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CaetanoBus quer construir autocarros elétricos na China

A Brilliance CaetanoBus tem já um parceiro chinês e, em estudo, está a entrada de um 3º sócio. Produção e vendas poderão ser multiplicadas por 10.

in Dinheiro Vivo, 07-10-2017

A mobilidade elétrica é o novo desafio dos transportes e a CaetanoBus, empresa do grupo Salvador Caetano que é o maior fabricante de carroçarias e autocarros em Portugal, está apostada em marcar lugar nesse mundo novo. Designadamente na China, que é o maior mercado de autocarros elétricos do mundo. Instalada no país desde 2012, numa parceria com um sócio local, para a produção de autocarros de aeroporto, a CaetanoBus admite agora redirecionar a operação para o segmento de autocarros urbanos. Tudo está ainda em negociação.

“A China é o maior mercado de autocarros do mundo e foi o primeiro a adotar a mobilidade elétrica de forma generalizada. Em 2022 deverão vender-se 20 mil unidades ao ano destes veículos na China contra 3000 em toda a Europa. É, por isso, que estamos a reavaliar a operação na China e a estudar a diversificação da produção, discutindo a entrada de um novo parceiro, um fabricante de autocarros urbanos elétricos e de baterias”, explicou, em entrevista ao Dinheiro Vivo, o CEO da CaetanoBus. Jorge Pinto admite que “é cedo” para entrar em pormenores sobre como se vai processar a eventual entrada desse terceiro sócio.

A Brilliance CaetanoBus, resultado de uma parceria em partes iguais, dá emprego a cerca de cem pessoas e produz aproximadamente 50 unidades por ano. “Para crescer, precisamos de introduzir outro produto”, reconhece.

A avançar, este projeto permitirá multiplicar por dez a atual produção, bem como a faturação, da ordem dos nove milhões de euros. No caso dos trabalhadores, a multiplicação seria por cinco e levaria a aumentar a dimensão da operação na China para 500 funcionários. A fábrica não precisaria de qualquer intervenção, porque “já está dimensionada para isso”. A CaetanoBus já produz autocarros urbanos elétricos em Portugal. O primeiro está já a operar em Lisboa, na frota da Carris.

Com uma faturação esperada de 62 milhões de euros em 2016, cinco milhões abaixo do valor do ano anterior, a CaetanoBus tem grandes expectativas de crescimento em 2017, seja por via da entrada em novos mercados, como o da mobilidade elétrica, seja por via da procura acrescida de novos produtos, como é o caso do autocarro de turismo de dois pisos que a empresa disponibilizou ao mercado. Mas o crescimento será, ainda, assente na entrada em novos negócios, que a CaetanoBus mantém, para já, em segredo, admitindo que terá “mais informações” na segunda metade de 2017, bem como no desenvolvimento dos atuais mercados, como o português.

É que, se o ano passado ficou abaixo das expectativas, 2017 traz consigo “excelentes perspetivas”. Em causa estão uma série de negócios concretizados no final do ano e que se repercutirão, em termos de produção e faturação, este ano. Sinal de que a crise está ultrapassada? O presidente executivo da CaetanoBus acredita que sim.

Por um lado, tudo indica que empresas como a Sociedade de Transportes Coletivos do Porto (STCP) e a Carris, que suspenderam a renovação de frotas nos últimos anos, levando ao “desaparecimento” do mercado de transportes públicos urbanos, possam já este ano retomar as aquisições de novos autocarros. “Esperamos vir a ter um papel ativo nessa renovação de frotas”, diz Jorge Pinto, reconhecendo que este segmento tem um “grande peso” nas vendas da empresa.

Por outro lado, a “retoma a que se assiste no Sul da Europa” começa a dar frutos no que ao Cobus diz respeito, o autocarro de aeroporto do grupo Salvador Caetano. “Os países do Sul, os mais afetados pela crise, são os mercados mais significativos para o Cobus. E são os que, nos últimos anos, por via das restrições financeiras com que se depararam, foram obrigados a ir adiando as decisões de compra de novos equipamentos.” Mas os primeiros sinais de inversão estão já aí: Espanha voltou já, em 2016, a avançar com encomendas. O Cobus tem também vindo a ganhar “presença muito importante” nos países do Golfo, em alguns países asiáticos e, mais recentemente, na América do Norte, onde não havia grande tradição no uso de autocarros de aeroporto. “Estamos à espera de repetições de encomendas dos aeroportos de Estugarda e de Genebra, em negociações com novos clientes no Canadá, China, Alemanha e Áustria, e em discussão com aeroportos de vários outros países europeus.”

Em termos globais, e agregando as vendas da CaetanoBus, da Cobus e da Caetano UK, a subsidiária que o grupo tem no Reino Unido, a faturação de 2016 deverá ter atingido os 174 milhões de euros, 7,5% acima do ano anterior.

No que a investimentos diz respeito, a grande aposta é em desenvolvimento de produto. “Esse tem sido o nosso grande esforço nos últimos anos, centrado nas áreas da engenharia e da prototipagem, mas também nos processos de fabrico, com investimentos em automatização e renovação de equipamentos”, diz Jorge Pinto. Em média, a CaetanoBus investe dois milhões de euros ao ano.

Mas nem tudo são boas notícias e a retoma económica parece acompanhada de uma série de fatores que introduzem uma boa dose de imprevisibilidade. “Começa a configurar-se um período de retoma, mas acho que temos que ter todos muito cuidado atendendo a um conjunto de acontecimentos que tornam o mundo imprevisível nos próximos anos”, diz o CEO da CaetanoBus, referindo-se ao brexit, no Reino Unido, e à vitória de Trump nas eleições americanas.

Sobre o brexit, Jorge Pinto reconhece o efeito cambial, imediato, mas sobretudo aponta “a incerteza” face às futuras negociações com a União Europeia. “Esperamos que a figura do hard brexit não se venha a concretizar. É um tema delicado e Portugal não tem nada a ganhar com isso”, defende. Quanto ao novo presidente americano, o CEO da CaetanoBus lembra que foram pre-anunciados investimentos em infraestruturas, mas, ao mesmo tempo, cortes nos investimentos em melhorias ambientais. “Há uma grande imprevisibilidade de atuação, vamos ver como vão evoluir as coisas”, sublinhou, acrescentando que “a pressão da Extrema Direita na Europa é outro cenário de imprevisibilidade a ter em atenção, já que pode levar a uma reconfiguração da Europa como a vemos hoje”.

 


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