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Caetano Bus. Os autocarros a diesel já eram. Apresentamos os elétricos E.Cobus

A Caetano Bus é uma das finalistas do Prémio Inovação NOS na categoria Grandes Empresas

in Dinheiro Vivo / Diário de Notícias, 30-05-2015

Começaram a desenvolver um sistema de transformação de veículos a diesel em elétricos. Mais ecológicos e silenciosos, os portugueses E.Cobus já estão em aeroportos alemães, a caminho da Bélgica e com promessas – e ambições – de conquistar o mundo inteiro.

É um antes e depois à maneira ambiental, para reduzir a pegada ecológica e aumentar a eficiência dos veículos. A portuguesa Caetano Bus quer transformar a maneira como os aeroportos olham para os seus autocarros. Para isso, criou o E.Cobus, um autocarro normal, a diesel, convertido em amigo do ambiente, isto é, um ex-diesel transformado em elétrico.

A história da Caetano Bus começa em 1946, ano da fundação da empresa que lhe deu origem. “Foi a primeira do grupo Salvador Caetano. Começou por fazer autocarros numa instalações em Gaia, perto da estação. E, em termos de linhas históricas, de orientação, sempre foi uma empresa, por força do papel do nosso fundador, muito virada para a inovação e para a qualidade”, esclarece Jorge Pinto, administrador da Caetano Bus.

E se em 1955 começou a dar que falar pela introdução do primeiro autocarro em aço existente em Portugal – quando todos produziam carroçarias de madeira -, em 1967 a vocação inovadora feita em Portugal crescia além-fronteiras e a empresa começava a vender em Inglaterra, que se mantém até hoje como um dos mercados de referência.

Em 2009, “em pleno choque” da crise económica, a empresa decidiu que a estratégia para o futuro passava por enveredar pela mobilidade elétrica. Nesse ano, conta Jorge Pinto, “fomos convidados – ainda que depois não se tenha concretizado – a fazer com a Carris uma conversão de veículos a diesel para veículos híbridos”. A iniciativa partiu da Siemens, que tinha levado a cabo um processo idêntico em Barcelona, através da conversão de cerca de cem unidades.

O projeto não avançou mas a empresa começou a fazer as primeiras experiências na área e, há cerca de dois anos, o raciocínio passou por uma realidade concreta: a existência de 3000 Cobus espalhados pelo mundo. “Sabemos que há em várias regiões, vários países a direcionar-se para o verde, para uma realidade limpa. Os aeroportos estão muito conscientes disso mas não têm grande campo de manobra porque, tirando as linhas aéreas, o que faz a emissão de CO2 nos aeroportos é o aquecimento dos terminais, a luz e os meios de tração e de transporte”, esclarece o responsável.

Sabendo disso – e tendo em conta a frota existente -, surgiu a ideia de converter parte dessa frota e apresentar uma solução que permitisse colocar veículos convertidos em mobilidade por um custo razoável. O protótipo foi um carro de 2007, que esteve em Lisboa a fazer demonstrações. Produziram mais dez. “Acabámos por receber a primeira encomenda de seis carros para Estugarda e quatro para Genebra, que vamos fornecer até ao final do ano. E temos manifestações de interesse de vários aeroportos”, conta. A transformação de um veículo custa cerca de 350 mil euros e inclui a modificação do sistema de tração de diesel para elétrico, assim como uma remodelação do carro e um redesign. “Uma coisa que não foi pensada à partida mas que se torna cada vez mais importante é o facto de meios de transporte a diesel serem barulhentos. O elétrico tem a vantagem de não fazer barulho. Para Genebra, dois deles são em versão VIP, com menos bancos, mais conforto.”

Com cerca de 600 trabalhadores, a Caetano Bus opera sobretudo por projeto e faturou 50 milhões de euros em 2014, um valor ainda abaixo do de 2007, altura em que a faturação rondava os 65 milhões. Mas as perspetivas são de crescimento, com os mercados da China, Vietname, Rússia, Índia, Estados Unidos e América Latina à cabeça. “Isto é o início”, garante o administrador.


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