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Bosch: “Prevemos contratar mais 200 engenheiros” em Portugal

A quarta maior exportadora, que emprega seis mil pessoas em Portugal, das quais mais de mil engenheiros nos seus centros de I&D, assina esta terça-feira mais um projeto de inovação, no valor de 28 milhões de euros, numa sessão com António Costa.

in Negócios, por Rui Neves, 06-12-2021


Carlos Ribas, representante da Bosch em Portugal, traça as grandes linhas orientadoras do grupo alemão no nosso país, onde detém fábricas em Braga, Ovar e Aveiro, e fatura cerca de 1,6 mil milhões de euros.

A Bosch assina esta terça-feira uma parceria de inovação com a Universidade do Porto – o que é o projeto THEIA?

O THEIA é um projeto que tem como objetivo investigar e desenvolver soluções no âmbito da melhoria das capacidades sensoriais de veículos autónomos, implementando e validando algoritmos de perceção baseados nos dados recolhidos pelos seus sensores – com especial foco nos sensores LiDAR – para construir uma visão/perceção exata, robusta e segura da sua envolvente exterior. Este é um projeto que surge como resposta às exigências da condução autónoma, nomeadamente na busca de perceção integral da envolvente externa do veículo, de estimativa das condições externas que afetam a condução (condições meteorológicas), e da caracterização de cenários críticos por meio da realização de testes e validação em contextos laboratoriais – de forma a garantir uma perceção mais avançada do que a do ser humano.

No fundo, trata-se de mais um projeto de inovação da Bosch relacionado com a mobilidade do futuro…

Sim. E esta é uma das áreas em que as equipas da Bosch em Braga têm vindo a desempenhar um papel preponderante, seja através do envolvimento em projetos da Bosch a nível mundial, como nas parcerias de inovação que firmamos com a academia – quer neste caso com a Universidade do Porto, quer noutros projetos com a Universidade do Minho.

Quantos postos de trabalho serão criados à boleia do THEIA?

Este projeto irá gerar 55 novos postos de trabalho relacionados com o THEIA na Bosch. Por parte da Universidade do Porto, o projeto prevê a contratação de 70 bolseiros de investigação e nove novos quadros com qualificação igual ou superior ao nível VI. Estas contratações terão como objetivo reforçar as equipas de investigação da Universidade do Porto dedicadas ao projeto, nomeadamente no desenvolvimento dos algoritmos de perceção que irão configurar as capacidades dos sensores LiDAR na próxima geração de veículos autónomos. Na prática, falamos da necessidade de contratação de determinados perfis especializados em diferentes áreas de engenharia, nomeadamente para o desenvolvimento de software e hardware. Estarão ainda envolvidos recursos que já fazem parte das organizações.

Em termos de fontes de financiamento, o que cabe a cada uma das partes e qual o valor dos fundos comunitários alocados ao THEIA?

O investimento da Bosch será de 21,3 milhões e o da Universidade do Porto 6,8 milhões de euros. A parcela da Bosch é suportada em 57% pela própria empresa, contando com o financiamento de fundos comunitários e nacionais em 435 do valor; a parcela da Universidade do Porto é suportada pela instituição em 25%, sendo financiada em 75% do valor total.

Um investimento a ser executado nos próximos dois anos, certo?

Sim, a primeira fase deste projeto irá decorrer até 2023, e a esse período corresponde um investimento de 28 milhões de euros. Além deste montante, que na realidade é um custo com atividades de desenvolvimento, a Bosch tem investido de forma contínua no nosso país e os próximos anos não serão exceção.

Quantas pessoas a Bosch emprega atualmente em Portugal e quantas prevê contratar em 2022 ?

Neste momento, a Bosch tem cerca de seis mil colaboradores em Portugal, sendo mais de mil engenheiros altamente qualificados nos nossos centros de I&D. Temos prevista a contratação de cerca de 200 engenheiros no próximo ano para responder aos projetos de I&D – cerca de 100 em Braga, mais 50 em Ovar e mais 50 em Aveiro. A produção em Ovar e Aveiro também está a crescer, estamos com resultados recorde e iremos continuar a crescer de forma significativa no próximo ano.

A Bosch, que é uma das maiores empregadoras em Portugal, faturou em 2020 cerca de 1,6 mil milhões de euros. E este ano, qual é a previsão de fecho de exercício? A falta de componentes deve estar a travar o vosso crescimento, nomeadamente o principal negócio, o da eletrónica automóvel…

A escassez de componentes está efetivamente a travar o crescimento do negócio em Portugal, com forte impacto nomeadamente na Bosch em Braga. Por exemplo, se no caso de Aveiro e Ovar se prevê que renovem recordes de venda, já no caso de Braga será uma boa notícia se não baixar o nível de faturação do ano passado. E infelizmente, à data, não prevemos melhorias para o próximo ano.

 

fotografia Paulo Duarte

 

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