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Borgstena avança na economia circular

Em parceria com a plataforma Fibrenamics da Universidade do Minho, a empresa está a reciclar os resíduos, a transformá-los em nova matéria-prima e, com recurso a nanomateriais, a conferir-lhes valor acrescentado para utilização no interior de veículos.

in Portugal Têxtil, 30-06-2021


O projeto AutoEcoMat, como foi batizado, debruçou-se não só na reciclagem dos resíduos, mas também na sua transformação em matéria-prima usável na produção e com valor acrescentado. Um desafio para os investigadores da plataforma Fibrenamics e da Universidade do Minho e para a empresa têxtil, uma vez que, no que respeita aos têxteis para a indústria automóvel, os «resíduos são laminados em espumas», salientou Carlos Mota, investigador da Fibrenamics e project manager deste projeto, durante o webinar “Circularidade de Resíduos Fibrosos”. «Quando temos uma estrutura têxtil que é desenvolvida maioritariamente numa matriz termoplástica ou numa espuma, que é um material termoendurecível, temos aqui materiais de famílias químicas diferentes. Na questão da circularidade dos materiais, e do ponto de vista do design e do desenvolvimento do produto, é muito importante os materiais serem muito bem pensados, porque quando juntamos muitas famílias de materiais, é uma grande problemática depois na reciclagem», acrescentou.

Por isso mesmo, estes resíduos acabam por ter como único destino os aterros, implicando um longo período de tempo, de «milhares de anos», até serem decompostos. «O objetivo do projeto foi desenvolver processos de transformação e conversão dessas estruturas têxteis e dessas espumas em nova matéria-prima, para dar origem a novos produtos para o sector dos transportes», resumiu.

Além da reciclagem, por processos mecânicos, dos resíduos de poliéster e das espumas de poliuretano, o AutoEcoMat trabalhou na valorização dos resíduos, com recurso a processos de extrusão de chapa, para que pudessem voltar a ser uma matéria-prima para a indústria, e ainda acrescentou mais-valias, com a introdução de nanomateriais e materiais com mudança de fase. «Com os nanomateriais foi possível aumentar as propriedades mecânicas, que foram deterioradas com os processos de transformação e utilização, e conseguimos até ter propriedades mecânicas superiores aos materiais virgens», indicou o project manager. A matéria-prima resultante foi ainda aditivada com materiais com mudança de fase, «o que vai melhorar em muito a gestão térmica do material quando for usado em novos produtos para o sector automóvel», apontou.

Para já, a Borgstena, que tem a exclusividade, está a usar a tecnologia desenvolvida apenas para “consumo interno”, mas Carlos Mota afirmou que «a potencialização destas tecnologias e destas metodologias que foram desenvolvidas poderá abrir portas a outras entidades industriais e a outras necessidades do mercado de valorizar materiais que, até agora, era muito difícil serem valorizados».

Um resultado relevante para a sustentabilidade e a economia circular, sobretudo numa altura em que a produção de automóveis deverá continuar a crescer: em 2018, foram produzidos, segundo dados revelados por Carlos Mota, cerca de 80 milhões de viaturas de passageiros, e, de acordo com as projeções em janeiro de 2019 da Statista, em 2030 serão 117 milhões de automóveis. «Com este projeto, a Borgstena tem a capacidade de não adquirir novos materiais, mas usar materiais que iriam para aterro e teriam impacto ambiental», destacou o project manager.

 

http://www.borgstena.com/

 

 

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