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Carlos Tavares, presidente da PSA: “Dogmatismo na redução de CO2 ameaça fábricas europeias, incluindo Mangualde”

Carlos Tavares, o português que conduz há seis anos o grupo PSA (Peugeot, Citroën, DS e Opel/Vauxhall), aproveitou o rali de Portugal para uma pausa no frenesim diário e uma viagem rápida ao norte do país para apoiar a equipa da Citroën. Recebeu o Expresso no pavilhão da marca, no centro operacional da prova (Exponor), encaixando na agenda saturada uma conversa de 20 minutos

in Expresso, por Abílio Ferreira, 09-06-2019


Na entrevista avisa que “o dogmatismo do governo” na redução das emissões de carbono põe em risco a viabilidade da unidade de Mangualde. No novo quadro, a indústria europeia terá de proceder a ajustamentos para sobreviver. A PSA inaugurou em abril uma base fabril em Kenitra, Marrocos.

É mais fácil conduzir num rali ou tripular um grupo como a PSA?
São situações muito diferentes, mas ambas exigem sangue frio, precisão e uma excelente equipa.

Ficou surpreendido com o anúncio do noivado entre a Fiat e Renault?
Com certeza que fiquei surpreendido. O anúncio foi muito súbito e, na realidade, a fusão é uma tomada de controlo da Renault pela Fiat. É uma espécie de hold up a passar-se mesmo à nossa frente. Como ex-executivo da Renault estranho que se deixe a Fiat meter a mão com tanta facilidade.

Como vai a PSA reagir?
Não tem de reagir. É uma empresa sólida, extremamente rentável, com uma situação financeira que é uma maravilha. Em 2018 ficou no pódio da rentabilidade e desfruta de uma posição financeira líquida de €9 mil milhões. Domina toda a tecnologia de que necessita e está preparada para enfrentar os desafios impostos por Bruxelas para 2020/21. Tem um plano estratégico bem delineado em execução (push to pass) que permite decisões estruturantes como entrar no mercado americano com a marca Peugeot, regressar à Rússia com a Opel ou entrar no mercado indiano com a Citroën.

Mas podem reforçar a parceria com a Toyota ou avançar com uma aquisição, por exemplo, da Jaguar?
Não temos objetivos específicos, temos uma atitude muito aberta. A prioridade é sempre a nossa competitividade. É isso que nos permite controlar o nosso destino, gerar lucros para financiar novas tecnologias e novos mercados e lançar novos modelos. Temos um ritmo de lançamentos de modelos estupendo. O que pode acontecer é que apareça uma empresa em dificuldades que se queira vender à PSA, como foi o caso da Opel e Vauxhall. Isso pode acontecer, estamos sempre abertos a novos negócios.

 

 

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