Skip to main content

Bosch pronta a investir para bater recordes em Portugal

A ambição é crescer 60% até 2017 com novos produtos e mais competências

in Expresso, por Margarida Cardoso, 23-05-2015

A Bosch Portugal espera ver o seu volume de negócios crescer 60% até 2017, para um recorde de €l,3 mil milhões, e acom­panha esta previsão com um aumento de 40% nos postos de trabalho, que deverão chegar aos 4600 dentro de dois anos.

“Será um crescimento par­tilhado pelas três unidades do grupo no país, mas alavancado na Bosch Car Multimedia, em Braga”, afirma João Paulo Oli­veira, representante da multi­nacional alemã em Portugal, confiante na carteira de enco­mendas atual, no potencial dos novos projetos em curso e na capacidade para atrair produ­tos que estão a ser feitos em fá­bricas do grupo noutros países.

“Estamos a concorrer à escala global para atrair investimentos em áreas da Bosch que ainda não estão em Portugal. O grupo tem 16 divisões e apenas três estão a operar no país, em Braga, Ovar e Aveiro, pelo que estamos a motivá-las a olhar para nós como polo de investimento. Algumas estarão já praticamente convencidas”, adianta o gestor, a exportar para 60 países.

Responsável por mais de metade do volume de negócios do braço português do grupo alemão, só a fábrica de Braga deverá faturar EUR900 milhões em 2017, 10% mais do que o valor total apresentado pela Bosch Portugal em 2014. É um recorde que a empresa espera obter através do arranque da produção de sistemas de instrumentação para motociclos, projetos para marcas automóveis, da BMW à Audi, Volvo, Jaguar ou Land Rover, e novas soluções como o head-up-displays com realidade aumentada que permite ao condutor ver toda a informação, incluindo GPS, no para-brisas, e está a ser desenvolvido em parceria com a Universidade do Minho.

Para a Bosch, esta parceria na área de Investigação e Desenvolvimento (I&D) é um bom exemplo do trabalho que pode ser feito em Portugal. Há 14 projetos em desenvolvimento, 12 patentes em fase de registo e “as primeiras soluções que começaram a sair do consórcio estão a ser muito bem avaliadas na Alemanha porque permitiram resolver um problema relativo à vibração das imagens no para-brisas que o grupo andava a tentar solucionar há já sete anos”, sublinha.

Talvez por isso, há já uma nova candidatura a fundos comunitários para investir EUR48 milhões até 2018 na área da mobilidade automóvel. A Divisão Car Multimedia da Alemanha está a recrutar engenheiros portugueses e a Bosch Termotecnologia, onde foram registadas 10 patentes em 2014, vai fazer uma parceria idêntica com a Universidade de Aveiro.

O crescimento projetado deverá ditar um reforço do ritmo de investimento do grupo em Portugal, até agora na ordem dos EUR20 milhões por ano. A prová-lo está o novo centro de I&D de Aveiro, para as áreas da eletrónica e conectividade que vai canalizar EUR25 milhões.

Centro de competências mundial do grupo para a água quente, Aveiro já tem um centro de I&D para a termodinâmica e transferência de calor, tem estado a trabalhar para diversificar a sua oferta a novas áreas como as caldeiras e bombas de vapor, atraiu atividades de desenvolvimento de software que eram feitas na Índia e acaba de vencer um Red Dot Award, uma espécie de óscar do design, com um novo esquentador pioneiro na ligação a uma aplicação para smartphone ou tablet através da qual o utilizador pode controlar a temperatura da água e o consumo.


TRÊS PERGUNTAS
A João Paulo Oliveira, Representante da Bosch em Portugal

A previsão de crescimento não é demasiado otimista?
Se houver retração no mercado automóvel iremos sofrer, mas as contas são feitas tendo por base produtos já alocados, encomendas existentes. Há a decisão estratégica de o grupo colocar mais produtos em Portugal.

A Investigação e Desenvolvimento está a ganhar peso?
Há cinco anos não teria feito uma previsão tão otimista do que aconteceu nas unidades de Braga, Aveiro e Ovar. O interesse e confiança depositados pela Bosch em Portugal tem sido extraordinário.

A imagem de Portugal mudou?
Portugal investiu em infraestruturas, nas universidades, e estamos a tirar proveito disso. A relação preço-qualidade da engenharia em Portugal é do mais competitivo que há a nível mundial. Na qualidade do produto estamos no topo, mas também somos muito flexíveis, pelo que apresentamos características únicas. E a ligação no triângulo empresas-universidades-governo/entidades públicas tem corrido muito bem.


O senhor que se segue também é português

Em setembro, quando João Paulo Oliveira deixar a Bosch para ocupar um lugar na comissão executiva da Portucel, com o pelouro industrial, o seu sucessor na liderança da multinacional também será português. Carlos Ribas acumula já a partir de julho as novas funções com o cargo de diretor técnico da fábrica de Braga, o que dá à equipa um período de transição de um mês de forma a permitir uma passagem tranquila de testemunho. O novo rosto do grupo germânico no país é engenheiro eletrónico, esteve no Japão a formar-se em liderança e gestão global, trabalhou na Yazaki, chegou à Bosch em 2004 e já foi diretor técnico da fábrica de Braga, antes de optar por ganhar experiência internacional no grupo à frente da fábrica de Mondeville, em França, onde chefiou uma equipa de 700 pessoas dedicada à eletrónica automóvel.


O SALTO DOS NÚMEROS

  • 3% foi o crescimento das vendas da Bosch Portugal em 2014, para EUR811 milhões
  • 60% é o crescimento esperado no volume de negócios até 2017, para EUR1,3 mil milhões. O contributo virá de todas as empresas do grupo
  • 40% é o crescimento previsto no número de trabalhadores até 2017, com as previsões a apontarem para os 4600 efetivos
  • 250 serão os novos engenheiros contratados até 2017 para os centros de Investigação & Desenvolvimento do grupo em Ovar, Braga e Aveiro. A nova projeção antecipa em três anos o que estava programado

Fábrica de Ovar inova na segurança

Produzir a primeira câmara de videovigilância com visibilidade a 360º é um dos trunfos da Bosch Security Systems

Na fábrica da Bosch Security Systems Sistemas de Segurança, em Ovar, as linhas de montagem são reabastecidas de 20 em 20 minutos, numa cadência controlada para ajudar a manter a competitividade da empresa. A primeira câmara de videovigilância com visibilidade a 360º e áudio, um produto pioneiro no mercado, desenvolvido em Eindhoven para ser produzido em Portugal, é um dos cartões de visita desta unidade do grupo Bosch, já com novos projetos em mãos.

A prová-lo há uma nova câmara, a ser desenvolvida num trabalho de parceria entre as equipas de Ovar e Eindhoven, a ambição de transformar o centro de competências na área de hardware num centro de competência global, a aposta em novas competências como a produção de componentes eletrónicos para caldeiras e eletrodomésticos, ou a “área limpa” dedicada ao controlo ótico minucioso.

“O plano de crescimento no segmento da videovigilância e segurança é ousado. Temos um portfólio de produtos inovadores já planeados até 2018 que contempla novas aptidões físicas para as câmaras trabalharem em condições extremas, mas também a inter-relação com o usuário, a conectividade pela via da programação e visualização num telemóvel. E temos, ainda, produtos noutras áreas”, sublinha João Paulo Oliveira.

Umas das conquistas obtidas pela equipa de Ovar foi a produção de câmaras de videovigilância para autoestradas da Europa e Estados Unidos. Os equipamentos estavam a ser feitos na China, mas foram transferidos para Portugal devido às garantias oferecidas na qualidade do produto final e nos prazos de entrega.

Há, também, blocos óticos que a Bosch estava a fazer num fornecedor asiático e decidiu, agora, produzir em Ovar para consumo interno e para a sua fábrica na China, reduzindo elevados níveis de rejeição do produto e obtendo por esta via uma redução dos custos de produção. E há câmaras para usar em ambientes com temperaturas extremas, à prova de fogo ou de água, assim como câmaras para deteção de carros para controlo de velocidade e identificação de matrículas nos sistemas europeu e americano.

Flexibilidade é a palavra-chave nesta unidade, pronta a fazer 550 referências e a testar 100% dos produtos no processo industrial. Só na zona dedicada às câmaras de videovigilância, organizada em células de produção, cada linha está apta a fazer 56 produtos diferentes. Nas vendas da Bosch Portugal, Ovar tem uma quota de apenas 10%, mas promete acompanhar o crescimento esperado do grupo. A unidade mais pequena da multinacional alemã emprega atualmente 350 pessoas, prevendo chegar aos 500 trabalhadores a curto prazo. Uma das áreas em expansão é a Investigação e Desenvolvimento.

 


Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Fica a saber como são processados os dados dos comentários.