel organizou no passado dia 23 de janeiro, o 9º Encontro da Indústria Automóvel

in Revista Automotive, Edição nº 66, Janeiro 2019


O evento contou com mais de uma centena de convidados, e que permitiu um amplo debate sobre o desenvolvimento
e principais desafios com que se defronta a indústria automóvel, confirmando, uma vez mais, a força produtiva e exportadora deste setor.

No Museu da Vista Alegre (Ílhavo), estiveram representadas as maiores empresas portuguesas de componentes, empresas multinacionais estrangeiras, construtores de automóveis, associações / clusters, câmaras de comércio e indústria, centros tecnológicos, centros de formação, empresas de serviços e de consultoria, órgãos de comunicação social, entidades do sistema financeiro, entidade públicas e governamentais, bem como os parceiros e patrocinadores, como foram os casos da Fuchs e da Hays.

Tomás Moreira, presidente da AFIA, destacou aos presentes, o papel e o trabalho desenvolvido pela sua entidade,
que já conta com 50 anos de existência, ao longo dos quais, os pilares centrais das suas atividades continuam a ser a
promoção da competitividade dos fabricantes nacionais, as exportações e a internacionalização das empresas associadas. O tema central deste encontro foi o “Crescimento na Mudança”.

Segundo Tomás Moreira, “nos últimos dez anos, a indústria nacional de componentes para automóveis cresceu de uma forma sustentada, a uma taxa superior à dos seus mercados, aumentando assim as suas quotas e volumes de negócios. O nosso setor cresceu através de novos projetos, novos clientes e produtos com maior valor, bem como de novas empresas e mais investimentos.

No entanto, o mercado automóvel europeu continua a ser o maior destino das nossas exportações, dependência que
poderá trazer novos desafios ao setor, visto que poderá haver alguma retração no futuro, no continente europeu. Para além desta possibilidade, existem novos constrangimentos aos fabricantes nacionais de componentes automóvel, por via das novas regras de emissões, das motorizações alternativas, novos conceitos de mobilidade e uma maior conectividade.

Do ponto de vista produtivo – exemplificou – também estamos a entrar numa nova era, com o advento da indústria 4.0 e da robótica; da maior utilização da inteligência artificial; o uso de mais nanotecnologia e, principalmente, de uma nova organização do trabalho. Assim, em conclusão, a inovação e evolução tecnológica, a excelência operacional e o controlo de custos, são três dos grandes desafios para os quais o setor precisa dar uma resposta adequada”, destacou.

 

(crédito fotos AFIA/NOMORE/Hugo Monteiro)

 

 

A AFIA dá as boas-vindas ao novo Associado: EUROSTYLE SYSTEMS PORTUGAL

A Direcção da AFIA aprovou a adesão à Associação da empresa EUROSTYLE SYSTEMS PORTUGAL.

in AFIA, 29-01-2019


 

Eurostyle Systems Portugal – Indústria de Plásticos e de Borracha, S.A. foi constituída em 2016 e está focada na produção de componentes para sistemas de interior (componentes IP, peças laterais, mala e tecto), bem como módulos de comando de abertura de portas e peças específicas de sistemas exteriores (finishers) para a indústria automóvel.

Esta empresa de capitais franceses pertence ao grupo GMD fundado em 1986 e que tem 47 fábricas em 14 países.

Em Portugal a EUROSTYLE SYSTEMS tem fábrica em Viana do Castrlo e encontra-se em certificada pelas norma IATF 16949 (Automóvel).

O grupo GMD detém ainda mais 2 fábricas em Portugal ligadas à área da fundição a EUROCAST PORTUGAL VIANA (Viana do Castelo) e a EUROCAST AVEIRO (Águeda).

Para mais informações visite a página da EUROSTYLE SYSTEMS PORTUGAL em:

 

www.eurostyle-systems.fr/

 

 

Vendas de componentes sobem 320 milhões à boleia da Autoeuropa

As vendas em Portugal de componentes para a produção automóvel atingiu os 11,3 mil milhões de euros no ano passado, dos quais 1,9 mil milhões destinados às fábricas de automóveis em Portugal, revela um estudo da AFIA – Associação de Fabricantes para a Indústria Automóvel apresentado quarta-feira, 23 de janeiro, em Ílhavo.

in Negócios, por Pedro Curvelo, 25-01-2019


O forte crescimento na produção da Autoeuropa – que duplicou o número de veículos fabricados, superando as 220 mil unidades – foi o “motor” para um aumento de cerca de 320 milhões de euros, o que corresponde a uma subida de 20%, nas vendas de componentes para o mercado doméstico.

O setor registou também um aumento de 6% nas exportações, que somaram 9,4 mil milhões de euros. No total, o volume de negócios dos fabricantes de componentes ascendeu a 11,3 mil milhões de euros, um crescimento de 8% face a 2017.

A AFIA sublinha que, desde 2010, as vendas do sector cresceram 71% em termos acumulados, tendo as exportações aumentado 81% nesse período.

O maior dinamismo do mercado interno levou a que o peso das vendas ao exterior tenha diminuído ligeiramente, passando dos 85% em 2017 para os 83%.

A associação destaca ainda que o volume de negócios da indústria de componentes representa 5% do produto interno bruto (PIB) e que as vendas ao estrangeiro correspondem a 16% das exportações de bens transacionáveis. O setor empregava, em 2018, 55 mil trabalhadores, mais três mil do que em 2017, e contabilizava 235 empresas com 265 fábricas.

Apesar dos bons resultados alcançados no ano passado, a AFIA alerta para anos difíceis pela frente. A associação estima que a produção automóvel registe uma estagnação, prevendo um crescimento ligeiro na Europa, mercado que pesa 75% nas vendas totais do setor e absorve cerca de 90% das exportações. Ainda assim, Espanha e Alemanha, os principais mercados para as empresas nacionais, deverão crescer acima da média europeia.

A AFIA sublinha ainda que “98% dos carros produzidos na Europa têm componentes portugueses”.

Para Portugal, as projeções da associação apontam para um crescimento da produção automóvel de aproximadamente 12% este ano, correspondentes a cerca de 330 mil veículos produzidos. Em 2020, contudo, a AFIA antecipa uma quebra para um volume de produção automóvel de 319 mil viaturas.

 

 

 

 

 

 

Sector de componentes automóveis exige solução ferroviária a Norte para mercadorias

Oitenta por cento desta indústria, que facturou em 2018 o equivalente a 5% do PIB, está localizada a norte de Leiria. Por isso, rejeitam a utilidade da ligação Sines-Badajoz

in Público, por Victor Ferreira, 24-01-2019


 

A venda de componentes de carros para o estrangeiro vai de vento em popa mas no horizonte surgem alguns ventos de adversidade. E uma das coisas que preocupam os industriais deste sector é a falta de carris para escoar produto. O sector, que exportou 83% do que produziu em 2018, reclama uma alternativa ferroviária que ligue Aveiro a Salamanca, rejeitando a alternativa Sines-Badajoz. É a sobrevivência do sector que está em causa, dizem, dado que a ferrovia serviria para baixar os custos de transporte da mercadoria acabada e das matérias-primas, que vêem maioritariamente da Europa.

Esta reivindicação já tinha sido expressa pela própria Confederação Empresarial de Portugal, e reemergiu nesta quarta-feira durante o nono encontro da Associação de Fabricantes para a Indústria Automóvel (AFIA), que reuniu duas centenas de pessoas em Ílhavo.

Discutia-se os factores de competitividade desta indústria, que conta com 235 empresas (e 265 fábricas no país, 80% das quais nas regiões a Norte de Leiria), e Isabel Furtado, CEO da TMG Automotive e actual presidente da COTEC, deu voz ao descontentamento deste sector em relação aos planos ferroviários que o governo tem inscritos no Programa Nacional de Investimentos 2030 (PNI 2030), que passa pela modernização da linha da Beira Alta entre Aveiro e Mangualde. A alternativa do executivo para as mercadorias com ligação a Espanha e ao resto da Europa é uma ligação a sul, entre Sines e Badajoz, contemplada no plano Ferrovia 2020, uma aposta que é rejeitada pela AFIA.

“Precisamos de uma linha que passe pelo centro industrial do país”, reclamou Isabel Furtado, que também criticou os trabalhos preparatórios do próximo quadro comunitário, o Portugal 2030. “Está neste momento a ser elaborado e, ao que me disseram, por pessoas que nada conhecem das empresas nem da indústria. Ou seja quem vai decidir se vamos ter ou não incentivos não percebe nada de indústria e do que estamos a fazer”, resumiu Isabel Furtado, cuja intervenção tocou em dois temas que foram uma constante todo o dia: o sector vai ter de enfrentar o futuro próximo, que se avizinha mais difícil, com olhos nos custos – dos quais os logísticos são dos que mais pesam – e com grandes necessidades de investimento, para se ajustar às grandes transformações por que passa o sector automóvel, com a chegada da mobilidade eléctrica, conectada e partilhada.

Questionado pelo PÚBLICO sobre esta exigência das empresas em relação à ferrovia, o secretário de Estado da Economia, João Correia Neves, disse que o ministério a que pertence só pode ajudar a “construir um quadro de referência para que essa discussão seja feita em torno de alternativas”. Sendo um tema tutelado pelo Ministério do Planeamento, este governante salientou a importância de essa discussão ser feita “com todos os parceiros e agentes políticos, à procura de soluções que sejam as mais adequadas possíveis”.

Estagnação no horizonte
Em cada 100 carros produzidos na Europa em 2018, 98 têm componentes fabricados em Portugal, o que mostra uma elevada incorporação da produção nacional e reforça as mensagens que foram circulando sobre a necessidade de uma alternativa de transporte à rodovia. O sector “tem vivido tempos bons”, nas palavras de Tomás Moreira, presidente da AFIA, com o volume de negócios a ascender aos 11,3 mil milhões de euros (ou 5% do Produto Interno Bruto português). As vendas ao exterior foram de 9400 milhões de euros, sendo 16% das exportações portuguesas de bens transaccionáveis. Para um sector que tem “apenas” 235 empresas, mas 55 mil trabalhadores, o valor acrescentado bruto por trabalhador foi de 48 mil euros – mais 50% do que a média da indústria transformadora portuguesa.

Porém, avizinha-se “uma fase de grandes mudanças”, alertou Tomás Moreira e já paira no ar “receios de estagnação”.

Uma das fragilidades é a dependência do mercado europeu, onde a produção de automóveis caiu “drasticamente” no último quadrimestre de 2018, segundo os dados revelados por Pedro Carvalho, da direcção da AFIA. Na Europa, construíram-se 22 milhões de carros no ano passado, uma variação global de -0,1%, que não pode fazer esquecer a mensagem essencial: houve uma travagem a fundo na Europa, que absorve 92% das exportações nacionais, pelo que é preciso encontrar outros mercados.

Para o líder da AICEP, Luís Castro Henriques, que apresentou no encontro três desafios à indústria, um dos caminhos é diversificar os mercados de destino, apontando baterias para a Ásia, que é o maior fabricante e o maior consumidor de automóveis em termos mundiais.

 

 

98% dos carros feitos na Europa têm peças made in Portugal

Indústria de componentes gerou um recorde de 11,3 mil milhões de euros em 2018. Mas o futuro tem vários riscos.

in Dinheiro Vivo, por Diogo Ferreira Nunes, 24-01-2019


 

Nada mais, nada menos de 98% dos carros feitos na Europa têm uma peça fabricada em Portugal. Graças a isso, a indústria de componentes conseguiu um novo recorde no ano passado: passou a valer 11,3 mil milhões de euros. Mas há obstáculos a vencer na estrada do sector, desde as mudanças na indústria automóvel, onde os carros elétricos ganham cada vez mais peso, à falta de diversificação das exportações, aumento dos custos de logística e ainda à concorrência dos países de Leste e de Marrocos.

De Portugal sai todo o tipo de peças para as fábricas europeias: desde os estofos da Coindu para os carros do grupo Volkswagen; as espumas e tecidos da ERT Têxteis para os carros de luxo da Rolls-Royce e da Maserati; ou ainda as caixas de velocidade para os carros da Renault, que são produzidas a partir de Cacia, no distrito de Aveiro.

É, por exemplo, nas caixas de velocidades que se vai viver o futuro da indústria de componentes: por causa dos automóveis elétricos, estas caixas terão de sofrer fortes transformações para conseguirem lidar com os motores movidos a baterias e não com os motores de combustão. Esta será uma das maiores transformações que serão sentidas pela indústria de peças nos próximos anos, segundo um estudo divulgado durante o evento pela consultora Roland Berger.

Ao mesmo tempo, as empresas nacionais terão de apostar na diversificação dos mercados de exportação, que representou 83% do volume de negócios (9,4 mil milhões de euros) no ano passado. Entre as peças que ficam na Europa, mais de metade têm como destino Espanha (21%), Alemanha (17%), França (12%) e Reino Unido (8%). Entre estes quatro ‘motores’ da economia, no entanto, apenas o espanhol dá garantias de aumento da produção nos próximos anos; os restantes vão estagnar ou mesmo perder potência, como França e Reino Unido. “Precisamos de diversificar cada vez mais as exportações de automóveis. Temos de começar a abraçar outras geografias, sobretudo fora da Europa”, apontou Luís Castro Henriques, presidente da agência de investimento AICEP.

Portugal enfrenta também o desafio dos custos, sobretudo na produção e no envio e receção de peças para o estrangeiro. Na produção, a AFIA voltou a chamar a atenção para os “custos excessivos da eletricidade”; na logística, a falta de investimento na ferrovia é visto cada vez mais como um obstáculo, tendo em conta que as estradas “representam 95% dos movimentos e existe cada vez mais pressão ambiental”, avisou Adolfo Silva, diretor da AFIA.

A concorrência internacional também é vista como um obstáculo a ultrapassar, seja vinda do Leste da Europa ou até de Marrocos. “Temos de estar atentos aos riscos de deslocalização da indústria automóvel para países como Polónia, Hungria e Roménia”, notou José Couto, líder do cluster automóvel Mobinov. No caso de Marrocos, os industriais chamaram a atenção para o “investimento impressionante em infraestruturas e a estratégia agressiva de captação de investimento estrangeiro“.

Estes e outros riscos podem penalizar uma indústria que dá emprego direto a 55 000 pessoas, que conta com 265 fábricas em praticamente todo o país (ver mapa) e que representa 5% de toda a economia nacional. Os dados foram revelados ontem pela AFIA – Associação de Fabricantes para a Indústria Automóvel no 9.º encontro da indústria automóvel.

Para dar a volta, a indústria de componentes lança várias propostas. Jorge Rosa, presidente da ACAP – Associação Automóvel de Portugal, entende que “é fundamental aproximar os fornecedores de peças dos fabricantes automóveis no desenvolvimento de produtos”. Rodrigo Custódio, da Roland Berger, considera que a indústria portuguesa “pode antecipar-se à estagnação dos modelos de combustão, sobretudo na Europa, e tirar benefícios desta situação”. Isabel Furtado, presidente da associação COTEC, defende que o país “precisa de pensar em inovação, aberta e colaborativa” e ainda “apostar na indústria 4.0”.

Para já, em 2019, prudência é a palavra de ordem. “Vivemos uma fase de enormes mudanças no setor automóvel e poderemos estar a ver os primeiros sintomas de estagnação na Europa”, avisou Tomás Moreira, presidente da AFIA.

 

 

Made in Europa? 98% dos carros tem uma peça produzida em Portugal

A indústria de componentes portuguesa registou em 2018 um ano recorde, em que gerou 11,3 mil milhões de euros. A exportação correspondeu a 83% do volume de negócios.

in Eco economia online, 24-01-2019


 

Carro feito na Europa? As probabilidades de ter uma peça produzida em Portugal são extremamente altas. A indústria de componentes teve um ano recorde, em que gerou 11,3 mil milhões de euros, ao garantir que 98% dos carros fabricados no Velho Continente têm uma peça portuguesa.

A exportação representou 83% do volume de negócios da indústria no ano passado, o que se traduz em 9,4 mil milhões de euros, adianta o Diário de Notícias. A Espanha é o principal destino das peças que ficam pela Europa, seguida da Alemanha, que recebe 17%, a França, para onde vão 12% das peças, e, finalmente, o Reino Unido, com 8%.

Na lista de produção de Portugal incluem-se elementos como estofos da Coindu para os carros do Grupo Volkswagen, espumas e tecidos da ERT Têxteis para os carros de luxo da Rolls-Royce e da Maserati, ou caixas de velocidade para os carros da Renault, produzidas em Cacia, no distrito de Aveiro.

Já as fábricas estão espalhadas um pouco por todo o terreno nacional, particularmente pelo norte. São 265 fábricas no total, que empregam 55 mil pessoas, numa indústria que representa cerca de 5% de toda a economia nacional, segundo revelam dados da Associação de Fabricantes para a Indústria Automóvel.