Bosch aumenta vendas em Portugal e destaca importância da fábrica de Braga

in Dinheiro Vivo, 04-05-2018


Com quatro localizações a operar em Portugal, a fábrica de Braga, responsável pelo fabrico de painéis de instrumentos para carros e motas de diversos fabricantes, teve uma faturação recorde no ano passado. A operação de Braga é a responsável pelo desenvolvimento das áreas de soluções de mobilidade, para diversas marcas, como o grupo PSA, BMW, Audi ou a Nissan. Em 2017, a fábrica de Braga contribuiu em 68% para o volume total de vendas da empresa em Portugal, com uma faturação de mil milhões de euros.

Em comparação com o ano anterior, a fábrica bracarense cresceu 49%. Esta operação foi fortemente impulsionada por soluções como o sistema eCall, que passou a ser obrigatório a partir de março de 2018. A ideia deste sistema é que, caso de acidente ou um problema com o condutor, seja feita automaticamente uma comunicação para os serviços de emergência.

Recrutamento de quadros qualificados continua a ser um desafio

Em 2017, o grupo Bosch investiu cerca de 84 milhões de euros em Portugal, especialmente para a expansão das fábricas de Aveiro, Braga e Ovar – mas a investigação e desenvolvimento não fica de fora desta equação. Do total de 84 milhões de euros, 25 milhões foram investidos em investigação e desenvolvimento, em Portugal. Em Aveiro, são desenvolvidas soluções tecnológicas no centro de desenvolvimento e investigação para soluções de água quente. Algumas dessas soluções, como uma plataforma que permite gerir o aquecimento da água ou da casa através de uma aplicação no desktop, já são utilizadas no mercado alemão, por exemplo.

Uma das faces do investimento de 84 milhões de euros feito pelo grupo passará pela fábrica da Bosch em Braga, que vai crescer em dimensão até ao final deste ano. Segundo Carlos Ribas, a ideia é expandir a fábrica nessa localização, ao acrescentar 21 mil metros quadrados de área coberta à estrutura.

Com o aumento da fábrica e com o grupo a dedicar cerca de 10% da sua faturação à inovação, muita dela feita em território nacional, há uma consequência clara: a necessidade de recrutamento de quadros qualificados, muito deles da área da engenharia. No ano passado, foram criados mais 450 postos de trabalho no grupo Bosch em Portugal, totalizando 4450 colaboradores em Portugal. Até ao final do ano, a marca ainda pretende contratar mais 300 pessoas.

“Vamos crescer tanto quanto o mercado nos permitir crescer”, explicou Carlos Ribas. “Temos mercado para centenas de engenheiros, o mercado é que não tem tantos engenheiros para nos dar”, acrescentou o responsável da Bosch, referindo os desafios de recrutamento de pessoal qualificado no mercado português.

“Temos várias atividades em curso para tentar atrair mais engenheiros”, acrescentou, durante a conversa com os jornalistas. “[Os concorrentes] descobriram que a educação em Portugal era tão boa quanto no resto da Europa… “. A estratégia da Bosch neste momento passa por recrutamento em mercados como a Venezuela, Índia ou Angola. “Mercados onde provavelmente ainda existem alguns recursos”, acrescenta Carlos Ribas.

Nas estratégias para manter os colaboradores que já têm, a operação portuguesa passa pelas estratégias habituais do mercado: permitir trabalho remoto, oferta de transportes, torneios de futebol, etc. “Mas aquilo que pode ajudar a cativar mais os colaboradores é dar-lhes um projeto que os cative”, assume.

A importância da “Internet de todas as Coisas”

No que toca à Internet das Coisas, a marca quer que “100% dos seus produtos possam estar ligados à Internet, em 2020?. Isto é um dos passos, mas a ideia é que também seja possível apostar na digitalização dos sistemas que já existem. “A Bosch quer ligar o mundo digital ao mundo real”, explicou Javier González, presidente da Bosch para Portugal e Espanha. “A Internet das Coisas não pode ser feita sozinha”, refere o responsável, explicando que a marca já conta com 28 parceiros, incluindo a assistente digital da Amazon, a Alexa. “Afinal, há crianças que antes de aprenderem a dizer mamã ou papá, já sabem dizer Alexa”, referiu.

Horas antes da apresentação de resultados da operação nacional, em visita com os jornalistas à fábrica de Braga, Carlos Ribas, representante da Bosch em Portugal, era claro na aposta da marca em IoT: “aqui e agora é a Internet de todas as Coisas, aquilo que não está ligado não vale”. O responsável acrescentava que a “Internet das Coisas acabou, agora quer-se é a Internet de todas as coisas”, numa realidade em que tudo está ligado à Internet, desde o frigorífico até aos carros. E, nesta questão, a Bosch defende que a condução autónoma também pode ter um toque português: “uma grande parte da condução autónoma do futuro vai ser feita em Portugal”, concluiu Carlos Ribas.

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