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Brexit. Componentes automóveis perdem 260 milhões no biénio 2018/19

A indústria portuguesa de componentes fornece no Reino Unido desportivos de luxo e marcas topo de gama. Fixou um recorde de 1088 milhões de euros em 2017, mas este ano ficará muito longe dessa meta

in Expresso, Abílio Ferreira, 01-04-2019


As exportações portuguesas de componentes automóveis para o Reino Unido correm o risco de perder pelo menos, 260 milhões de euros no biénio 2018/19, regredindo três anos. Face a 2017, o resultado de 2019 deverá refletir uma redução de 23%.

As vendas para o mercado britânico iniciaram o ano de 2019 em queda (menos 12%), mantendo a trajetória descendente que se verificara 2018 (menos 13%). Se o ano passado o negócio caiu 150 milhões, este ano as primeiras indicações apontam para uma redução da ordem dos 110 milhões.

A indústria de componentes fixou em 2017 um recorde no Reino Unido, superando a cifra mágica dos 1000 milhões de euros (1088 milhões). A evolução traduzia um crescimento sustentado que acelerou em 2015, ano em que o valor das exportações ficara nos 771 milhões.

Mas, se o desempenho de janeiro for replicado a longo de 2019, o mercado vai regredir para um valor que supera ligeiramente o registado em 2015.

O mercado representa 10% da receita do setor de componentes, ocupando o quarto lugar no ranking.

DESPORTIVOS E TOPO DE GAMA

A Indústria portuguesa “fornece a grande maioria das marcas fabricadas no Reino Unido, incluindo os desportivos de luxo, como Aston Martin ou McLaren e o segmento premium da Bentley, Jaguar ou Rolls-Royce”, diz ao Expresso a direção da Associação de Fabricantes para a Indústria Automóvel (AFIA). “Até os novos táxis londrinos, têm componentes fabricados em Portugal” acrescenta a associação.

O declínio das exportações portuguesas reflete a queda da produção no Reino Unido – 14% nos dois primeiros meses de 2019, quase o dobro da redução registado em 2018.

Evitando “abordagens especulativas” a partir das incertezas geradas pelo Brexit, a direção da AFIA, presidida por Tomás Moreira, reconhece que os factos e sinais já conhecidos são todos “desfavoráveis e preocupantes”, mesmo no cenário menos adverso.

As “barreiras alfandegárias levarão a um aumento de custos que a indústria não conseguirá transferir na íntegra para os clientes”. A margem e rentabilidade das empresas “será muito afetada”. A AFIA teme ainda os “constrangimentos logísticos”, no caso dos camiões foram obrigados a parar nos postos fronteiriços.

A AMEAÇA DO EFEITO CAMBIAL

Numa lógica menos imediatista, a direção de Tomás Moreira admite uma acentuada redução do volume de carros fabricados no Reino Unido e que a “esperada desvalorização da libra” colocará as peças portuguesas sob pressão e numa posição desfavorável face aos fabricantes britânicos.

O efeito cambial levará ao reforço “ do grau de incorporação de produção local”, adverte a AFIA.

Na audição parlamentar sobre o Brexit, o ministro da Economia Pedro Siza Vieira, apontou a fileira automóvel como uma das mais castigadas pelo efeito Brexit.

O ministro reconheceu que os fornecedores portugueses “lidam com margens mais apertadas do que os concorrentes” e enfrentarão no futuro “um ajustamento operacional”. A pauta aduaneira temporária negociada entre Bruxelas e Londres prevê o pagamento e uma taxa de 10%.

O mercado automóvel do Reino Unido é singular. A indústria exporta 80% da produção (1,6 milhões de unidades em 2018) e o comércio importa 85% dos carros vendidos (2,3 milhões).

 

 

 

 

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